O previsto se confirmou na prática: o Período Letivo Excepcional (PLE) terminou em 16 de novembro, mas vários cursos tiveram que adiar o início do 2020.1, no dia 30 de novembro, porque o tempo de recesso foi exíguo para o lançamento de avaliações e notas de todas as disciplinas. Situação que poderá se repetir daqui para frente. 

Em nota divulgada no dia 1º de dezembro, o Sintufrj afirmou: “É necessário que aconteça uma discussão aprofundada sobre a organização e o calendário dos próximos períodos e que a posição dos técnicos-administrativos em educação e estudantes seja levada em consideração”. 

Problemas previstos

Quando o Conselho de Ensino de Graduação (CEG) discutia o calendário acadêmico e o  Conselho Universitário (Consuni) se preparava para aprová-lo, as bancadas técnico-administrativas e estudantis dos dois colegiados se manifestaram apontando que o curto  intervalo proposto pela Reitoria de apenas duas semanas entre o fim do PLE e o início do primeiro período de 2020 (2020.1) iria sobrecarregar os profissionais das secretarias acadêmicas, coordenações e docentes. 

No Consuni, o Sintufrj reforçou a necessidade de ampliação do recesso entre o PLE e 2020.1 visando maior tempo para que os técnicos-administrativos das coordenações e secretarias acadêmicas realizassem seu trabalho de forma adequada, preservando a saúde física e mental, e reivindicou que se levasse em consideração a opinião daqueles servidores. 

Sob pressão  

O período de recesso foi de muito trabalho, mas nem com todo empenho foi impossível realizar todas as tarefas atender todas as demandas antes do início do primeiro período de 2020 (2020.1): lançar notas, abrir e fechar disciplinas, regularizar inscrições, trancar e destrancar matrícula, resolver os problemas de calouros sem acesso ao Sistema de Integrado de Gestão Acadêmica da UFRJ (Siga), atender pedidos de declarações e de históricos, orientar sobre o calendário, entre outras solicitações e necessidades relacionadas a acadêmica. A pressão foi intensa para os trabalhadores dessas áreas.  

Damires França, que é coordenadora técnica do curso de Ciências Sociais, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), alerta para mais um agravante: as Secretarias Acadêmicas sofrem com falta crônica de pessoal, problema que foi acentuado com a pandemia da Covid-19 e pelas dificuldades de adaptação de alguns servidores às novas tecnologias – ou pela falta de equipamentos necessários para a realização do trabalho.

 A sobrecarga de trabalho e a redução das equipes obrigaram que coordenadores de cursos, como Damires, assumissem responsabilidades que não eram deles e cumprissem extensas jornadas. “Até as coisas se acertarem demorou muito e o tempo todo teve problemas. O trabalho nas secretarias foi intenso, porque só tínhamos duas semanas (entre os períodos) para fazer tudo. Muitas vezes, nem professores conseguiam lançar  notas”, disse a servidora. 

Máquina complexa

“Desde o PLE tem sido muito trabalho. A Resolução do Consuni saiu e as unidades tiveram que formar um Grupo de Trabalho para definir, num período muito curto, quais os alunos inscritos pelas secretarias acadêmicas partilhariam do PLE. Muita discussão e tensão. Logo depois veio o planejamento para 2020.1”, elencou a técnica em assuntos educacionais do Instituto de Psicologia, Monica Teixeira Vairo, que há sete anos atua na Secretaria Acadêmica da unidade. 

Monica Teixeira Vairo, atuante na secretaria acadêmica do Instituto de Psicologia.

“A secretaria acadêmica é uma máquina complicada, mas quem está de fora não sabe. São muitos alunos para três ou quatro funcionários que trabalham de forma remota, mas  com a excelência e a qualidade que as tarefas exigem”, afirmou Mônica.

Segundo Mônica, a coordenação tem apoiado os profissionais da área arregaçando as mangas junto com eles quando o trabalho se avoluma. Ela também aponta como um dos  problemas graves do setor, independente de pandemia, a limitação de equipamentos e o reduzido número de servidores para atender toda demanda. Principalmente agora, quando muitos estão de licença médica. 

Sobrecarregados

“São muitas as dificuldades. Uma delas porque trabalhamos com um reduzido número de servidores. Tem gente que se aposentou e até hoje não recebemos ninguém para o seu lugar. Assim como a secretaria acadêmica, a coordenação também tem um trabalho dinâmico, e com essa proximidade dos períodos o setor ficou sobrecarregado”, observou Roberta Alfradique, da Coordenação da Direção Adjunta de Graduação do IFCS.

Roberta Alfradique, da Coordenação da Direção Adjunta de Graduação do IFCS.

De acordo com a técnica-administrativa, sem atendimento presencial, o que muitas vezes poderia ser resolvido rapidamente tem que ser encaminhado por e-mail, o que exige mais elaboração e mais tempo. Isso ocorre em meio a tantas outras tarefas a serem desempenhadas. Para piorar, disse ela, ainda há as dificuldades por conta de alguns servidores não saberem lidar com as mudanças tecnológicas. “A gente está no limite”, disse ela, explicando que, por vezes, limitações do sistema de informação acadêmica acabam atrasando o andamento de atividades. “Isso contribui negativamente, mas a questão da falta de pessoal e sobreposição dos períodos foi bem complicada. É pouquíssimo tempo para muita coisa”, concluiu. 

Dura realidade

As dificuldades inerentes ao atendimento remoto e os períodos colados pioraram a situação, mas, segundo Anna Lúcia Braga Salles, chefe da secretaria acadêmica da graduação do Instituto de Economia, “só piorou o que já vem sendo muito ruim. Essa é a dura realidade”.

“O problema”, avalia, “não é especificamente do PLE ou do período 2020.1 remoto, mas da secretaria acadêmica, um setor importante ligado à atividade fim (o atendimento ao aluno), porém desprestigiado. Inclusive com a falta de servidores qualificados e de equipamentos adequados às atividades remotas”. 

“No PLE a situação piorou com a sobrecarga de trabalho. Muito do que se fazia (em modo presencial) é preciso agora responder por e-mail. Eu respondo mais de 200 e-mails por dia”, contabiliza a experiente técnica-administrativa, enumerando outras tarefas que se tornaram mais complexas pela nova realidade de trabalho imposta pela pandemia. “Em contrapartida”, acrescenta, “nunca somos ouvidos. E nem mesmo as resoluções são enviadas diretamente para as secretarias que lidam, por vezes, com instruções pouco claras”.

Anna completou 30 anos de casa em março, pode se aposentar, mas continua trabalhando por respeito aos alunos da UFRJ. Mas está cansada com o desprestígio das secretarias acadêmica: “Posso dizer que hoje estamos entre os servidores que, junto com o pessoal da saúde, mais trabalha na UFRJ”, observou.

 

 

A campanha “O Brasil precisa do SUS” teve seu ato de lançamento on-line nesta terça-feira, 15, promovido pela Frente pela Vida e com a participação de representantes das diversas entidades que a compõe: da sociedade civil; da saúde, ciência, tecnologia e inovação; comunicação; educação; de políticas públicas; Fórum das Centrais Sindicais, entre outras áreas.

O objetivo da campanha é mobilizar a sociedade para a importância da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e de chamar a atenção para os riscos que a saúde pública universalizada e gratuita está correndo. O lançamento foi também um ato político que foi transmitido pelo YouTube no canal da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Ato

Durante o evento, representantes da Frente pela Vida entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a “Carta ao Povo Brasileiro” e a Petição Pública do Conselho Nacional de Saúde (CNS) “O SUS merece mais em 2021”. O abaixo-assinado já conta com mais de 560 mil assinaturas.

A carta denuncia a política genocida do presidente Jair Bolsonaro e reivindica vacinação para toda a população, e a Petição Pública solicita a aprovação da continuidade do orçamento no próximo ano. A petição também pede a revogação da Emenda Constitucional 95/2016, que congelou os investimentos em saúde e demais áreas sociais até 2036.

Para 2021 os valores do orçamento são menores dos que os de 2020 – menos de 40 bilhões de reais. Segundo a Frente, os sucessivos ataques ao SUS vêm se intensificando, como a recente publicação do decreto número 10.530 que leva a intenção de privatizar as Unidades Básicas de Saúde (USD) de todo o Brasil. 

O SUS brasileiro é um sistema de saúde singular no mundo, criado para atender gratuitamente toda a população do país. O que a Frente pela Vida está empreendendo é uma grande luta pela valorização e defesa do mais democrático programa de cobertura universal de saúde do continente que vem sendo sufocado pela asfixia de recursos. A maioria dos brasileiros, 75%, depende exclusivamente do SUS. 

“O SUS representa um patrimônio grande de direitos que se soma a outras políticas públicas”, pontuou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), no evento online.

Carta 

“No país, a Covid-19 mata mais pessoas negras, pobres e se dissemina rapidamente entre trabalhadores de serviços essenciais e informais, assim como entre populações vulnerabilizadas. A desigualdade social e a desvalorização da vida serviram de terreno fértil para o vírus”, diz o texto da carta.

E continua: “Ações relevantes de enfrentamento que deveriam ter sido lideradas pelo governo federal foram sabotadas pelo presidente Jair Bolsonaro. A ausência de coordenação nacional, testes armazenados em uso e recursos financeiros retidos são alguns exemplos. Essa desorientação propositada tem alimentado as mais altas taxas de mortalidade e letalidade da Covid-19 nas Américas, só comparáveis às dos Estados Unidos, Peru e Chile.

“A saúde do Brasil precisa do SUS. A economia do Brasil precisa do SUS. O povo brasileiro precisa do SUS forte, público, integral e universal. Defender o SUS é defender a vida. Junte-se a esta campanha. Vacina para todas e todos! O Brasil precisa do SUS”, finaliza o documento.

Frente pela Vida 

Motivadas pela necessidade de propor ações efetivas em resposta à pandemia da Covid-19 essas entidades formaram a Frente pela Vida:

Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes); Conselho Nacional de Saúde (CNS); Associação Rede Unida; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); e Sociedade Brasileira de Bioética (SSB).

 

 

Os números são referentes a 2019 e ainda não refletem a crise provocada pela pandemia de Covid-19

Matéria retirada do site da Carta Capital.

O Brasil perdeu cinco posições no ranking global feito anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU). Os números divulgados nesta terça-feira 15 são referentes a 2019 e ainda não refletem a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

O índice mede, de forma resumida, o progresso de 189 países em três indicadores: renda, educação e saúde. Atualmente, o Brasil ocupa a 84ª posição.

Em comparação com 2014, ano de referência usado pela ONU, o País caiu duas posições, mas viu o índice passar de 0,756 para 0,765. O Brasil mantém-se na categoria “Alto Desenvolvimento Humano”.

A expectativa de vida teve um leve aumento, passando de 75,7 no ano anterior para 75,9 neste ano.

Na área de educação, o ranking considera que os brasileiros devem ficar 15,4 anos na escola. A realidade, no entanto, é outra. Na média, o tempo de estudo no País é de 8 anos — 0,2 a mais que no ano anterior.

O rendimento nacional bruto per capita, que mede o grau de desenvolvimento econômico de um país, foi de US$ 14.263 em 2019, uma melhora em relação ao número de 2018, de US$ 14.068.

Desigualdade de gênero

No Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que compara dados de direitos reprodutivos, empoderamento e mercado de trabalho dos homens e das mulheres, o Brasil perdeu seis posições e passou a ocupar o 95ª lugar entre os 189 países do ranking.

Mercado de trabalho: Cerca de 54,2% das mulheres acima de 15 anos estão inseridas no mercado de trabalho. Entre os homens, esse número sobe para 74,1%. As mulheres ocupam apenas 15% das cadeiras do Parlamento.

Educação: 61,6% das mulheres acima de 25 anos têm algum grau de educação secundária. O índice é menor entre os homens: 58,3%.

América do Sul 

O Brasil ocupa o 6º lugar no ranking do IDH dos países da América do Sul. O Chile ocupa a primeira posição, com IDH de 0.851. Em relação aos demais países do mundo, o Chile manteve o 43º lugar. A Argentina também manteve sua posição (46º). Veja o ranking dos 10 melhores colocados:

  1. Chile – 0.851 (43º no mundo)
  2. Argentina – 0.845 (46º no mundo)
  3. Uruguai – 0.817 (55º no mundo)
  4. Peru – 0.777 (79º no mundo)
  5. Colômbia – 0.767 (83º no mundo)
  6. Brasil – 0.765 (84º no mundo)
  7. Equador – 0.759 (86º no mundo)
  8. Paraguai – 0.728 (103º no mundo)
  9. Bolívia – 0.718 (107º no mundo)
  10. Venezuela – 0.711 (113º no mundo)
PESSOAS CAMINHAM EM RUA COM ÁGUA DE ESGOTO DE GUARÁ, A 20 KM DE BRASÍLIA. (FOTO: EVARISTO SÁ/AFP)

 

 

 

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