O nome de Horácio Macedo está presente por toda UFRJ, seja na avenida Horácio Macedo, seja no auditório Horácio Macedo, seja em quadros espalhados por departamentos, centros, institutos e, na sede do Sintufrj, e, está presente também na lembrança não apenas dos que conviveram com ele, como também dos que, ainda hoje, passam por uma universidade que tem a marca de uma reitoria popular, inclusiva e democrática.
Em 14 de outubro de 2025 completam-se 100 anos do nascimento de Horácio Macedo, professor, pesquisador, cientista, militante político e ex reitor da maior universidade pública do país.
A trajetória de vida de Horácio Macedo se confunde com a luta por uma Universidade Popular, pela defesa da educação Pública, pela luta pelos direitos dos trabalhadores e pela construção de uma nova sociedade, mais justa e igualitária.
Horácio Macedo começou sua dedicação a construção de uma sociedade nova ainda na juventude, se integrando a campanha “O Petróleo é Nosso” e entrando no Partido Comunista Brasileiro, partido que fez parte até sua morte em 1999, chegando a ser presidente nos anos 1990. No governo Jango, em articulação com Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, Horácio Macedo passou dois anos nos países socialistas do Leste Europeu numa missão científica que buscava selecionar material científico e didático de física, química e outras ciências para trazer ao Brasil potencializando o estudo e a divulgação científica em nosso país, mas, com o Golpe Militar de 1964, o projeto seria abandonado.
Autor de uma vasta obra acadêmica e científica, acreditava que a ciência e a educação deveriam servir a sociedade e, fundamentalmente, a classe trabalhadora. Acumulou prêmios, homenagens, tanto de alunos, como de trabalhadores da educação e de instituições cientificas.
Em 1985, há 40 anos atrás, tornou-se o primeiro Reitor brasileiro eleito pela comunidade universitária, sendo indicado em primeiro turno pela maioria absoluta de professores, técnicos administrativos e alunos num processo que contava com mais de 15 concorrentes.
Sua reitoria foi marcada por uma ampliação na política de incentivo a educação pública, ampliando assistência estudantil, projetos de extensões envolvendo a universidade e todas as comunidades ao redor da UFRJ, também foi responsável por aumentar a democracia interna com fóruns, consultas e reuniões ampliadas com toda a comunidade acadêmica e lutando pela autonomia universitária e por maior investimento público na educação. Sua reitoria sempre foi aberta e colocada a serviços dos trabalhadores da universidade.
A UFRJ se fez presente em Brasília, com ampla participação da comunidade, nos debates da Assembleia Nacional Constituinte (1987 – 1988), se manifestando nas ruas, com caravanas mobilizadas com todo apoio da reitoria e no Congresso em apoio à causa da Universidade pública, autônoma e gratuita. O artigo 207 da Constituição de 1988, que trata da Autonomia Universitária, contou com a contribuição de Horacio em sua redação.
Reeleito em nova consulta, foi impedido de tomar posse num segundo mandato por fruto de manobras políticas de opositores a sua reitoria.
O nome de Horácio Macedo está marcado não apenas nas placas, quadros, paredes, mas na memória de todos que conviveram com ele, assim como seu legado está presente hoje por toda UFRJ. Sua vida foi um manifesto de luta, atuando nas mais variadas lutas de nosso povo, a campanha pela criação da Petrobrás, a luta por uma Universidade Popular, contra a ditadura militar, pela redemocratização do país, pela legalidade dos comunistas e demais partidos, por uma constituinte a serviço do povo brasileiro, contra as privatizações das estatais e diversas outras lutas e mobilizações.
Falar sobre a UFRJ e não falar em Horácio Macedo, parafraseando o poeta, é estar mentindo.