“Futuros possíveis” é a proposta da segunda edição do Festival do Conhecimento da UFRJ

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Ato político em defesa da universidade pública e da autonomia universitária, e contra os ataques do governo negacionista à ciência e da cultura marcaram a abertura da segunda edição do Festival de Conhecimento da UFRJ, nesta segunda-feira, 12, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Pró-Reitoria de Extensão: https://bit.ly/pr5ufrj e pelo da UFRJ: https://www.youtube.com/user/WebTVUFRJ

O evento reuniu dirigentes da UFRJ e de outras universidades do país e do exterior, Sintufrj, entre outras entidades representativas dos segmentos da comunidade universitária local e nacional, e a Secretaria de Cultura do Município Rio de Janeiro. As manifestações foram de desagravo à forma perversa como uma das mais importantes instituições de ensino do país está sendo tratada pelo governo de Jair Bolsonaro. 

“Com o próprio futuro das instituições públicas de ensino superior ameaçado por cortes orçamentários crescentes, o Festival do Conhecimento é também um ato de resistência e de defesa da UFRJ”, destacaram os organizadores do festival, cujo tema escolhido tem tudo a ver com o momento atual: “Futuros possíveis”.

Programação

O Festival do Conhecimento vai até o dia 16 com uma múltipla  programação virtual: 500 atividades ao vivo e 700 gravadas, com participações de cientistas, lideranças sindicais e dos movimentos populares e artistas, entre outros convidados, para pensar o presente e o futuro e discutir temas tais como, inteligência artificial, cidades sustentáveis, afrofuturismo, diversidade, vacinas e o mundo do trabalho pós a Covid-19. A expectativa é atrair 30 mil participantes..

Ato político

“Precisamos cada vez mais nos colocarmos em defesa da democracia nas nossas instituições e no país, pela liberdade de expressão, de pensamento e de ideias”, afirmou a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho. Segundo a dirigente, as universidades juntas ofereceram, na pandemia, mais de 2.200 leitos extras (na UFRJ foram 150, com o atendimento de 1.500 pacientes ou mais). “É possível que tenha chegado a 50 mil pessoas atendidas nas universidades, o que quer dizer que essas instituições  salvaram muitas vidas. Não existe país desenvolvido sem universidade”, complementou.

O festival é o maior evento virtual realizado pela UFRJ e a organização é da Pró-Reitoria de Extensão. “Não é um festival, mas um ato em defesa da universidade pública, da ciência, da cultura. Um ato político e acadêmico. O país está derretendo e as universidades públicas é um lugar de resistência do Estado. E espero que, neste momento de reconstrução, em possamos estar todos juntos”, disse a pró-reitora Ivana Bentes. 

A superintendente de Integração e Articulação da Pró-Reitoria de Extensão, Bárbara Tavela, falou do trabalho de toda a equipe. “Embora a Pró-Reitoria de Extensão já estivesse acostumada com os grandes eventos presenciais da UFRJ, se reinventou com a pandemia criando o Festival de 2020 e esta segunda edição, com a participação de toda a equipe formada essencialmente por  técnicos-administrativos, juntos e separados”.  

“Nada se conecta mais com a sociedade do que um grande evento como esse”, prosseguiu Bárbara, explicando que, também foi  importante as propostas enviadas pela categoria. “Vocês vão ter a possibilidade de conhecer o trabalho de inúmeros técnico-administrativos da UFRJ das diversas áreas durante o festival, e também de grandes nomes da ciência, da tecnologia e da pesquisa”, informou.

Futuros possíveis

Parta a coordenadora do Sintufrj, Damires França, “só a universidade pública pode promover a reflexão e o debate sobre alternativas para um futuro mais sólido e sustentável para todos, pautado nos direitos das diferenças. E o futuro passa por uma ação contra hegemônica, contra quem explora, oprime e promove  genocídio no país”.

A presidente da Adufrj, Eleonora Ziller, apontou que pensar o futuro é a única forma de transformar o presente – “talvez essa seja a tarefa mais importante e um compromisso inarredável”. Ela lembrou momentos da história como quando professores e técnico-administrativos estiveram em Brasília, em 1988, “escrevendo com sua luta a Constituição Cidadã” e garantindo na Carta Magna a importância de uma universidade autônoma e comprometida socialmente.

O secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Marcos Faustini, avalia que há uma guerra instalada no Brasil contra o conhecimento, contra a vida, contra a cultura. “Um festival como esse tem a capacidade de articular nossos saberes. O conhecimento produzido nas universidades nos ajuda a deixar a cultura mais democrática”, afirmou.

Para Sandra Goulart, reitora da UFMG, o momento é de ataques e o festival é de fato um ato de resistência relevante pata todas as instituições; Ela citou uma frase de Darcy Ribeiro ilustrar a  realidade brasileira atual: “Nenhuma sociedade pode viver sem a universidade”, e concluiu que “a crise da educação não era crise, mas um projeto político”.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Siperior (Andifes), Edward Madureira, destacou que é inquestionável o protagonismo das universidades neste um ano e meio de pandemia, inclusive com o reconhecimento e o respeito da sociedade como sendo agentes decisivos no marco civilizatório. Apesar de apontadas como  lugar de balbúrdia e antro de drogas. “Mas isso não colou”, disse ele. “Talvez a gente não tenha a dimensão da força que é essa rede de 69 universidades federais, mais 38 institutos federais, dois Cefets e o Colégio Pedro II, que, sem dívida, têm obrigação de conceber m projeto de Nação”, acrescentou.

O reitor da UERJ, Ricardo Lodi, apontou os ataques à autonomia das instituições com as interferências do governo na escolha de reitores e com os contingenciamentos arbitrários. “Por isso esse evento é tão necessário”, frisou.

“Talvez nunca na história de nossas instituições a importância da Extensão ficou tão nítida como o principal caminho de nos aproximarmos, cada vez mais, da sociedade”, observou o professor Antônio José Meireles, da Universidade de Campinas.

Rodrigo Arim, reitor da Universidad de la República (Uruguay), abordou o cenário desafiador no Brasil e de outras regiões, e sustentou que as instituições devem ser autônomas, porque são imprescindíveis para um melhor futuro para todos, e de qualidade e gratuitas, pois são instrumentos democratização.

O pró-reitor de Patrimônio, Desenvolvimento e Fianças da UFRJ, Eduardo Raupp, lembrou das restrições impostas à universidade pelo governo federal, acrescentando, porém, que “há resiliência para resistir aos ataques e ousadia para desafiar quem quer calar a universidade”.

 

 

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