A primeira assembleia simult√Ęnea do Sintufrj ‚Äď participaram trabalhadores de tr√™s campi: Fund√£o, Praia Vermelha e Maca√© –, realizada nesta quarta-feira, 18, aprovou, por ampla maioria, o indicativo de greve unificada na educa√ß√£o federal.

Esta decisão será levada pelos delegados eleitos na assembleia à plenária nacional da Fasubra, nos dias 3, 4 e 5 de junho, em Brasília.

A categoria tamb√©m deliberou por dar continuidade √†s reuni√Ķes por locais de trabalho. Essas reuni√Ķes, iniciadas h√° duas semanas, reuniram cerca de 230 t√©cnicos-administrativos.

Uma nova assembleia foi marcada para 8 de junho, uma quarta-feira, após a plenária da Federação, para deliberar acerca de novos encaminhamentos sobre a campanha salarial.

Mais detalhes desta assembleia na edição 1372 do Jornal do Sintufrj que  que será postado na sexta-feira à noite nas mídias da entidade. Edição impressa na segunda-feira (23).

VOTA√á√ÉO NO CT. Audit√≥rio do Bloco A do Centro de Tecnologia foi um dos tr√™s locais da assembleia simult√Ęnea realizada nesta quarta-feira

 

Servidores realizarão atos em todo o país nesta quinta-feira, 19

Reajuste, j√°! √© a palavra de ordem da nova Agenda de Lutas da campanha salarial dos servidores p√ļblicos federais. O governo insiste em n√£o negociar com os trabalhadores e segue com an√ļncios via m√≠dia sobre a sua proposta de m√≠seros 5% linear para todo o funcionalismo e ou propostas diferenciadas para categorias espec√≠ficas, divulgando ainda que sua decis√£o dever√° ser oficializada at√© o fim desse m√™s de maio.¬†

Quinta-feira, 19, √© Dia Nacional de Mobiliza√ß√£o pelo Reajuste Salarial. Atos em defesa do Reajuste J√°! ser√£o realizados em todo o Brasil. Diante da falta de di√°logo, os servidores seguem ampliando a press√£o por negocia√ß√Ķes e uma reposi√ß√£o emergencial justa para todo o funcionalismo. N√£o d√° para conviver com o aumento da infla√ß√£o e do custo de vida, a falta de investimentos no setor p√ļblico, o congelamento e o arrocho salarial impostos por esse governo.

Por isso, o Fonasefe (F√≥rum das Entidades Nacionais dos Servidores P√ļblicos Federais), do qual a Fasubra, nossa federa√ß√£o, paz parte, joga peso para intensificar a mobiliza√ß√£o pela abertura imediata de negocia√ß√£o salarial. A agenda est√° pegando fogo com ato nacional dia 19 de maio, reuni√£o ampliada da educa√ß√£o federal dia 21 de maio e novo #OcupaBras√≠lia dias 31de maio e 1¬ļ de junho.¬†

Sem garantias

Um poss√≠vel reajuste de 5% que seria a partir de 1¬ļ julho, √© o que vem sendo veiculado pelo governo na imprensa. E caso isso se oficialize, o √≠ndice n√£o superaria nem a infla√ß√£o do ano de 2022 — que tem uma estimativa m√©dia de 7,65%. Muito menos a nossa perda acumulada destes √ļltimos anos (19,99%). O prazo final para concess√£o de qualquer aumento de despesa com pessoal por for√ßa da legisla√ß√£o se encerra dia 4 de julho.

Nos √ļltimos dias, rumores voltaram a circular de que o governo Bolsonaro est√° debatendo a possibilidade de enviar ao Congresso Nacional¬†propostas diferenciadas para categorias espec√≠ficas ‚Äúinsatisfeitas‚ÄĚ. A decis√£o, ainda segundo informa√ß√Ķes vindas da imprensa, seria divulgada por Bolsonaro at√© o dia¬†22 de maio ‚Äúpara ter seguran√ßa jur√≠dica‚ÄĚ.¬†

A t√°tica de Bolsonaro vem sendo a de empurrar a crise com o funcionalismo enquanto seu governo ganha tempo usando a m√≠dia para testar a rea√ß√£o dos servidores a propostas que v√£o sendo ventiladas sem nenhum respaldo formal.¬†Um “b√īnus” de R$ 400 nos tickets alimenta√ß√£o foi outra possibilidade jogada na m√≠dia. Bolsonaro pode tamb√©m n√£o dar nada, mesmo precisando de votos para a elei√ß√£o de outubro. Deste governo pode-se esperar tudo!

Mobilização cresce enquanto o governo se recusa em negociar

Os servidores do Banco Central chegaram a suspender a paralisação na tentativa de diálogo com o governo, mas o silêncio permaneceu e, no dia 3 de maio, voltaram ao estado de greve por tempo indeterminado. Os companheiros do INSS e do Ministério do Trabalho e Previdência também seguem em greve. 

Na segunda-feira, 16, o Sinasefe (Servidores Federais da Educa√ß√£o B√°sica, Profissional e Tecnol√≥gica deflagou greve e instalou, em Bras√≠lia, o Comando Nacional do movimento. Servidores do IFBA, IFMG, IFPE e do IF Sul-RS est√£o paralisando suas atividades ap√≥s aprova√ß√£o em assembleias de base. Al√©m das greves j√° iniciadas, diversas categorias est√£o participando das mobiliza√ß√Ķes pelo reajuste.

Reunião ampliada debaterá Greve Unificada da Educação 

Entidades Nacionais da Educa√ß√£o ‚Äď Fasubra Sindical, Andes-SN e Sinasefe ‚Äď realizar√£o no dia 21 de maio, a partir das 14h, Reuni√£o Ampliada Unificada da Educa√ß√£o. O objetivo √© consolidar o chamamento da Greve da Educa√ß√£o de forma unificada e articular a constru√ß√£o de uma pauta de reivindica√ß√Ķes da Educa√ß√£o Federal. O governo insiste em n√£o negociar com as categorias e a mobiliza√ß√£o ser√° intensificada.¬†

A reunião ocorrerá de modo híbrido, virtual pelo Zoom e presencial em Brasília-DF, no San Marco Hotel. Para acompanhar a reunião virtualmente, acesse o link no dia 21/5, a partir das 13h30min: https://us02web.zoom.us/j/83627390866?pwd=MmRzbUN6RXpoZURKWDFzZnY1aFBCdz09

Bolsonaro deu 69% para si mesmo e ministros (*)

Há exatamente um ano, neste mesmo mês de maio, o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros passaram a receber salários com um aumento de até 69%. O reajuste foi dado pelo próprio Bolsonaro por meio de uma portaria editada em abril de 2021 e, em maio, a diferença salarial já havia sido implantada. A mudança permitiu que o presidente, o vice-presidente, Hamilton Mourão, ministros e assessores passassem a receber acima do teto constitucional de R$ 39,2 mil. Na prática, o teto total para essas pessoas passou a ser de R$ 78.586,64 por mês.

Antes da medida, Bolsonaro recebia R$ 30,9 mil pela função de presidente e mais R$ 10,7 mil em outros benefícios. Mas o seu salário final tinha um corte de R$ 2.300 para que o teto fosse obedecido. Com a norma aplicada no ano passado, a remuneração bruta do presidente passou de R$ 39,3 mil para R$ 41,6 mil. Já o general da reserva, Hamilton Mourão, passou a receber R$ 63,5 mil, diferença de 62%. Entre os ministros militares, o maior salto no salário foi o do então chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. A sua remuneração passou a ser de R$ 66,4 mil, em uma alta de 69%.

Mas al√©m do aumento salarial, Jair Bolsonaro coleciona regalias de um milion√°rio. Apenas entre os √ļltimos dias 1¬ļ de abril e 5 de maio, a conta do seu cart√£o corporativo foi de R$ 4,2 milh√Ķes.

*Sindsep-PE

 

O N√ļcleo de Enfrentamento e Estudos em Doen√ßas Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier) da UFRJ, emitiu nota no dia 12 de maio avaliando que, diante do atual cen√°rio da pandemia, com novo aumento de casos positivos diagnosticados no Centro de Triagem e Diagn√≥stico (CTD) da universidade, envolvendo principalmente estudantes, √© importante alertar a comunidade universit√°ria para a necessidade do uso adequado de m√°scaras em ambientes fechados e em situa√ß√Ķes de aglomera√ß√£o.

‚ÄúTemos constatado, repetidamente, que esta norma n√£o est√° sendo seguida, sendo ainda mais preocupante nas atividades de salas de aulas e nos eventos festivos, resultando em situa√ß√Ķes de maior risco de transmiss√£o, desnecessariamente‚ÄĚ, diz a nota do Needier.

Segundo a Coordena√ß√£o de Comunica√ß√£o da UFRJ, durante o m√™s de mar√ßo e at√© meados de abril, nos casos testados na UFRJ, a taxa de positividade estava abaixo de 5%, configurando uma zona de relativo conforto. Mas, isso mudou recentemente, saltando para 20% na √ļltima semana, conforme apontou o CTD.

‚ÄúFazemos um apelo para que todo o corpo social¬†leia as recomenda√ß√Ķes¬†(as diretrizes para o retorno presencial pleno na UFRJ) e evite se aglomerar sem m√°scaras, o que acontece principalmente em eventos festivos. √Č lastim√°vel que estejamos vendo um aumento no n√ļmero de casos de positividade ap√≥s eventos de aglomera√ß√£o, mesmo em ambiente aberto sem o uso de m√°scara. Por favor, se cuidem e cuidem dos outros‚ÄĚ, ponderou a reitora lembrando que a n√£o obrigatoriedade do uso de m√°scara em ambiente aberto s√≥ √© v√°lida com distanciamento interpessoal.

GT apoia alerta

O coordenador do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19 (GT-Coronavírus), o epidemiologista  Roberto Medronho, informou que o GT (que se reuniu no dia 12 de maio) apoia a iniciativa do CTD/Needier.

‚ÄúFelizmente n√£o h√° relatos de casos graves, pelo menos at√© o momento. Mas diante disso e para preservar a sa√ļde da comunidade, houve o alerta por parte da Reitoria com que n√≥s concordamos‚ÄĚ, disse Medronho.¬†

De acordo com o especialista, o aumento de casos ocorre em v√°rios lugares do mundo, pois t√™m surgido novas subvariantes do v√≠rus. ‚ÄúFelizmente nossa cobertura vacinal em v√°rios munic√≠pios do estado √© elevada e n√£o chegaram relatos de casos graves entre alunos e funcion√°rios da UFRJ. Isso √© animador‚ÄĚ, observou, acrescentando que com a vacina, a comunidade est√° ‚Äúmuito bem protegida, felizmente‚ÄĚ.

Quase todo mundo vacinado

Na sess√£o do Conselho Universit√°rio de 12 de maio, a reitora divulgou os resultados de uma pesquisa feita, atrav√©s de question√°rio digital, sobre a vacina√ß√£o na comunidade universit√°ria: 99,7% est√£o vacinadas com duas doses e 70% com as tr√™s doses. Denise Pires tamb√©m destacou a import√Ęncia da dose de refor√ßo para que a prote√ß√£o contra a covid-19 seja completa.¬†

Para o epidemiologista Roberto Medronho os dados da pesquisa sugerem um baixo √≠ndice de negacionismo e de posi√ß√Ķes contra a vacina na UFRJ: ‚ÄúO que nos deixa muito orgulhosos, j√° que somos a maior institui√ß√£o p√ļblica do pa√≠s. Uma das nossas miss√Ķes mais nobres, al√©m de formar cidad√£os, √© produzir e difundir conhecimento e seria um paradoxo se tiv√©ssemos um n√ļmero grande de negacionistas em nossa comunidade‚ÄĚ.¬†

Tamb√©m para Medronho a forma de termos a vacina√ß√£o completa √© tomar a dose de refor√ßo, que √© a terceira dose, e, no caso dos idosos, a quarta dose. ‚ÄúJ√° estamos considerando que a vacina√ß√£o completa n√£o √© mais de quem tomou a segunda dose. O indiv√≠duo com vacina√ß√£o completa √© aquele que tomou todas as doses para sua faixa et√°ria (ou condi√ß√£o de sa√ļde)‚ÄĚ, explicou.

Segundo o coordenador do GT Coronavírus, a adesão à máscara na UFRJ tem sido boa, embora não seja cem por cento. 

Cultura deve mudar

Mas, ele alerta que, como as pessoas voltaram a se aglomerar, h√° v√°rias viroses circulando, embora, felizmente, sem impacto nos servi√ßos de sa√ļde. ‚ÄúEssa volta ao normal favorece a dissemina√ß√£o de doen√ßas infecciosas, especialmente infec√ß√Ķes respirat√≥rias. Temos visto muitos casos, em crian√ßas e adultos, mas felizmente s√£o casos que se recuperam r√°pido‚ÄĚ.

Orientação

A recomendação do especialista aos servidores e demais integrantes da comunidade da UFRJ é, neste momento da pandemia, em caso de suspeita de infecção respiratória, comunicar à chefa ou à coordenação de curso, se afastar e fazer o teste no CTD. E usar máscara para proteção, hábito ele espera todos incorporem no dia a dia.

Muitos sintomas, como espirros ou coriza podem ser só de uma alergia. Um sinal muito sensível de infecção é a febre, mesmo a febrícula (acima de  37,5 grau). Neste caso, é preciso tomar mais precaução, procurar uma unidade médica e o CTD.

 

 

O 19o Congresso Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), realizado de 12 a 15 de maio, em Recife (PE), deliberou como tarefa principal construir um projeto pol√≠tico para o povo negro no Brasil. O movimento pretende tamb√©m ser referenciado como principal institui√ß√£o representativa do povo negro e quer consolidar sua a√ß√£o em todas as inst√Ęncias onde existam militantes.

‚Äú√Č crescer e construir‚ÄĚ, afirma Noemi de Andrade, coordenadora do Sintufrj e delegada ao evento pelo Departamento de Ra√ßa e G√™nero da entidade. ‚ÄúIsso √© para provar que para o povo preto, o 13 de maio √© dia de luta. Estamos buscando repara√ß√£o por uma aboli√ß√£o que n√£o aconteceu. Nossa luta ainda √© di√°ria contra o racismo excludente‚ÄĚ, complementa.

O Congresso contou com a participação de mais de 300 delegados. 

Fora Bolsonaro!

Al√©m de Noemi, foram delegados pelo Departamento de Ra√ßa e G√™nero do Sintufrj Denise G√≥es e Vitor Matos. Para Denise, que √© coordenadora da C√Ęmara de Pol√≠ticas Raciais da UFRJ, o MNU sai do seu 19¬ļ congresso com uma tarefa fundamental, que √© a derrubada de Bolsonaro.

Noemi ao lado de Denise G√≥es e Vitor Matos, integrantes da C√Ęmara de Pol√≠ticas Raciais da UFRJ

‚ÄúAs pol√≠ticas de Bolsonaro incidem fortemente para a pauperiza√ß√£o da popula√ß√£o negra. O restabelecimento do di√°logo com um governo democr√°tico popular se faz imperioso neste momento, para o avan√ßo de muitas de nossas pautas.‚ÄĚ, avalia.

 

Nova direção  

 

Os participantes reelegeram para a coordenação nacional do MNU, Ieda Leal. Ela é professora, presidente da CUT Goiás, integrante da Secretaria de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). A pauta das mulheres terá prioridade. 

‚ÄúTendo √† frente mais mulher e com a forma√ß√£o da nova coordena√ß√£o, o MNU se coloca como uma organiza√ß√£o que tem a tarefa de dar encaminhamentos a uma extensa pauta tirada no congresso pelas mulheres, que se reunir√£o em um Semin√°rio Nacional de Mulheres em breve, destaca Denise. ‚ÄúCom coordena√ß√Ķes de Juventude, Educa√ß√£o, Forma√ß√£o, Organiza√ß√£o, Comunica√ß√£o, LGBTQIA+, Rela√ß√Ķes Internacionais e tantas outras que perfazem o foco de nossa atua√ß√£o‚ÄĚ, elenca a militante. ‚ÄúO MNU sai deste congresso com as for√ßas renovadas para continuar referendando a luta negra no Brasil‚ÄĚ, conclui.¬†

 

 

O munic√≠pio de Marechal Thaumaturgo, no Acre, a popula√ß√£o chega a pagar R$ 10,553 pelo litro de gasolina. √Č o valor mais alto do pa√≠s

 Publicado: 17 Maio, 2022 Р10h57 | Última modificação: 17 Maio, 2022 Р20h22 Escrito por: Redação CUT | Editado por: Marize Muniz

CUT-RS

 

Projeto é rejeitado por entidades que defendem a educação. CNTE já mobilizou sindicatos para pressionar parlamentares a rejeitar o PL. Ensino domiciliar é retrocesso de 100 anos, afirmam dirigente da entidade

 

 

 

Distribuidoras de combustíveis também recorrem ao Cade contra a venda da refinaria Isaac Sabbá (Reman)

Tiago Pereira Rede Brasil Atual |
Petroleiros afirmam que a Remam está sendo vendida abaixo de seu valor de mercado РJuarez Cavalvanti/Agência Petrobras

A Federa√ß√£o √önica dos Petroleiros (FUP-CUT), a Associa√ß√£o Nacional dos Petroleiros Acionistas Minorit√°rios da Petrobr√°s (Anapetro) e o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) decidiram entrar com recurso no Conselho Administrativo de Defesa Econ√īmica (Cade) contra a privatiza√ß√£o da refinaria Isaac Sabb√° (Reman) da Petrobras, em Manaus (AM).

Na √ļltima quinta-feira (13), a superintend√™ncia-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econ√īmica (Cade) aprovou a venda da Remam para o Grupo Atem. Se o neg√≥cio for conclu√≠do, ser√° a segunda refinaria da Petrobras entregue ao controle do capital privado.

Leia mais: Privatização de refinarias aumentaria gasolina em 19%, diz Observatório Social da Petrobras

Os petroleiros afirmam, em¬†nota, que a decis√£o do Cade ignorou parecer da Ag√™ncia Nacional do Petr√≥leo (ANP) que apontou a necessidade de ‚Äúrem√©dios‚ÄĚ na opera√ß√£o, para evitar concentra√ß√£o de mercado. Da mesma forma, outro relat√≥rio do Tribunal de Contas da Uni√£o (TCU) apontou riscos √† concorr√™ncia no setor.

As companhias Ra√≠zen e Ipiranga tamb√©m questionam o neg√≥cio. As concorrentes apontaram que a privatiza√ß√£o traz riscos de desabastecimento, de pr√°ticas abusivas e de fechamento de mercado. Assim, tanto os petroleiros como as concorrentes entraram com recursos no Cade como ‚Äúterceiros interessados‚ÄĚ no assunto.

Fraude

‚ÄúA venda da Reman √© uma fraude expl√≠cita √† concorr√™ncia; um neg√≥cio realizado abaixo do pre√ßo de mercado e que vai gerar mais um nocivo monop√≥lio regional privado, com¬†preju√≠zos aos consumidores¬†de combust√≠veis da regi√£o‚ÄĚ, afirmou o presidente da Anapetro, M√°rio Dal Zot. Ele destaca que a Reman √© a √ļnica refinaria da regi√£o Norte, respons√°vel pelo abastecimento local.

:: Petrobras para o que e para quem? ::

As companhias Ra√≠zen e Ipiranga tamb√©m questionam o neg√≥cio. As concorrentes apontaram que a privatiza√ß√£o traz riscos de desabastecimento, de pr√°ticas abusivas e de fechamento de mercado. Assim, tanto os petroleiros como as concorrentes entraram com recursos no Cade como ‚Äúterceiros interessados‚ÄĚ no assunto.

 

Documento elaborado por mais de 20 organiza√ß√Ķes tem objetivo de auxiliar na constru√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas

Nara Lacerda Brasil de Fato | S√£o Paulo (SP) |
Encontro do Conselho Nacional Popular LGBTI+ reuniu diversos movimentos Р©Malu Aquino

Reunidos no Encontro do Conselho Nacional Popular LGBTI+, 26 movimentos populares lançaram nesta segunda-feira (16) o Programa Brasil de Todas as Cores. A divulgação ocorreu na véspera do Dia Mundial de Luta Contra a LGBTQIA+fobia, 17 de maio.

O documento re√ļne um diagn√≥stico de pautas relativas aos direitos dessa popula√ß√£o e aponta perspectivas para o fortalecimento de garantias.¬†Longe de ser focado apenas em pautas unicamente ligadas aos grupos LGBTQIA+,¬†traz uma perspectiva social ampla e trata de temas como trabalho, meio ambiente, seguran√ßa, economia, sa√ļde e mais.

‚ÄúN√£o somos s√≥ o campo do g√™nero e da sexualidade. N√≥s somos seres-humanos¬†que demandam educa√ß√£o, sa√ļde e tantas outras pautas de maneira integral. Quer√≠amos firmar isso. Dizer e deixar n√≠tido de qual lugar estamos falando‚ÄĚ, ressalta, Symmy Larrat, presidenTRA (sic) da Associa√ß√£o Brasileira de Gays, L√©sbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Dividido em quatro eixos, o¬†Programa Brasil de Todas as Cores trata de¬†Interseccionalidades, da¬†Pol√≠tica Nacional LGBTQIA+, √Āreas Tem√°ticas e do Legislativo. S√£o bases que¬†abrem espa√ßo para o debate sobre direitos b√°sicos, acesso √† educa√ß√£o, prote√ß√£o e fortalecimento da ci√™ncia e da pesquisa, entre outros.

::Brasil é destaque em subnotificação de mortes e perpetuação de estigmas LGBTQIA+::

O documento vai al√©m e exp√Ķe a necessidade de cria√ß√£o de estruturas, a√ß√Ķes e normas para enfrentamento √† viol√™ncia contra a popula√ß√£o LGBTQIA+. Mais de 70 diretrizes foram elaboradas para nortear a constru√ß√£o de pol√≠ticas.

Symmy Larrat relata o esgotamento de um modelo em que não há nitidez sobre as pautas desses grupos para a população em geral, mesmo entre a parcela que quer se comprometer com  o tema.

‚ÄúQuer√≠amos sinalizar esse conte√ļdo para que houvesse condi√ß√Ķes, inclusive para quem √© parceiro desse pauta, de saber por onde caminha a nossa posi√ß√£o pol√≠tica, por onde caminham as nossas demandas.‚ÄĚ

Segundo ela, a ideia √© orientar n√£o s√≥ o campo popular, mas tamb√©m o poder p√ļblico e outros entes sociais.

‚ÄúQue seja o in√≠cio de um debate coletivo, que n√£o termine, mas que oriente toda a nossa a√ß√£o de luta. Que oriente as nossas bases, mas tamb√©m o conjunto da companheirada que vai assumir tarefas executivas, legislativas, judici√°rias e tantas outras que s√£o importantes para a constru√ß√£o da democracia.‚ÄĚ

Encontro

O Programa Brasil de Todas as Cores foi lançado no segundo dia do Encontro do Conselho Popular LGBTI+. Centenas de pessoas participam do evento, que começou no domingo (15) e termina nesta terça-feira (17), na cidade de São Paulo.

A unidade na luta contra o conservadorismo foi tem predominante, com refor√ßo para a import√Ęncia das elei√ß√Ķes no combate ao bolsonarismo. Representante do Conselho, Leo Ribas, afirma que a organiza√ß√£o representa a resist√™ncia e a urg√™ncia de mudan√ßas.

::LGBTfobia n√£o √© “opini√£o”: saiba como denunciar esse tipo de crime::

‚ÄúO conselho √© o resultado da uni√£o de pessoas, de organiza√ß√Ķes, de coletivos […] para que possamos conseguir trabalhar numa perspectiva interseccional. Para que possamos pautar todas as mazelas e opress√Ķes que vivemos‚ÄĚ, destaca Ribas.

No encerramento do encontro, ser√° realizado o ato cultural 17M: Bolsonaro Nunca Mais. A programa√ß√£o tamb√©m prev√™ uma audi√™ncia p√ļblica sobre o ¬†Dia Mundial¬†de Luta Contra a LGBTQIA+fobia.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

 

 

Alta nos pre√ßos e escassez de alimentos podem levar a aumento da mortalidade infantil e √† falta de tratamentos de sa√ļde

DW DW |
Segundo o Unicef, 13,5 milh√Ķes de crian√ßas com menos de 5 anos de idade sofrem de desnutri√ß√£o severa – KHALED ZIAD / AFP

Um n√ļmero cada vez maior de crian√ßas est√° sob risco de morrer¬†de desnutri√ß√£o severa, enquanto aumentam os pre√ßos dos alimentos e dos tratamentos para combater os efeitos da fome, alertou nesta ter√ßa-feira (17/05) o Fundo das Na√ß√Ķes Unidas para a Inf√Ęncia (Unicef).

Os efeitos da¬†guerra na Ucr√Ęnia, assim como o impacto da¬†pandemia de covid-19¬†e os danos ao meio ambiente, geram uma “crise global¬†em espiral”, alertou a ag√™ncia, em um relat√≥rio intitulado Alerta Infantil.

Segundo o documento, 600 mil crian√ßas correm risco de ficarem sem os chamados tratamentos essenciais de sa√ļde, que seriam embalagens contendo uma pasta alimentar de alta energia com ingredientes que incluem amendoim, √≥leo, a√ß√ļcar e outros nutrientes.

O preço da matéria prima dessas embalagens prontas para consumo, voltadas para deixar mais saudáveis as crianças desnutridas, aumentou 16%. O Unicef poderá precisar de financiamentos adicionais para compensar esse aumento.

Ao mesmo tempo, um n√ļmero maior de crian√ßas corre risco de subnutri√ß√£o, em raz√£o da alta nos pre√ßos globais dos alimentos, impulsionada pela¬†invas√£o russa √† Ucr√Ęnia.

“O mundo se torna rapidamente um barril de p√≥lvora virtual de mortes infantis evit√°veis e de sofrimento de crian√ßas subalimentadas”, afirmou em nota a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell.

“Para milh√Ķes de crian√ßas, todos os anos, essas embalagens de pasta terap√™utica fazem a diferen√ßa entre a vida e a morte. Um aumento de 16% pode parecer gerenci√°vel no contexto do mercado global de alimentos, mas, no final dessa cadeia de abastecimento, est√° uma crian√ßa desesperadamente desnutrida, para quem os riscos n√£o s√£o nada gerenci√°veis”, observou.

Desnutrição severa

Desnutrição severa é a forma mais visível e mortal da subnutrição, acompanhada de períodos repetidos de doenças que comprometem o sistema imunológico das crianças. Isso pode fazer com que doenças comuns que os mais jovens costumam superar com normalidade acabem se tornando mortais.

Atualmente, segundo o Unicef, 13,5 milh√Ķes de crian√ßas com menos de 5 anos de idade sofrem de desnutri√ß√£o severa.

Mesmo antes da guerra, o n√ļmero de crian√ßas que sofrem de subnutri√ß√£o j√° aumentava, com obst√°culos √†s cadeias de abastecimento impostos pelos lockdowns e fechamentos de f√°bricas e portos em raz√£o da pandemia.

Ao menos 2 em cada 3 crianças que estão gravemente desnutridas não têm acesso a alimentos terapêuticos prontos para o consumo, afirma o Unicef.

A agência faz um apelo aos governos para que aumentem substancialmente a ajuda alimentícia, principalmente para as crianças de 23 países considerados de alto risco, assim como os financiamentos destinados a ajuda imediata para crianças.

“Lula √© estadista. Tem capacidade de afirmar a democracia e n√£o temer a luta”, diz Max Alvim

José Eduardo Bernardes 17 de Maio de 2022 às 08:35
Alvim já dirigiu diversos documentários, entre eles Cuba Jazz, que conta a história do gênero na ilha caribenha. РDivulgação

Estreou neste m√™s de maio, o document√°rio¬†O Povo Pode?, do diretor Max Alvim. O longa acompanha a Caravana Lula Pelo Brasil, de 2017, quando o ex-presidente¬†Lula¬†(PT) fez percursos, de √īnibus, por quase todo o pa√≠s, um ano antes da campanha eleitoral que levaria √† presid√™ncia da Rep√ļblica, Jair Bolsonaro (PL).

O filme mescla cenas da¬†caravana que passou pelo nordeste brasileiro, com depoimentos de personagens da regi√£o que, de alguma forma, tiveram suas vidas transformadas por pol√≠ticas p√ļblicas implementadas durante os governos petistas, entre os anos de 2003¬†e 2016.

A princípio, o longa-metragem não teria Lula como personagem principal, mas os eventos que se seguiram à caravana, como a Operação Lava Jato, a prisão do ex-presidente na sede da Polícia Federal em Curitiba, e a anulação das provas colhidas pelo ex-juiz Sergio Moro, mudaram os rumos das filmagens.

‚ÄúAcabou que¬†O Povo Pode?¬†se tornou um documento hist√≥rico do que aconteceu com o¬†Brasil de 2016. E ele faz isso por meio¬†das vozes de trabalhadoras e trabalhadores‚ÄĚ, afirma Max Alvim, diretor do filme.

‚ÄúAqueles mesmos que eu estive l√° atr√°s, em 2017, eu segui filmando, eu segui voltando aqui para o nordeste, encontrando esses personagens e com eles dialogando o que estava acontecendo no Brasil‚ÄĚ, completa.

Com recursos captados via financiamento coletivo e, segundo Alvim, por meio de emendas parlamentares, o filme n√£o visitar√° salas de cinema. A ideia, aponta o diretor, √© que as exibi√ß√Ķes sejam sempre p√ļblicas e abertas a moradores de regi√Ķes carentes do pa√≠s.

‚ÄúA distribui√ß√£o do nosso filme segue um pouco a pr√≥pria l√≥gica que constituiu o conte√ļdo do filme, essa afirma√ß√£o da pot√™ncia do povo. Nesse sentido, a gente tomou a decis√£o de fazer uma distribui√ß√£o heterodoxa que √©: ‚Äúvamos exibir esse filme sempre em pra√ßa p√ļblica, em espa√ßos p√ļblicos, de forma gratuita e, de prefer√™ncia para as popula√ß√Ķes mais vulner√°veis, que nunca t√™m acesso ao cinema‚ÄĚ, diz o diretor.

‚ÄúObviamente, eu n√£o sou contra outros cineastas que exibem os seus filmes em salas de cinema. As salas de cinema s√£o espa√ßos espetaculares para o audiovisual. No entanto, eu sou a favor de uma cultura genuinamente gratuita, genuinamente democr√°tica e na nossa percep√ß√£o, o filme era uma oportunidade de fazer isso‚ÄĚ.

Convidado desta semana do BDF Entrevista, Alvim, que há mais de 30 anos trabalha no audiovisual brasileiro e é diretor de diversos documentários, entre eles Cuba Jazz Рque conta a história do gênero musical em Havana -, também fala sobre a esperança popular com a possível eleição de Lula, o poder do cinema e destaca o clima beligerante que pode marcar esse período eleitoral.

‚ÄúAcho que n√≥s vamos viver, em 2022, essa experi√™ncia de uma sociedade cindida, quebrada, e n√≥s vamos viver isso de forma muito intensa. A minha leitura √© que a elei√ß√£o vai ser muito dura, muito selvagem. Sem d√ļvida, eu me preocupo, inclusive, com a seguran√ßa do ex-presidente Lula nessas andan√ßas‚ÄĚ, afirma.

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Voc√™ lan√ßou, neste m√™s de maio, o document√°rio¬†O Povo Pode?, que intercala cenas da caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste com o depoimento de pessoas da regi√£o, que tiveram a vida, de alguma maneira, transformada pelos anos do PT na presid√™ncia da Rep√ļblica. A tua ideia inicial era produzir uma reportagem sobre a caravana. Onde mudou a chavinha e voc√™ decidiu que o registro valeria um longa-metragem?¬†

Max Alvim: O filme nasceu em 2017, na caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste, vocês se lembram que esta foi a primeira das caravanas, chamada Caravana Lula pelo Brasil, que circulou boa parte do país.

O nosso raciocínio original era fazer um road movie, um filme feito na estrada, que acompanhasse a caravana, mas que não tivesse o olhar especificamente para o presidente Lula. Na época, a gente dizia que o ex-presidente era um estadista de uma estatura tão grande, que não havia necessidade de mais um documentário contando os bastidores da vida do presidente Lula.

A gente falou: e se a gente fizesse diferente, fizesse um filme que olhasse o Brasil atrav√©s do olhar do Lula? O que o Lula v√™ que gera pol√≠tica p√ļblica social, pol√≠tica p√ļblica vocacionada para as popula√ß√Ķes mais vulner√°veis?

Então seguimos acompanhando a caravana, mas sempre observando a população que estava ali, buscando personagens, trabalhadores e trabalhadoras, que pudessem nos contar como eram as suas vidas antes dos governos do presidente Lula e Dilma, e como é que aquilo estava se desenvolvendo, especialmente porque estávamos em 2017 e já tínhamos vivenciado o golpe de 2016.

Só que quando a gente termina as filmagens Рforam 36 dias iniciais de filmagem, 20 com o presidente e mais 16 em que a gente voltou pelo mesmo percurso do presidente, mergulhando na vida desses personagens Рa gente conclui essa etapa e volta para São Paulo.

Para quem não conhece cinema, vale dizer: você filma muitas horas e passa por um processo que a gente chama de decupagem, o processo de assistir o material, para daí sair o roteiro da montagem final do filme.

Em janeiro vem a decis√£o do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4¬™ Regi√£o), condenando o ex-presidente √† pris√£o. E a gente fala: ‚Äúaqui aconteceu uma coisa e n√£o d√° mais para a gente seguir com o document√°rio como a gente tinha a ideia original‚ÄĚ. Era preciso acompanhar os rumos do pa√≠s.

E assim nós seguimos filmando, sempre na expectativa de que o documentário se resolvesse, que na verdade, o país se resolvesse rapidamente, para a gente ter uma conclusão. O presidente Lula foi preso e nós seguimos filmando e aquilo não acabava.

Na sequ√™ncia vieram as elei√ß√Ķes tr√°gicas de 2018, com fake news, todo o discurso de √≥dio que o Bolsonaro trouxe para a elei√ß√£o, com todas as puxadas de tapete que n√≥s brasileiros levamos naquela elei√ß√£o, de v√°rios setores. E seguimos nesse percurso. Eu estive em Curitiba, filmei o presidente l√° na Pol√≠cia Federal, depois a sa√≠da do presidente e assim seguimos at√© 2021.

A data de corte, que a gente realmente falou: “bom, agora temos, digamos, um recorte histórico importante e que se resolve. E foi por volta de junho, julho de 2021, quando sai o resultado do Supremo Tribunal Federal, definido que o ex juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento e desmontando toda a peça, toda a farsa jurídica que se fez contra o ex-presidente.

Então, acabou que O Povo Pode? se tornou um documento histórico do que aconteceu com o Brasil de 2016. E ele faz isso através das vozes de trabalhadoras e trabalhadores. Aqueles mesmos que eu estive lá atrás, em 2017, eu segui filmando, eu segui voltando aqui para o nordeste, encontrando esses personagens e com eles dialogando o que estava acontecendo no Brasil.

Sobre a exibi√ß√£o do filme, a ideia √© que ele fique fora das salas de cinema e seja itinerante, com apresenta√ß√Ķes gratuitas. √Č isso mesmo, Max?¬†

A distribui√ß√£o do nosso filme segue um pouco a pr√≥pria l√≥gica que constituiu o conte√ļdo do filme, essa afirma√ß√£o da pot√™ncia do povo. Nesse sentido, a gente tomou a decis√£o de fazer uma distribui√ß√£o heterodoxa que √©: ‚Äúvamos exibir esse filme sempre em pra√ßa p√ļblica, em espa√ßos p√ļblicos, de forma gratuita e, de prefer√™ncia para as popula√ß√Ķes mais vulner√°veis, que nunca tem acesso ao cinema.

Obviamente, eu não sou contra outros cineastas que exibem os seus filmes em salas de cinema. As salas de cinema são espaços espetaculares para o audiovisual. No entanto, eu sou a favor de uma cultura genuinamente gratuita, genuinamente democrática e na nossa percepção, o filme era uma oportunidade de fazer isso.

Nós lançamos o filme no dia 4 de maio, em São Paulo, dentro de um espaço popular que é o galpão do MST, em São Paulo e, na sequência, saímos em caravana, digamos, inspirados pelo ex-presidente Lula. No dia 7 de maio exibimos ele aqui na comunidade de Brasília Teimosa, em Recife, onde eu estou hoje.

Uma sess√£o linda, em pra√ßa p√ļblica, para algumas centenas de moradores da comunidade. E hoje mesmo eu estou seguindo para S√£o Lu√≠s, aonde a gente vai fazer a exibi√ß√£o no maior quilombo urbano do Brasil e assim seguiremos, de capital em o capital, exibindo o filme.

O mais importante é que, em cada capital que a gente exibe, eu tenho brincado que carrego um saco de pendrives, entrego para as lideranças dos movimentos populares, dos sindicatos, as mais diversas lideranças que existem a depender do local, às vezes é um quilombola, às vezes é um indígena, tanto faz. Eu entrego para eles o pendrive com o filme, para que eles possam ampliar essa distribuição de forma gratuita e generosa com suas comunidades.

Assim, a gente vai, aos pouquinhos, fazendo uma exibi√ß√£o do filme, n√£o a partir das redes sociais, inicialmente, mas a partir de exibi√ß√Ķes realmente presenciais. Porque tamb√©m √© crit√©rio para a gente a ideia de produ√ß√£o, de encontro. A ideia de produ√ß√£o de coletividade, a ideia de produ√ß√£o de comum, de comunidade.

E o cinema tem essa potência, quando a gente exibe isso para uma comunidade, a gente dá a oportunidade para ela de, aproveitando o filme, produzir debate, produzir reflexão e produzir isso que eu estou chamando de encontro. Fazer com que ela se fortaleça através da exibição do filme.

Mais do que o filme, para mim, muito mais importante do que qualquer obra, é a ideia de cidadania, é a ideia de construção de comum, de comunidade.

Voltando um pouquinho para a história que permeia o filme, há um antes e um depois dos governos Lula para o povo do Nordeste, principalmente. Como é que foi acompanhar de perto a caravana do ex-presidente por essas cidades e ouvir a história desses personagens, que retratam um país que viveu um período de grandes mudanças? 

Eu tenho dito que a experiência de fazer O Povo Pode? transformou a minha vida. Eu tenho a sensação de que isso está no filme. Minha grande expectativa é que o filme transforme vidas como transformou a minha.

Por muitos motivos, desde a experi√™ncia de acompanhar, na filmagem, a caravana, que em si, foi uma experi√™ncia incr√≠vel, porque o Lula tem‚Ķeu sempre brincava, na √©poca, que o Lula tem um im√£. Onde ele passa, n√£o s√≥ as pessoas v√£o at√© ele, como todas as c√Ęmeras se voltam para ele.

Eu ficava o tempo todo puxando a orelha do meu diretor de fotografia dizendo para ele: ‚Äún√£o √© ele que eu quero que voc√™ veja‚ÄĚ. Porque toda hora, quando voc√™ v√™, voc√™ j√° est√° no Lula, voc√™ j√° vira a C√Ęmera para ele. Porque ele tem essa coisa magn√©tica.

E ele tem uma coisa muito bonita, que talvez tenha nos ensinado a filmar de outro modo: o Lula é aquele cara que está em uma multidão e ele tem uma capacidade de sempre ver no meio da multidão, a pessoa mais frágil, a pessoa que mais está precisando de um abraço e é nela que ele vai. Isso é uma sensibilidade aguçada nele, é impressionante.

Eu fiquei 20 dias com esse cara, 50 e poucas cidades nós rodamos, e o tempo todo era assim, o tempo todo. O Lula estava lá, observando o mais frágil, então a gente tentou também, de certo modo, nos contaminar dessa lógica, de observar o mais frágil e tentar construir com ele um diálogo para entender que perspectiva essa fragilidade tem, em relação à nossa democracia.

Acima de tudo, acho que quando voc√™ se disp√Ķe¬†a entrar num filme sem ter nada para provar, o faz exclusivamente para ter uma escuta do que est√° acontecendo, voc√™ n√£o est√° saindo de casa com um objetivo de construir um institucional sobre nada, voc√™ est√° saindo de casa com o objetivo de compreender o que est√° acontecendo no pa√≠s, o retorno que se tem dessa experi√™ncia √© muito gratificante.

Porque encontra percep√ß√Ķes, leituras, facetas do Brasil que voc√™ n√£o tem no dia a dia, na tua comunidade, na tua bolha. Isso √© uma li√ß√£o de vida, da gente sair das bolhas,¬†encontrar outras perspectivas, aprender com elas e, acima de tudo, respeitar a diferen√ßa. Tudo o que a gente n√£o v√™ neste governo fascista, com o perd√£o da digress√£o.

Eu tive a oportunidade, inclusive, de cobrir uma caravana do ex-presidente Lula em 2017, na regi√£o sudeste. E como voc√™ falou, havia muita euforia e um sentimento de agradecimento por onde ele passava. Mas tamb√©m, e acho que n√£o foi o caso da caravana do Nordeste, pelo que eu sei de registros, havia um pequeno clima de tens√£o, que acompanhava o percurso. Na caravana pelo Sul do pa√≠s, inclusive, o √īnibus chegou a ser baleado. Voc√™ acha que esse clima beligerante est√° reverberando na nossa sociedade agora e pode chegar nesse elei√ß√£o? A ideia √© que o ex-presidente volte a caminhar pelo pa√≠s.

Eu acho que sim. Eu dizia, já naquela época, que talvez o maior dano do Bolsonaro, não era o Bolsonaro, era o bolsonarismo. Porque a ideia que ele preconiza é uma ideia fundada na desigualdade, fundada na ideia de que eu preciso aniquilar aquilo que é diferente de mim.

Em 2017, como você disse, aqui no Nordeste, durante a caravana, isso foi quase invisível, porque aqui há uma hegemonia do Lula, do carinho do povo pelo Lula. Porque, como você também disse, há um agradecimento, um sentimento de gratidão muito forte do povo nordestino em relação ao que o Lula fez por eles, ao longo dos seus governos, e depois dos seus governos também, através da presidenta Dilma.

Acho que n√≥s vamos viver, em 2022, essa experi√™ncia de uma sociedade cindida, quebrada, √© n√≥s vamos viver isso de forma muito intensa. A minha leitura √© que a elei√ß√£o vai ser muito dura, muito selvagem. Sem d√ļvida, eu me preocupo, inclusive, com a seguran√ßa do ex-presidente Lula nessas andan√ßas.

Mas, eu acho que, acima de tudo, o Lula tem uma capacidade, como estadista, de sempre afirmar a democracia, de n√£o ter medo da luta. E isso √© uma li√ß√£o pra gente. Quando eu o visitei e fui entrevist√°-lo l√° na Pol√≠cia Federal, em Curitiba, quando a gente saiu de dentro da PF, o acampamento que tinha em frente, a Vig√≠lia Lula Livre, as pessoas perguntavam: ‚Äúe a√≠, como est√° o presidente?‚ÄĚ.

E eu dizia: ‚Äúo presidente est√° √≥timo, √© impressionante. Ele est√° √≥timo. Quem est√° mal somos n√≥s, a gente est√° aqui, todo mundo entristecido, todo mundo cabisbaixo, ele est√° l√° dentro lutando como um louco, segue lutando l√° dentro‚ÄĚ.

Ent√£o, o presidente tem essa capacidade de n√£o baixar a cabe√ßa. Est√° claro para ele que, a √ļnica alternativa pro povo brasileiro √© a luta. E isso n√£o √© por acaso, porque o presidente vem da origem que vem. O que eu ouvi aqui no Nordeste, fazendo as entrevistas de todos os trabalhadores e trabalhadoras que eu entrevistei, √© que pela perspectiva de um trabalhador e de uma trabalhadora, n√£o tem espa√ßo para aquela depress√£o que nos paralisa.

L√≥gico que n√≥s podemos ficar tristes, todos n√≥s podemos ficar tristes, mas n√£o aquela tristeza que nos paralisa. Porque, para quem est√° na luta desde que nasceu, n√£o h√° outra alternativa a n√£o ser a luta. E isso √© uma li√ß√£o que eu carrego nesse per√≠odo, tanto do meu conv√≠vio com o ex-presidente, com o meu conv√≠vio com esses personagens lindos que comp√Ķem o document√°rio.

Inclusive, uma dessas personagens, a Vani, que mora numa regi√£o de Pernambuco, conta, junto com os pais, sobre a quest√£o das cisternas, de como o avan√ßo das pol√≠ticas p√ļblicas fizeram diferen√ßa na vida deles. E ela revive uma express√£o do Paulo Freire, ‚Äúesperan√ßar‚ÄĚ. Voc√™ acredita que o momento √© prop√≠cio para a gente voltar a levar bons sentimentos para o pa√≠s? Em um momento de tanto desalento, seja com a pol√≠tica, seja com o rumo que n√≥s, enquanto sociedade, tomamos?¬†

Eu acho que, sem d√ļvida, at√© porque a gente tem, de cara, a possibilidade desta vez, de ter o ex-presidente Lula como um pr√©-candidato √† presid√™ncia. S√≥ isso j√° nos d√° um alento de que a gente est√° de novo no jogo democr√°tico, de lutar por dias melhores.

A Vani faz uso da palavra ‚Äúesperan√ßar‚ÄĚ no contexto de‚Ķela diz: ‚Äú√© preciso esperan√ßar‚ÄĚ. Eu tenho dito o seguinte‚Ķexiste um fil√≥sofo que eu reputo muita import√Ęncia, porque embora ele seja do s√©culo 16, ele repercute hoje de uma maneira muito intensa, nas nossas mentes, que √© o Espinosa, ele diz que a esperan√ßa √© uma paix√£o triste, porque a esperan√ßa √© a ideia de que no amanh√£ voc√™ vai ter aquilo que voc√™ n√£o tem no hoje.

S√≥ que a Vani, muito brilhantemente, busca um verbo do nosso grande educador, Paulo Freire, que √© a ideia de esperan√ßar. Esperan√ßar √© diferente de ter esperan√ßa. Esperan√ßar √© produzir no presente aquilo que se espera para o futuro. Portanto, esperan√ßar √© carregar a vida da luta para conseguir aquilo que a gente merece, aquilo que a gente precisa. √Č um pa√≠s justo e mais igualit√°rio.

Então hoje vejo com muita esperança, a perspectiva que temos nessa eleição, da gente poder através dessa eleição, e através da nossa luta, da luta popular, investir numa ideia de país mais justo. Eu não acredito em céu, sabe José Eduardo. Esse negócio de que: “ah, nós vamos ter um dia, que vai ser um mundo perfeito.

Mas eu acredito na possibilidade das vezes tem um mundo mais justo, menos desigual, menos violento. A gente pode ter algo melhor, a gente pode transformar esse país em algo melhor. Então, é por isso que eu luto e eu acho que é por isso que a gente tem que lutar. Esta aí a base da luta do trabalhador e da trabalhadora brasileira.

O document√°rio, apesar de n√£o ser o g√™nero mais popular, sempre esteve presente na hist√≥ria cinematogr√°fica do Brasil. O Silvio Tendler lotava salas de cinema com suas cinebiografias. Hoje, o g√™nero j√° tem um pouco mais de reconhecimento, tem pr√™mios dedicados e est√°, tamb√©m, em grandes premia√ß√Ķes. Acho que ainda h√° alguma resist√™ncia para a realiza√ß√£o. Como foi o processo de colocar esse filme para rodar?¬†

Eu não sei se eu concordo contigo, que o documentário é um gênero de baixa repercussão, ou reputação. Há uns anos atrás, eu fazia uma consultoria para montagem de uma televisão, e nós fizemos uma pesquisa no Brasil para saber qual era o gênero que o brasileiro mais gostava, quando o tema era educação e cultura. E o gênero que disparadamente ganhou, em primeiro lugar, foi o documentário.

Eu acho que o brasileiro, não só tem tradição em assistir os documentários, como também tem tradição de fazer documentários. Nós temos excelentes documentaristas, jovens documentaristas, inclusive, que produzem material de muito boa qualidade. Eu entendo que você quer dizer que, realmente, é um gênero que, a depender do formato do documentário, pode causar um certo estranhamento.

Mas eu sou documentarista h√° muitos anos, dirigi algumas centenas de document√°rios, vivi a minha vida profissional inteira fazendo document√°rios, sempre tendo condi√ß√Ķes para isso. Esse document√°rio, especialmente, foi um trabalho muito complexo, porque a gente fez quest√£o de fazer ele a partir de um financiamento, que tamb√©m seguisse o racioc√≠nio do p√ļblico.

De que maneira? Em primeiro lugar, através do financiamento coletivo, que a gente fez em parceria com o DCM (Diário do Centro do Mundo) e, em segundo lugar, através de emendas parlamentares, que são recursos legítimos, que a gente tinha ao alcance e que nós tivemos a felicidade de conseguir para subsidiar os custos do documentário.

E por serem emendas parlamentares, a gente refor√ßou mais ainda o car√°ter gratuito e universal da sua distribui√ß√£o. √Č porque, a rigor, um produto audiovisual financiado pelo setor p√ļblico, merece ser distribu√≠do gratuitamente para todo mundo. Ent√£o n√≥s estamos seguindo isso de forma rigorosa. Enfim, eu sou apaixonado por document√°rio. √Č at√© dif√≠cil falar disso porque √© uma cacha√ßa para mim.

Eu passei muitos anos da minha vida, mais de 30 anos como documentarista e acho que essencialmente √© isso. Ele. Ele permite voc√™ fazer um mergulho na realidade. Na minha opini√£o, nunca representativa de toda a realidade. √Č sempre um recorte, nunca √© isenta. N√≥s somos pessoas e, como pessoas, a gente tem opini√Ķes. √Č natural que a gente tenha leituras de mundo.

Mas acima de tudo, são mergulhos que permitem à população e a todos nós, visualizar, enxergar o país por outras facetas. Na minha opinião, isso enriquece muito a experiência de leitura do país. Documentário é tudo de bom.

O povo pode, Max? 

O povo pode muitas coisas, essa é a grande dificuldade, porque eu tenho dito que, o povo pode eleger Hitler, o povo pode eleger Mussolini, o povo pode eleger um governo fascista ou neofascista como esse do Bolsonaro. O povo pode apoiar a criminalidade, não fazendo nada. O povo pode sair na rua e ver gente passando fome e não fazer nada, mas esse mesmo povo também pode tantas outras coisas.

Ele pode buscar saídas progressistas, ele pode buscar saídas transformadoras da realidade social. Ele pode eleger Lula. Ele pode eleger governos pelo mundo afora. Ele pode eleger Mandela. O povo pode tantas coisas. Então eu acho que o filme está trazendo para a população um pouco dessa reflexão e olha como isso é complexo, esse tipo de pergunta.

Por isso, inclusive, ele tem esse ponto de interrogação. Esse tipo de pergunta ele vai, como eu disse, se completar nesse encontro do filme, com sua audiência, cada um de nós vai sair do filme um pouco refletindo. Sim, eu posso, mas posso para que?

A grande questão, talvez desse século, é dentro das nossas possibilidades, das nossas potências, que mundo a gente quer inventar? A gente quer inventar um mundo do ódio? A gente quer inventar o mundo da desgraça completa? Das pessoas passando fome e o mundo do individualismo? Ou a gente quer inventar um mundo melhor?

Essa que, eu acho, talvez seja a reflex√£o que cada um saia do cinema, ou da sala de exibi√ß√£o ou da pra√ßa p√ļblica, quando assistir o filme.

Edição: Rodrigo Durão Coelho