Entre as bandeiras de luta da CUT para esse 8 de Março está também o fim da escala 6×1, a reafirmação da soberania dos povos e de uma maior representação política feminina
Mais um ano e as mulheres em sua luta diária estarão novamente nas ruas neste 8 de Março de 2026 em defesa da vida e de direitos. É mais um movimento para o combate à violência à mulher que alcança números alarmantes. O Brasil fechou 2025 com cerca de 1.470 feminicídios – média de quatro mulheres assassinadas por dia.
No Rio de Janeiro haverá ato unificado em Copacabana. O local tem sido palco para denúncia e reafirmação das lutas populares das mulheres reunindo asfalto, campo, floresta e periferia.
A concentração será a partir das 10h, na altura do Posto 3, e promete ser um brado forte pela vida das mulheres e crianças e rejaço total ao feminicídio. A defesa do aborto legal e abaixo ao governador Cláudio Castro seguem também como mote.
Segundo a CUT, com índices de feminicídios crescentes, não basta apenas o poder público ter iniciativas, elaborar políticas públicas e planos de ação. É crucial que a própria sociedade assuma a corresponsabilidade no combate a esse tipo de violência: o parente próximo, o amigo, o vizinho, todos quem presenciam ou desconfiam de abusos tem de agir para que os agressores sejam punidos.
São números muito preocupantes. Mais de 1 milhão de novos processos de violência doméstica ingressaram no Judiciário. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar no último ano. Em 71% dos casos havia crianças presentes. A casa segue como o principal local da violência.
Pelo Direito à Vida e Combate ao Feminicídio
O primeiro eixo de mobilização da CUT neste março é direto: defender a vida das mulheres. A central denuncia que 2025 foi o ano mais letal desde que o feminicídio foi tipificado, em 2015. Destaca também que a impunidade e a desigualdade econômica dificultam o enfrentamento da violência e que o assédio moral e sexual no trabalho empurra muitas mulheres para o adoecimento ou para o desemprego.
Fim da Escala 6×1 e Justiça no Mundo do Trabalho
A luta pelo fim da escala 6×1 ganha centralidade neste 8 de Março e no Mês Internacional da Mulher. Para elas, o impacto da jornada exaustiva é ampliado pela dupla ou tripla jornada. Enquanto homens dedicam em média 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior.
Então, reduzir a jornada sem redução salarial significa garantir tempo para descanso, estudo, convivência e participação política, direitos historicamente negados às mulheres.
Soberania dos povos
Quando a soberania é atacada e a democracia enfraquece, os impactos não são iguais para todos. Eles atingem primeiro e com mais força quem já ocupa posições mais vulneráveis na estrutura social e, historicamente, as mulheres estão nesse lugar.
Em cenários de crise democrática, políticas públicas de proteção social são enfraquecidas, direitos são relativizados e agendas conservadoras ganham espaço. Como as mulheres dependem mais dos serviços públicos e também carregam maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e familiares, qualquer corte ou desmonte do Estado amplia sua sobrecarga física, mental e econômica.
Além disso, mulheres estão mais presentes em empregos precarizados e informais. Em crises, são as primeiras a perder renda ou ter seus direitos reduzidos. E em contextos autoritários, há maior controle sobre seus corpos, maior perseguição a lideranças femininas e enfraquecimento das políticas de enfrentamento à violência.
Mais Mulheres na Política
Outro dos eixos da CUT é a ampliação da representação feminina nos espaços de poder. Embora as mulheres sejam 52% do eleitorado brasileiro, ocupam cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado. O país aparece na 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina.
Para a CUT, não basta aumentar numericamente a presença de mulheres: é fundamental fortalecer a eleição de mulheres comprometidas com pautas progressistas, com a defesa da autonomia, da igualdade e da proteção social.
Março: mês de visibilidade
Ao longo do mês de Março, o Portal da CUT e as redes sociais da CUT vão apresentar diversos conteúdos formativos e informativos sobre o universo da mulher. Direitos, personalidades que são referência, serviços e vários outros temas farão parte da mobilização.
Os conteúdos apontam para o caminho de que a violência contra a mulher não é um problema privado. É social, é estrutural e é coletivo e só será superado quando cada pessoa compreender que o silêncio também alimenta esse sistema.
Com Portal da CUT





