A direita se apropria da tragédia para atacar UFRJ e servidores

Depois do incêndio no Museu Nacional, na noite do no dia 2, a direita golpista que levou Temer ao poder, com apoio da mídia comercial, passou a imputar a responsabilidade à UFRJ e à folha de pagamento dos servidores - que consumiria a maior parte de recursos

A versão foi contestada pela comunidade universitária e pelos movimentos sociais, que imediatamente entenderam a equação: a tentativa de se erguer cortina de fumaça para esconder as causas reais do incêndio (o colapso de recursos para a universidade pública e para a cultura) e aproveitar a tragédia para atacar a UFRJ e seus servidores.

 

O pró-reitor de Patrimônio, Desenvolvimento e Finanças, Roberto Gambine, disse que está se jogando com desinformação ao tentar vincular o orçamento para custeio e investimento com recursos de pessoal. E depois comparar com o que foi repassado ao museu.

 

Gambine explicou muitas vezes que o orçamento de pessoal é uma despesa obrigatória, sobre a qual a gestão não tem ascendência. E disse que a folha de pessoal cresceu para dar conta do processo de expansão da universidade, mas o mesmo não aconteceu com os recursos para  custeio e investimento para acompanhar a expansão. Pelo contrário, cada vez tem vindo menos dinheiro para a universidade.

 

Gambine disse que juntar os recursos (de pessoal e de custeio e investimento) joga a sociedade contra a UFRJ. E que uma solução absurda seria a demissão de servidores: “Assim teríamos lindos prédios sem nenhum professor, técnico”. Mas o pró-reitor observa que quem faz a diferença na UFRJ é justamente seu corpo técnico e docente.

 

Orçamento em declínio

Segundo ele, “o orçamento da UFRJ é decrescente desde 2014 para 2015”. Nesta época, houve um déficit de R$ 100 milhões que vem repercutindo até hoje. E a UFRJ ainda vem sofrendo frequente redução de recursos: o orçamento foi de R$ 450 milhões em 2016; R$ 420 milhões em 2017 e R$ 388 milhões em 2018. A previsão para 2019 é de R$ 364 milhões, R$ 20 milhões a menos. Ele pergunta: “Como suportar o financiamento de uma instituição com esta envergadura com orçamento reduzido ano após ano?”

EDITORIAL

Cinismo sem limites


A Universidade Pública está sob ataque. E o incêndio do Museu Nacional traduz, de forma trágica, a violência desta ofensiva do governo golpista articulado com as corporações de comunicação (Rede Globo e satélites) e os grandes empresários do qual o governo é subalterno.

O ataque à universidade pública é um projeto. É uma meta estratégica de um plano maior de desmonte do Estado e de domínio absoluto do mercado sobre tudo e todos.

Isso já estava expresso num programa chamado Ponte para o Futuro apresentado um pouco antes pelo grupo que golpeou a democracia e ocupou o Palácio do Planalto.

Neste evento devastador (o incêndio) para a memória e para a cultura, as forças conservadoras têm se superado: de forma cínica, apontam o gasto com os salários dos servidores como responsável pela falta de recursos para manutenção do patrimônio da universidade.

Mentem descaradamente, pois sabem que o orçamento de pessoal não tem relação com o orçamento de custeio e investimento, cada vez menor. Mentem para manipular a opinião pública e colocar a sociedade contra os servidores públicos.

A hora exige luta, ênfase na convocação da comunidade universitária e de setores da sociedade (que estão dando demonstração de solidariedade) para mobilizações que desmascarem o golpismo e defendam a cultura e a educação pública.