Cerimônia celebra a autonomia universitária

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A concorrida cerimônia de transmissão de cargo para a primeira mulher a assumir a reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, nesta segunda-feira, 8, foi uma celebração da autonomia universitária e uma resposta da comunidade universitária e científica, e dos vários segmentos da sociedade presentes ao auditório Horta Barbosa, no Centro de Tecnologia, aos ataques do governo Jair Bolsonaro à educação pública, à pesquisa e à cultura brasileira.

Denise foi recebida sob aplausos do público de pé, e os discursos dos representantes de instituições científicas e universitárias, de entidades estudantis e sindicais foram no mesmo tom: destacaram o momento de extrema dificuldade pelo qual passa a Educação, a Ciência e a Tecnologia no país, e a necessidade de união de todos esses setores com o conjunto da sociedade para a construção de uma resistência eficiente.

 

Um dia especial

O reitor Roberto Leher transmitiu o cargo a Denise ressaltando que o momento era muito especial: “Estamos celebrando a posse da nossa nova reitora, um dia marcante para nossa instituição. Estamos exercitando uma prerrogativa constitucional, que é a  nossa autonomia, que envolve nossa autogovernança, portanto, um dia de jubilo para nossa democracia”.

A coordenadora-geral do Sintufrj, Neuza Luzia, reiterou: “Hoje estamos celebrando o fortalecimento da autonomia universitária e da democracia. Nós que estamos aqui no dia a dia, sabemos da luta que tivemos para conquistar esses dois pilares que sustentam a universidade pública e de qualidade, e também quanto é importante um momento como esse numa conjuntura como essa. A palavra que mais estamos ouvindo aqui, nesse momento, é  desafio. A prioridade central é que a UFRJ se unifique para fortalecer e intensificar a democracia internamente fortalecendo a luta por um bem tão caro que está sob forte ameaça”.

O tom fortemente político da cerimônia não interferiu no ritual acadêmico próprio para a ocasião, como a troca da pequena capa, na presença de ex-reitores – compareceram Alexandre Cardoso, Paulo Alcântara Gomes, Sérgio Fracalanzza e Carlos Levi –, eméritos, decanos, ex-pró-reitores, a maioria dos diretores de unidades, professores, técnicos-administrativos e estudantes. O evento contou com interprete de Libras e foi transmitido ao vivo pelo site do Sintufrj e pela Web TV da universidade.

 

 

 

Homenagem às mulheres

Em seu discurso, Denise referiu-se a personagens femininas importantes na história da UFRJ e da ciência brasileira, e fez questão de lembrar que era a primeira mulher a assumir o cargo na universidade depois de 28 reitores homens. Ela apontou a importância do projeto Viva UFRJ (parceria da instituição com o  BNDES para cessão de imóveis ociosos à iniciativa provada), prometendo garantir ainda mais transparência e a participação da comunidade universitária às futuras negociações, e reiterou o compromisso de que a UFRJ continuará pública, gratuita, de qualidade, democrática e laica.

Denise também se comprometeu com o projeto de recuperação do Museu Nacional, que pretende devolver reconstituído à sociedade em 2022. Outro compromisso assumido pela nova reitora foi o de tornar a UFRJ cada vez mais inclusiva e atuante nas transformações sociais, quebrando as “bolhas” do pensamento sectário com a garantia da pluralidade de pensamento e convívio da diversidade, pilares da democracia e da liberdade. Para ela, educação é investimento e é transformadora, um caminho para a mobilidade social e a diminuição das desigualdades. Ela concluiu, afirmando: “Sejamos livres para pensar e agir para o bem comum. Nosso legado será o renascimento da esperança”.

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