Luta antirracista: resistênca à colonização deve ser contínua, diz pesquisador

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O convidado do Grupo Antirracista do Sintufrj deste mês foi o professor e pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Eduardo Miranda. Ele centra suas pesquisas nas relações étnico-raciais. O GT tem cada vez mais aprofundado os temas e reflexões acerca do universo do povo preto, suas idiossincrasias, contradições, dificuldades, desafios e lutas, além de descortinar o racismo e o preconceito racial no Brasil.

Miranda, pesquisador em raça, gênero e sexualidade e doutor em Educação e pós doutor em Filosofia, é  autor dos livros “Corpo-Território e Educação Deocolonial “e “Decolonialidade Afro-Brasileira – A Educação para a Diferença”. Ele levou para a reunião híbrida  do GT de 25 de fevereiro suas ideias e pensamentos apresentando o conteúdo de seus livros e travou também um diálogo produtivo sobre o trabalho corajoso para formação que o GT está desenvolvendo.

A decolonialidade é um termo que emerge da necessidade de ir além da ideia de que a colonização foi evento acabado, pois seus estudiosos entendem que este foi um processo que teve continuidade, mesmo tendo adquirido outras formas. Assim, veem a necessidade de ampliar categorias e conceitos adequado à América Latina e entendem que a decolonialidade é uma luta contínua contra as colonialidades impostas aos grupos subalternos.

“Decolonialidade Afro-Brasileira – A Educação para a Diferença”, de Eduardo Miranda, por exemplo, é um livro-ritual lançado recentemente, resultado de pesquisas realizadas no Grupo de Pesquisa Corpo-Território, Educação e Decolonialidade (CNPq/Uefs).

Seu livro está respaldado na Lei 10.639/03, que obriga todas as escolas públicas e privadas e inserir em seu currículo discussões de historia e cultura africana e afrobrasileira. Depois, essa lei foi ampliada para Lei 11.645/08, incluindo a discussão da história e cultura indígenas.

Abordagem original

Para Miranda, o livro marca um momento histórico na produção acadêmica brasileira ao reivindicar um novo eixo de pensamento decolonial forjado no corpo, no axé e nos saberes oriundos dos territórios afrodiaspóricos do Brasil.

Entre as inovações teóricas do livro, estão conceitos como Epistemologias dos Odus, Giro de Iansã, Corpo-Território Decolonial, Abebê das Insurgências e Solidariedade Epistêmica. Essa rica teoria foi apresentada ao GT.

O pesquisador procurou simplificar seu pensamento informando que a decolonialidade está nas ruas, nas casas de terreiro, nos movimentos negros, indígenas, nas reuniões de grupos LGBTQIA+, em reuniões como a do GT Antirracista e ao final explicou:

“Eu busco a religião do colonizador, eu busco o embranquecimento do colonizado. E tendo consciência disso tudo eu raciocino que essa é a verdade de quem me colonizou. É a minha verdade ancestral? É a minha verdade de corpo? Pergunto. É aí que a gente tem que buscar a decolonialidade.

Vou dar um exemplo. Eu já fui uma pessoa intolerante religiosa. Por que fui ensinado dentro do meu núcleo familiar e dos meus pares que eu tinha que ter raiva, perseguir tudo o que fosse de religião de matriz africana, porque era um colonizado.

Quando tive acesso a determinados espaços de militância do povo, de militância de base é que eu fui entender que eu não podia perseguir aquilo que faz parte do que eu sou, mas não queriam que eu descobrisse. Então eu estou me decolonizando.”

Após a apresentação de Miranda, os integrantes do GT tiraram dúvidas e trocaram ideias. Como de praxe foi sorteado dois livros de autores negros, “O avesso da pele” e “De onde eles vêm”, de Jefferson Tenório, escritor, professor e pesquisador cujas obras abordam temas como pobreza, discriminação racial e desigualdade de classes no Brasil. Os sortudos foram o próprio Eduardo Miranda e Selene Vaz, coordenadora de Aposentados e Pensionistas do Sintufrj. FOTO: RENAN SILVA

ESCRITOR CONVIDADO DO GT ANTIRRACISTA expõe sua tese sobre a “continuidade” do evento colonização num rico debate que envolve raça e outros aspectos da formação ancestral do povo brasileiro (FOTOS: RENAN SILVA)

 

 

 

 

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