CAOS NA SEGURANÇA

Comunidade universitária exige ações efetivas contra a violência na UFRJ

UFRJ não vai parar por conta da violência nem pelo sucateamento do governo federal, afirma Sintufrj

A inquietação provocada pela onda de sequestros e assaltos na UFRJ ampliou a pressão da comunidade universitária sobre a reitoria com a cobrança de medidas para enfrentar a situação que ganhou tons dramáticos nas últimas semanas.

O clamor de técnicos, estudantes e professores foi manifestado nesta quinta-feira, 23, em ato nas escadarias do Centro de Ciências da Saúde (CCS), com a participação de representantes da Adufrj, Sintufrj, DCE Mário Prata.

 

O ato no CCS foi na hora do almoço. A reitoria se antecipou à manifestação e, numa coletiva pela manhã, apresentou um rol de propostas que envolve a restrição ao acesso ao Fundão, controle do trafego na Cidade Universitária e reforço do policiamento.

 

No ato – que teve como mediadora da mesa a decana do CCS, Maria Fernanda Quintela –, a coordenadora-geral do Sintufrj, Neuza Luzia, disse que a mobilização é também uma manifestação para a sociedade (veja vídeo). “É importante que digamos que a universidade pública não vai se calar e não vai parar. A UFRJ não vai parar por causa da violência e nem pelo sucateamento do governo federal”, destacou.

 

A dirigente revelou também que a base das medidas anunciadas pela Reitoria já havia sido proposta pelos vigilantes da Divisão de Segurança (Diseg) da UFRJ e pelo Sintufrj, faz anos. E defendeu a excepcionalidade para a UFRJ para a contratação de vigilantes via concurso público.

 

A decana Maria Fernanda Quintela e a presidente da Adufrj, Maria Lucia Werneck, defenderam a união da comunidade para exigir a apurações dos casos e debater suas propostas em relação à segurança no campus.

 

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, e o prefeito da Cidade Universitária, Paulo Mário Ripper, estiveram presentes ao ato, após a entrevista  em que anunciaram as medidas que estão sendo adotadas. O reitor cobrou da Segurança Pública investigações sobre a ação dos bandidos na UFRJ e a apuração do assassinato do estudante Diego Machado, ocorrido há quase dois anos.

 

Nessa quinta-feira, 24, em sessão do Conselho Universitário, pela manhã, a segurança estará em pauta. Durante a tarde, o prefeito tem reunião com a CET-Rio para delimitar o fechamento de entradas e saídas do campus da Cidade Universitária.

 

Providências

Na entrevista coletiva, o reitor, ao lado do prefeito Paulo Mário Ripper,  anunciou providências para enfrentar a situação. A expectativa é a de que até meados de junho a maioria das medidas sejam implementadas. São elas:

 

- Fechamento de entradas e saídas do campus em horários determinados.

- Controle de tráfego.

- Divisão do campus em quatro áreas para patrulhamento. Haverá uma viatura com dois policiais cobertura de cada área, perfazendo um total de quatro carros e oito policiais.

- Instalação de câmeras de maior definição para identificação facial e leitura de placas.

- Melhoria na iluminação e câmeras para os estacionamentos. Foi encaminhado um pacote que depende de liberação de verbas do MEC.

- Adesão ao Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) para que policiais militares possam trabalhar em horário de folga e recebam gratificação. A Petrobras já se comprometeu a fazer o pagamento dos policiais.

- Participação mais ativa da Divisão Anti-Sequestro (DAS), em parceria com 37ª DP, nas investigações sobre as quadrilhas que vem atuando na Cidade Universitária.

- Investimento na Divisão de Segurança da UFRJ (Diseg). Compra de quatro viaturas, armamento e reforma da Sede. O aumento do efetivo depende de liberação do governo para realização de concurso público para vigilante da UFRJ.