Conceição Evaristo é a homenageada na Semana da Consciência Negra

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A aclamada romancista, contista, poeta e ativista dos movimentos de valorização da cultura negra e ex-aluna da Faculdade de Letras da UFRJ, Maria da Conceição Evaristo de Brito, foi a homenageada na Semana da Consciência Negra do Centro de Tecnologia (CT), manhã de quarta-feira, 13, no salão nobre da Decania.

Emocionada, Conceição Evaristo agradeceu a homenagem afirmando que é essencial cobrar o lugar de pertencimento dos negros e negras na universidade: “É importante questionar o nosso espaço na literatura e na academia”.

Apresentação de Roda de Jongo, grupos de Afromix, Charme e Samba, feirinha de artes africanas, entre outras atrações, constaram da programação. Os coordenadores do Sintufrj Noemi Andrade e Ruy Azevedo, e a presidenta da Adufrj, Eleonora Ziller, participaram da mesa da solenidade.

Dívida eterna

Segundo Conceição Evaristo, a dívida da sociedade brasileira com a população negra é impagável. “Uma política pública de educação pode reparar, mas a dívida é eterna, porque a defasagem é muito grande. Seria preciso mudar o resultado da história. Contudo, nem por isso a comunidade negra vai deixar de buscar e afirmar a necessidade de uma política reparativa, não só com os afrodescendentes, mas com os indígenas também, os verdadeiros donos da terra”, disse a ativista.

Para Noemi Andrade, a UFRJ é um espaço de transformação, e se  antes os negros só entravam nesse espaço enquanto mão de obra, hoje em dia ocupam a academia, e isso deve ocorrer cada vez mais. “Lugar de negro não é nas prisões, nos manicômios, onde nos colocam. É na universidade pública, produzindo conhecimento.”

A Faculdade de Letras da UFRJ onde Conceição Evaristo cursou sua graduação é apontada como um dos espaços mais enegrecidos da universidade. Na concepção da escritora, “isso é um grande avanço, mas, quando falamos de enegrecer o espaço, não podemos esquecer o currículo. Quais são os autores e autoras que estão sendo estudados e sob qual perspectiva? Por exemplo, sempre estudaram Machado de Assis, mas nunca falaram que ele era negro. Então, não é só a presença física, mas o que é valorizado”.

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