CLG leva informes ao Consuni e reivindica à PR-4, preparação para a concessão do RCS

Compartilhar:

O Comando Local de Greve (CLG) foi ao Consuni buscar pavimentar caminhos para a concessão do RSC na UFRJ, o mais rápido possível.

A sessão do Consuni desta quinta-feira, 26, foi densa: tratou de temas urgentes como o plano de contingencia da UFRJ diante de situações de violência urbana, a aprovação do Orçamento de 2026, apontando mais um ano deficitário e com grandes dificuldades. Mas foi também um momento de informação aos conselheiros sobre a greve dos técnicos administrativos. Cumprindo mais uma agenda do movimento, representantes do Comando Local de Greve (CLG Sintufrj), acompanharam a sessão, panfletaram o jornal da entidade e informaram o andamento da greve, através do representante da categoria no colegiado, André Salviano. Ele reiterou a necessidade de pressão pelo cumprimento de uma das principais conquistas: o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).

Ao mesmo tempo, o coordenador do Sintufrj (e de comunicação da Fasubra) Francisco de Assis, buscou dialogo com a pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia, sobre a necessidade da UFRJ se estruturar para a implantação desta nova forma de valorização da Carreira, o RSC.

A sessão terminou com a aprovação de moções sobre temas graves: uma, de apoio à deputada Érika Hilton (Psol-SP), que vem sofrendo os ataques transfóbicos, e outra contra a agressão sofrida por estudantes em protesto num colégio estadual do Rio.

Luta pela implantação do RSC

“O objetivo é manter o diálogo aberto, a fim de colocar em pauta a questão do RSC.”, disse Francisco, explicando que argumentou com a pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia, sobre a dimensão da tarefa que se avizinha, de implantação do RSC, que demanda panejamento, compreensão do processo e diálogo com a equipe. O coordenador solicitou ainda um levantamento das pessoas envolvidas nos concursos realizados, facilitando o acesso aos envolvidos. “Estamos atuando em várias frentes, incluindo o diálogo com a pró-reitora, buscando estabelecer uma agenda que trate da questão. Ela ressaltou que a demanda é ampla e requer um esforço conjunto”, comentou. O coordenador informou que o Sindicato busca formalizar um encontro também do reitor Ricardo Medronho com o objetivo de que as medidas necessárias sejam tomadas.

Em sua fala no colegiado, André Salviano contou que a Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC, organismo com representação dos trabalhadores e do governo) emitiu documento contestando a posição divulgada pelo governo de que a maior parte do acordo de greve tinha sido cumprido. Explicou que dos 15 itens, cinco não foram cumpridos e dois apenas parcialmente. Explicou que esta greve portanto, ainda tem “uma boa caminhada”, na luta pelo cumprimento integral do acordo.

Uma das principais bandeiras, disse ele, é o Reconhecimento de Saberes e competências, que pode levar a uma melhora substancial na carreira e nos salários. Como contou, a CNSC ficou responsável pelo texto do projeto que, ao final, acabou descaracterizado pelo Ministério da Gestão e Informação (MGI), quando enviou ao Congresso. Houve nova negociação, a Fasubra conquistou algumas melhoras, mas alguns pontos não se cumpriram,. O PL foi aprovado e aguarda sansão da Presidência, ao que se seguirá a aprovação de um decreto de regulamentação para o qual já há também um texto inicial da CNSC. “Esperamos que o MGI não desfigure o texto como fez com o projeto de lei”, disse ele.

Acompanhe a fala do coordenador:

 

 

A moção contra os ataques a Érica

O Conselho Universitário da UFRJ vem por meio desta moção manifestar apoio e solidariedade à deputada federal Érika Hilton, tendo em vista os ataques transfóbicos que vem sofrendo quotidianamente, intensificados desde sua recente eleição à presidência da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A deputada tem sido atacada em seu âmbito e vida pessoais, tendo questionada a validade de sua identidade de gênero e capacidade de ocupar este cargo.

Todas as pessoas merecem o devido respeito. A deputada federal Érika Hilton tem plenas capacidade e condição de presidir a Comissão, cargo para o qual foi eleita democraticamente, e de representar as mulheres brasileiras, tanto dada sua vivência enquanto mulher trans e travesti, quanto por seu trabalho e atuação como Deputada Federal e representante política eleita.

Ninguém que luta pelos direitos da população pode ser silenciado. Mulheres trans são mulheres.

A moção contra o ataque da PM à representação estudantil

EM MEMÓRIA DE EDSON LUÍS, CONTRA OS ASSÉDIOS NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E PELO DIREITO DE LUTAR

Moção de solidariedade do Conselho Universitário da UFRJ aos estudantes agredidos no Amaro Cavalcanti

No dia 28 de março de 1968, o estudante secundarista Edson Luís foi assassinado pela Polícia Militar no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, enquanto almoçava. No mesmo momento, ocorria um ato pacífico de estudantes por melhores condições de alimentação e permanência estudantil, quando a polícia invadiu o local e abriu fogo contra os presentes, atingindo Edson Luís no peito.

Sua morte marcou a história do movimento estudantil brasileiro e segue como símbolo da luta contra a repressão e pela liberdade de organização.

Passadas décadas, seguimos enfrentando a violência contra estudantes que se mobilizam por seus direitos. No dia 25 de março de 2026, estudantes foram brutalmente agredidos pela Polícia Militar dentro do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, durante uma manifestação legítima contra denúncias de assédio na instituição.

Relatos e imagens mostram agressões com socos, pontapés e uso de spray de pimenta, além da detenção de dirigentes estudantis presentes no local, incluindo a presidente da AMES Rio e um aluno da UFRJ, diretor do DCE Mário Prata.

A violência ocorreu justamente em um ato que reivindicava o afastamento de um professor acusado de assédio, evidenciando a gravidade da situação: estudantes que se organizam para denunciar violências são, eles próprios, alvo de repressão.

Diante disso, manifestamos nossa mais firme solidariedade aos estudantes agredidos e reafirmamos, em memória de Edson Luís, o compromisso com a defesa intransigente do direito de manifestação, da autonomia do movimento estudantil e do combate efetivo a todas as formas de assédio dentro das instituições de ensino.

A universidade e as escolas devem ser espaços de liberdade, diálogo e construção coletiva – nunca de violência.

Ditadura nunca mais.

Contra a agressão as estudantes

A moção proposta pelos estudantes foi em repúdio aos fatos registrados no vídeo que circula amplamente pelas redes, um policial militar agrediu, no dia 25, dois estudantes dentro de um colégio estadual no Rio de Janeiro, Colégio Senor Abravanel (antigo Amaro Cavalcante, no Largo do Machado), onde havia um protesto estudantil contra um caso de assédio no colégio.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que o policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.

Segundo o Portal ICL, as imagens foram gravadas pelo coordenador do DCE Mário Prata, João Herbela, que acompanhava Marissol Lopes, 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames Rio), e Theo Oliveira, 18 anos, também diretor da Ames Rio. Todos acabaram detidos.

“O subtenente agrediu os estudantes ainda dentro da escola, com tapas e socos. Do lado de fora, a agressão continuou com spray de pimenta, bandas, e a presidente da AMES-RJ teve sua camisa rasgada antes de ser detida junto aos outros dois representantes e encaminhada para 9ª delegacia policial”, diz a Associação.

    

 

COMENTÁRIOS