Um marco histórico de política afirmativa da maior universidade federal do país. Em cada curso haverá uma cota de, no mínimo, 2%. Colegiado também teve manifestação contra a chacina do dia 28
O Conselho universitário da UFRJ foi palco de um momento histórico nas lutas por avanço social: o colegiado aprovou por ampla maioria, em sessão extraordinária nesta quinta-feira, dia 30, mais um grande avanço em sua política de democratização do acesso e diversidade: a reserva de vagas para transexuais, travestis e não-binários em seus cursos de graduação e pós-graduação strictu sensu. Serão 2% de vagas em cada curso. A Reitoria pretende a medida já no próximo Sistema de Seleção Unificado (Sisu) e os primeiros candidatos selecionados pelo sistema, possam ingressam na instituição já em 2026.
A UFRJ não foi a primeira UFF e Rural, por exemplo, já aprovaram a reserva de vagas ano passado.
“Já passou da hora / de aprovarmos cotas trans na UFRJ”, cantavam, entre outras palavras de ordem, os estudantes que chegaram em bloco, depois de uma animada passeata pelos corredores do CT, na sala 208 do bloco C, onde, logo em seguira, aconteceria a sessão do colegiado. Com coloridas camisas das organizações políticas, bandeiras, cartazes e enormes faixas, lotaram o auditório e comemoraram ruidosamente a fala de conselheiros e membros da reitoria, entidade representativas, como o Sintufrj, e até uma parlamentar (Dani Balbi), que, se revezando ao microfone, manifestaram, um a um, absoluto apoio à proposta.
Jogral comemora aprovação
Logo após a votação, explodiram em aplausos e num jogral, encabeçado pela conselheira Arthura Annastásiya: “Esse é um passo gigante para chegarmos mais perto do projeto de Educação que a gente quer. Queremos mais pessoas trans, travestis e não binários na UFRJ e em todas as universidades do país. Com seus nomes respeitados, com politicas reais de permanência para enfrentar as estatísticas de morte e marginalização. Queremos que a UFRJ que seja referencia não só pela produção e conhecimento mas por ter mais do povo!”, reproduziam os estudantes que lotavam o auditório a esta altura, em festa.
Assista ao jogral sob comando de Arthura:
A luta não acabou
Apesar da comemoração, o reitor Ricardo Medronho concluiu a votação com um alerta: “A luta não acabou, teremos muita resistência”, disse ele, mencionando a quantidade de haters (alguém que ataca, critica de forma ofensiva) que vêm se manifestando nos comentários da postagem da UFRJ sobre as cotas no Instagram,
“Chega de chacina PM na favela e Israel na palestina!”
Além da aprovação das cotas trans, os estudantes realizaram também um grande protesto, sustentado também pelas falas dos conselheiros, em repúdio à mais letal operação policial do governo do Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, classificada como chacina.
Falas no Consuni
“A aprovação da cota trans representa um passo decisivo pela inclusão, diversidade e justiça social na UFRJ”, disse o coordenador geral do Sintufrj Esteban Crescente, que também se manifestou sobre a violência da operação policial do dia 28. Estebam destacou ainda o êxito da marcha dos técnicos-administrativos em Brasília, dia 29, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas ruas contra a PEC 38 que retira direitos dos trabalhadores federais, e em defesa do cumprimento integral do acordo de greve.
Por políticas de assistência estudantil
Isadora Camargo, conselheira discente, reivindica políticas de permanência:
Registros do ato










