Mais de cem mil marcham da Candelária à Cinelândia 

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Estudantes e trabalhadores da educação deram mais uma demonstração de força, na quinta-feira, 30 de maio, na segunda edição da mobilização nacional contra os cortes na educação e a reforma da Previdência. Foi também mais uma vitoriosa preparação para a greve geral de 14 de junho. Milhares de pessoas foram às ruas em todo o país se manifestar, com  indignação e revolta, contra as “desmedidas” do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros.

Se em 15 de maio, Bolsonaro se referiu aos mais de um milhão e meio de manifestantes como “idiotas úteis”, no dia 30 o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez uma provocação pública ao postar um vídeo no Twitter dançando com um guarda-chuva e cantando “Está chovendo fake news”. O objetivo era dizer que o MEC não tinha relação com a redução de  verbas do Museu Nacional, que também foi atingido pelos cortes do seu ministério. Mais uma bola fora deste infeliz em sua rota de colisão desenfreada com as universidades públicas.

São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Distrito Federal, entre outras cidades reuniram mais de um milhão de pessoas. No Rio de Janeiro, mais de 100 mil estudantes, educadores e trabalhadores de outras categorias ocuparam parte de uma pista da Avenida Presidente Vargas e a Candelária antes de iniciar a marcha pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Foram mais de cinco horas de ato e passeata. “Dia 14 será maior”, repetiam os dirigentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) os organizadores da mobilização em referência à greve geral de 14 de junho contra a reforma da Previdência.

Na Cinelândia, uma multidão aguardava a chegada da passeata. O grito “Ele Não!” ecoou das gargantas. “Ou a gente luta ou a gente morre” complementou a socióloga aposentada Helena Mussi,76 anos, que chegou na Candelária às 15h, marchou pela Rio Branco e acompanhou a manifestação até o seu final, às 20h30.

UFRJ lotou a praça e as ruas 

Estudantes, técnico-administrativos e professores da UFRJ se concentraram às 13h no Largo de São Francisco, em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) para mostrar, junto com a Adufrj, o DCE e a Associação de Pós-graduandos (APG) a produção da universidade e denunciar o corte de verbas à população. O Sintufrj se concentrou na campanha contra a reforma da Previdência, distribuindo panfletos, bottons e passando o abaixo-assinado a ser enviado ao Congresso Nacional com o objetivo de sensibilizar os parlamentares a não votarem na proposta de Emenda à Constituição de Bolsonaro, que põe fim à aposentadoria dos trabalhadores e a outras benefícios garantidos pelo atual sistema previdenciário. Às 16h, ao som de uma animada batucada e de palavras de ordem como esta: “Oh! Bolsonaro, vou te dizer, a UFRJ não tem medo de você!”, as centenas de pessoas carregando faixas e cartazes saíram em caminhada rumo à Candelária.

Na Rua Uruguaiana, onde se concentram o comércio popular e o Camelódromo, os manifestantes pararam e deram seu recado:  “Trabalhador, preste atenção: Bolsonaro só governa pra patrão” e “Não é mole não, tem dinheiro pra milícia, mas não tem para educação”.

 

 

A EDUCAÇÃO É O TERMÔMETRO DA INDIGNAÇÃO

Mais de um milhão de pessoas ocuparam as ruas no #30M. A resposta aos cortes no orçamento da educação e às declarações desastrosas de Bolsonaro e seu ministro – que chegou a divulgar um patético vídeo recheado de erros de concordância e informações mentirosas enquanto segurava um guarda-chuva ao som da música tema de “Cantando na Chuva” – veio com a força da juventude e dos trabalhadores: uma explosão de faixas e cartazes coloridos, palavras de ordem irreverentes e muita gente em movimento contra o governo.

Os atos do dia 30 engoliram as manifestações chapa branca do dia 26. O imenso coro popular pediu mais investimentos, defendeu as pesquisas e a produção de conhecimento, criticou duramente o governo e produziu belíssimas cenas que contrastam radicalmente com a barbárie de domingo, quando apoiadores do governo chegaram a arrancar uma faixa em defesa da educação da fachada de uma universidade pública para, em seu lugar, homenagear o astrólogo Olavo de Carvalho, transformado em guru pela direita rastaquera.

Contra a parede, o governo reagiu com autoritarismo. O ministro Weintraub, do MEC, exortou a população a denunciar professores que estariam “obrigando” os estudantes a participar dos atos. Ameaçou trabalhadores de demissão, vomitou verborragia reacionária de quinta categoria e permaneceu sem enfrentar a dura realidade: seu trabalho é um lixo e a maioria do povo brasileiro repudia o corte de verbas.

As belíssimas manifestações de ontem elevaram a temperatura e a expectativa sobre a greve geral do dia 14 de junho. Em momentos de crise, o cenário político se altera em saltos. Parcelas cada vez mais amplas da população repudiam a perseguição à educação promovida por Bolsonaro e sua gangue, a tentativa de acabar com a aposentadoria e assumem uma posição de autodefesa. Cabe ao movimento jogar energia máxima na organização da indignação. O país precisa parar!

 

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