Fernando Haddad ouve reitores no Rio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Quando se fala em reserva de vagas, bolsa permanência, criação de institutos federais, estamos falando de jovens brasileiros que no começo deste século, não tinham nenhum horizonte. Mas hoje o filho do pedreiro pode, efetivamente, virar engenheiro, porque as oportunidades existem e precisam ser ampliadas”. A afirmação é do candidato a presidente da República Fernando Haddad, que na sexta-feira, 19, participou do debate “Democracia, soberania, universidade, ciência e engenharia” no Clube de Engenharia, no centro do Rio.

O evento foi promovido pelo Clube de Engenharia, Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Reitores de várias universidades federais estavam presentes, entre os quais o da UFRJ, Roberto Leher, além de dirigentes de instituições de pesquisa e representantes de entidades da sociedade civil organizada.

 

Propostas das entidades

Os representantes das entidades que organizaram o debate entregaram ao candidato documento contendo propostas voltadas ao desenvolvimento econômico e social do país. Entre elas, a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela investimentos públicos por 20 anos. Apontaram também a necessidade da defesa da soberania nacional, hoje ameaçada, de respeito aos direitos trabalhistas e individuais, de recuperação do orçamento necessário à ciência e tecnologia e de defesa da Petrobras.

O presidente da Andifes, Reinaldo Centoducatte, entregou a Haddad o documento intitulado “Educação para a democracia e o desenvolvimento” contendo as reivindicações dos reitores. O dirigente lembrou que nos governos petistas foi ampliado o número de instituições federais de ensino e destacou que a reserva de vagas propiciou o ingresso dos menos favorecidos no ensino superior público. Ele relatou as dificuldades enfrentadas pelos reitores devido às restrições orçamentárias e reivindicou financiamento e pessoal para os hospitais universitários, assim como recursos para as entidades de fomento de ensino e pesquisa.

“Estávamos mudando a realidade social no Brasil e isso incomodou”

“Estamos vivendo um processo que alguns analistas chamam de desconstituinte, pois estamos vendo a desconstituição de direitos. Um  processo de involução que remonta aos anos 1950, quando tive que defender as empresas estratégicas nacionais e os direitos trabalhistas. E não apenas os direitos trabalhistas, mas direitos sociais. Infelizmente, direitos políticos estão em disputa. Ontem (quinta-feira, 18), a Folha de S. Paulo trouxe uma reportagem de capa muito séria, uma denúncia de que, via caixa 2, meu adversário tinha feito uma espécie de tsunami cibernético com uma quantidade enorme de calúnias contra mim”, ilustrou Fernando  Haddad ao chamar a atenção para o momento delicado que sociedade brasileira enfrenta.

Segundo Haddad, a mesma elite que atacava a Petrobras (décadas atrás) e os direitos trabalhistas encontra “no meu adversário um representante de seus anseios sempre antinacionais e antissociais”. E acrescenta: “Como estávamos mudando a realidade social no Brasil, isso incomodou”.

O candidato chamou a atenção para as disparidades apresentadas pelas pesquisas: “Enquanto uma pesquisa (Datafolha) apontava que eu teria 41% dos votos, outra (Vox Populi) apontava 47%”. E completou: “Tem muita coisa em jogo nesta eleição, talvez mais do que nas anteriores.  Nunca vi tanta coisa em jogo no Brasil quanto hoje, desde a redemocratização”.

Sobre a ausência do oponente aos debates, disse: “Não é justo o país passar um cheque em branco para quem quer que seja diante do desafio que teremos que enfrentar”.

 

Coletiva à imprensa

Após o debate, Fernando Haddad respondeu a perguntas de jornalistas. Acompanhe:

Tsunami digital – “O que aconteceu no final do primeiro turno é muito grave. Não (apenas) pelo fato de a campanha ter sido influenciada, mas uma parte do Congresso foi eleita com base nessa emissão de mensagens em massa pelo WhatsApp. Santinhos foram distribuídos em massa pelo aplicativo. Isso custou dinheiro. E o dinheiro não foi declarado. E, no meu caso, é um pouco mais grave, porque, além da questão do caixa 2 e da compra de cadastro, duas práticas ilegais, tem a calúnia e difamação. Vai haver um desequilíbrio muito grande daqui para a frente se a Justiça fizer vista grossa do dinheiro do caixa 2 entrado nos cofres destas empresas de tsunami cibernético.”

Na minha opinião, a Justiça deveria se debruçar sobre isso, inclusive nesta campanha. Estamos há dez dias do segundo turno, e hoje saiu uma pesquisa (Datafolha) que me dá 41%, e uma outra (Vox Populi) que me dá 47%. Vamos supor que eu tenha 45%, eu estaria a cinco pontos de meu adversário. Uma ação ilegal como essa (no WhatsApp) poderia impedir uma trajetória de reversão da vantagem sobre ele.

Nós já entramos com ação judicial, com pedidos de apreensão de computadores, documentos comprobatórios das acusações que a Folha de