Só que 46 das 53 universidades brasileiras caíram neste mesmo ranking, reflexo da falta de investimento. Comunidade luta nas ruas e no dia-a-dia.
Apesar do recente anúncio do governo de retomar os limites orçamentários anteriores ao decreto de maio que diminuiu o valor mensal das universidades federais, a situação de asfixia da UFRJ se mantém. Mesmo assim, a maior universidade federal do país subiu da 401ª para a 331ª posição na edição de 2025 da Lista Global 2000 do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR) divulgada dia 2. A UFRJ se supera, reflexo da força do seu potencial humano que, com garra, enfrenta o cotidiano da crise.
No Brasil, a UFRJ é a segunda melhor instituição e, entre as federais, é a primeira. Só que 46 das 53 universidades brasileiras caíram neste mesmo ranking, reflexo da falta de investimento. A imprensa burguesa culpa o governo Lula, mas se esquece do avanço do Congresso sobre o Orçamento da União: as emendas parlamentares representam 25% dos recursos discricionários. Estudos do governo apontam que para 2026 isso pode chegar a 50%. Enquanto o Executivo fica amarrado para realizar políticas públicas, deputados e senadores têm recursos à disposição e resistem a lhes dar transparência.
UFRJ luta
É público que todas as instituições federais de ensino estão enfrentando dificuldades. Mesmo assim a UFRJ está na frente de universidades também prestigiadas no Brasil: Universidade de Campinas (Unicamp), em 369º lugar, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 454ª e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 476ª.
“A minha pergunta é: como seria se a gente tivesse o orçamento adequado? Não digo nem maior, mas o mínimo adequado. Certamente teríamos muito mais possibilidade de estar ainda mais à frente neste ranking”, declarou o reitor Roberto Medronho em matéria da Agência O Globo.
Segundo ele, a qualidade do corpo social da UFRJ é determinante para o sucesso da instituição, com um corpo docente, discente e de servidores altamente qualificado e competente, disse, mencionando investimentos de empresas em busca dessa excelência.
Valorização do pessoal
De fato, quem está no alicerce desta grande instituição são pessoas, os que movem cotidianamente esta grande engrenagem de produção de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Aqueles que ensinam, pesquisam, que realizam assistência e extensão, os que constroem o dia a dia, técnicos e administrativos que têm papel estratégico para funcionamento cotidiano, em laboratório, na área acadêmica e administrativa, financeira, de pessoal, hospitais e centros de pesquisa.
Metade do orçamento de 2012
Na reunião da Reitoria Itinerante em março, no Centro de Ciências da Saúde, o reitor explicou: “Ao longo dos últimos 12 anos, caiu pela metade o orçamento da UFRJ. Enquanto isso, nós ampliamos em 50% as nossas vagas com o Reuni. O nosso orçamento está reduzido, e nós implantamos as cotas, as ações afirmativas. Os alunos chegam com uma vulnerabilidade social e econômica muito grande. Nós precisamos de muito mais do que aqueles R$ 784 milhões do orçamento de 2012 — e estamos, em 2025, com R$ 423 milhões, um ligeiro aumento em relação a 2024”, disse Medronho.
Recomposição ajuda mas não resolve
No dia 30 de maio, o ministro Camilo Santana, da Educação, anunciou não apenas a regularização dos repasses como recomposição do orçamento.
O Decreto Federal 12.448, havia estabelecido liberação dos recursos em uma média mensal de repasses de 1/18 avos. Agora o limite de execução orçamentária voltou ao parâmetro de um doze avos (1/12) a partir de junho.
“Nós vamos garantir a recomposição orçamentária no valor de R$ 400 milhões, acima do que foi cortado do orçamento”, disse o ministro. Nesta caso, se referia aos cortes realizados pelo Congresso durante a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA).
Mesmo com a recomposição do valor na LOA, o orçamento ainda é insuficiente.
“Continuaremos com o contingenciamento, mas recebendo 1/12 do orçamento mensalmente, não mais 1/18. Adicionalmente, A informação é de que retomaremos o orçamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de R$ 423.332.304, que o Congresso reduziu a R$ 406.165.048 na LOA”, informou o pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças Helios Malebranche, explicando que está previsto o recebimento da diferença de R$ 17.167.256, mas que não irão na integralidade para o funcionamento da Universidade porque parte terá destinação específica.
Isso, disse ele, representa uma melhoria de 4,2% no orçamento. O orçamento para o funcionamento será ampliado de R$ 311 milhões para R$ 324 milhões (foram R$12 milhões de acréscimo).
No dia 2, informou a PR-3, apareceu no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) a substituição do contingenciamento de 1/18 para 1/12, assim como a recuperação do orçamento previsto no Projeto de LOA. Só que a necessidade para o funcionamento é de R$519 milhões. Ou seja, ainda faltam R$ 194 milhões.
A PR3 informou que vai elaborar proposta para enfrentamento da situação representada pelo subfinanciamento da Universidade e do déficit projetado para 2025.

Queda violenta do orçamento, em particular nos governo Temer-Bolsonaro, que elegeram a Educação, a Ciência e a Tecnologia como inimigos, tem recuperação limitada pelas disputas pelo orçamento no Congresso. Comunidade denuncia nas ruas a crise das universidades. Acima, mobilização de estudantes e técnicos administrativos, em 2024. Abaixo, ato em defesa da Educação no dia 29 de maio de 2025





