Copa América no BR: jornais argentinos citam desespero de Bolsonaro por popularidade

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“A oferta do Brasil como sede ocorre no pior momento de popularidade do presidente”, diz órgão da imprensa local

A Conmebol anunciou, nesta segunda-feira (31), que a Copa América vai ser realizada no Brasil. Ao fazer o anúncio, a entidade agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Com o país vivendo o colapso de seu sistema de saúde por conta da pandemia de coronavírus e com mais de 462 mil mortos pela doença, houve um choque em relação ao anúncio.

Antes, o torneio seria realizado na Colômbia e na Argentina. Porém, em 20 de maio, a Colômbia pediu para que a competição fosse adiada por conta da instabilidade no local, que passa por protestos. Mesmo com o pedido, a Conmebol decidiu excluir o país, e o campeonato continuaria a acontecer somente na Argentina.

No entanto, o governo argentino disse, no último domingo (30), que o evento estaria prejudicado na região, por conta do agravamento da pandemia. Sendo assim, até a manhã desta segunda, não existia uma nova sede. Porém, a Conmebol pediu que o campeonato fosse realizado no Brasil à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que conseguiu a autorização do governo Bolsonaro.

Na Argentina, a imprensa local comentou o ocorrido. O jornal Olé, por exemplo, questionou se Manaus iria sediar a Copa América mesmo com a variante da região, que preocupa as autoridades científicas por todo o mundo.

Já o Télam afirmou que a realização da competição no Brasil traz um alerta para uma terceira onda ainda mais letal. Sobre o presidente, o jornal diz: “A oferta do Brasil como sede alternativa ocorre no pior momento de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que no sábado recebeu as mais importantes manifestações contra ele desde o início da pandemia, exigindo sua renúncia ou impeachment”.


Agência de notícias argentina repercute a decisão de se realizar a Copa América 2021 no Brasil / Reprodução

O Página 12 disse que existem motivos para a decisão rápida pelo Brasil como sede: “Por um lado, a necessidade de não perder o faturamento dos direitos televisivos do concurso, que já haviam sido vendidos em 2020, sem a chance de oferecer nada em troca. De outro, o fato de ter todas as estrelas que brilham na Europa no continente, sem competições com suas equipes”.

Edição: Vinícius Segalla

 

Reprodução de tela do jornal Página 12, com reportagem sobre a realização da Copa América no Brasil – Reprodução

 

 

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