Os planos do diretor do HUCFF

Leôncio Feitosa organizou quatro grupos de trabalho para fezer o diagnóstico do hospital

A rotina do médico Leôncio Feitosa tem sido intensa nas últimas semanas. A convite do reitor Roberto Leher, ele se licenciou da presidência do Sindicato dos Médicos para assumir a direção geral do Hospital Clementino Fraga Filho (HUCFF) numa situação de crise. Sua missão, ele diz, é arrumar a casa, fazer correção de rumos e restaurar o funcionamento da instituição em bases mais estáveis. Tarefa difícil num cenário de falta de recursos e complicações decorrentes da gestão anterior. Veja o que ele diz nesta breve entrevista ao Jornal do Sintufrj.

 Dois problemas

Fui convidado pelo reitor no contexto de duas grandes preocupações. Uma, a principal, era o isolamento do hospital em relação à academia, às faculdades. Era uma visão da Reitoria. Mas constatei que, depois de conversar com alguns diretores de faculdade, de fato, havia um certo grau de tensão. Eles confirmaram as dificuldades.

 

O outro problema, apontado pela Reitoria, foi o professor Eduardo pedir uma espécie de intervenção da AGU. Isso nunca aconteceu na UFRJ, uma vez que ela tem suas instâncias próprias, e onde fica, então, a autonomia universitária?

 

 Primeira providência

Os primeiros passos foi na direção de restabelecer o relacionamento com todas as faculdades que utilizam o Hospital Universitário, uma instituição de ensino. E isto já está sendo feito. Já participei de várias reuniões, conversando com a direção da Faculdade de Medicina, com a direção da Faculdade de Enfermagem. E a recepção tem sido das melhores, uma vez que é fundamental que haja boa vontade dos dois lados. Esse aspecto é tão importante que estamos trazendo uma pessoa para cá só para tratar do relacionamento com todas essas faculdades. Nutrição, Farmácia etc. Ele estará aqui para propor soluções, manter um canal de entendimento permanente. Ora, isso aqui é um hospital universitário.

 

 O diagnóstico

A outra prioridade é um diagnóstico rigoroso para estudarmos a verdadeira situação do hospital. Montamos quatro grupos de trabalho formados por especialistas da universidade. Um dos grupos é o de Infraestrutura. Vai estudar o que tem conserto, o que temos condição de consertar. A situação física do prédio, a situação dos elevadores que atende a uma quantidade imensa de gente, a parte elétrica e a parte hidráulica. Há situações vergonhosas aqui: os pacientes não têm como tomar banho quente, para você ter uma ideia. Outro grupo será o da tecnologia da informação. São especialistas que vão avaliar maquinário, as instalações, os programas. E a primeira boa notícia é que o nosso pessoal do setor é muito capaz.

 

 Recursos humanos

Temos gente suficiente ou está faltando gente? O grupo de Recursos Humanos vai nos responder. Hoje temos 2.800 servidores e mais os 700 extraquadro, que é uma situação vergonhosa. É uma vergonha você pagar 800 reais para uma pessoa trabalhar no hospital, remuneração abaixo do salário mínimo. Estamos discutindo esta situação com eles e com a Reitoria. Já está acertado que eles vão comer no restaurante universitário. Já está previsto também que ninguém receberá menos que o salário mínimo no próximo ano. Já estará no orçamento, promessa da Reitoria. O problema do vale-transporte, outra reivindicação deles, terá que ser resolvido. O valor deles tem um teto, independentemente de onde a pessoa mora, o que é inaceitável.

 

Caberá a este grupo (Recursos Humanos) examinar toda a situação de pessoal. Vamos, então, avaliar os recursos humanos com os recursos financeiros para saber qual o tamanho do hospital que podemos ter.

 

Outro grupo vai estudar o setor de compras, os processos licitatórios, examinar propostas de planejamento e gestão hospitalar, uma preocupação que será permanente entre nós.

 

 Divisão de Enfermagem

Foi o aprendizado. Fizemos uma avaliação errada (ao indicar um professor da Escola de Enfermagem Ana Nery para o cargo de chefe da Divisão de Enfermagem). Não sabia que o problema tinha essa dimensão. Havia nomeado o diretor médico da Faculdade de Medicina sem problemas. Mas o fato é que, apesar do contratempo, fiquei feliz. É que os enfermeiros aqui gostam do que fazem, têm orgulho do HU. Quem foi chefiar a divisão foi o enfermeiro Tony Figueiredo. A portaria sai hoje (sexta-feira, dia 8).

 

 Eleições

Minha missão aqui é fazer o diagnóstico, iniciar a correção dos problemas apontados e chamar eleições. Trabalhei muito para que o HU tivesse eleições na década de 1980, quando elas passaram a acontecer. Estamos trabalhando, reformando a emergência, já ampliamos em 50% os leitos no CTI. E logo que as coisas estiverem nos rumos serão realizadas as eleições. A própria Reitoria quer esse processo rápido.

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