Solidariedade em baixa ameaça políticas públicas de saúde, diz presidente da Fiocruz

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A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, disse que a prevalência do individualismo como projeta as mudanças na sociedade ameaça as políticas públicas de saúde como a conhecemos hoje. Ele deu o exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS) que, segundo Nísia, foi construído com base na solidariedade.
Ela fez a afirmação na conferência “O Brasil que falta: políticas públicas, saúde e cidadania” que fez hoje (dia 4) na V Semana de Saúde Coletiva (IESC) da UFRJ, dia 4 de outubro, no Instituto de Estudos e Saúde Coletiva (IESC).
“O SUS se construiu com base na solidariedade. Esse é o seu princípio. Com a crise houve rupturas e mudanças, numa escala mundial, e os laços de solidariedade se tornaram mais desafiadores”, observou.
“Estamos retrocedendo na proposta de uma sociedade mais universalista e democrática, pois se faz imperioso ir na direção contrária a esse projeto de sociedade inclusiva e solidária”, acrescentou a presidente de uma das mais prestigiosas fundações científicas no âmbito da saúde pública.
Para ela o desafio está posto. “Estamos diante desse desafio, de preservar essa solidariedade diante de uma sociedade que vem sendo pressionada para o exercício do individualismo. E de como preservar o SUS como um valor fundamental”, finalizou.

Reflexão
Segundo a vice-diretora do IESC, Maria de Lourdes Cavalcanti, a semana de saúde coletiva promove a reflexão diante da conjuntura atual e fortalece o papel da universidade como instituição de formação e reflexão.
“O tema desta edição da semana de saúde coletiva – “30 anos de saúde coletiva na UFRJ: saúde, democracia e cultura” – é muito importante no atual contexto do país. O evento contribui para nos fortalecer enquanto universidade como polo de políticas públicas e laços de solidariedade.
“O nosso SUS, seus valores de fato, são os laços de solidariedade social e esses valores estão fragilizados diante do individualismo crescente agregado aos valores do neoliberalismo que exacerba esse individualismo”, observou Maria de Lourdes Cavalcanti.
Participaram da mesa de abertura o diretor do IESC Antonio José Leal; o representante da Comissão de 50 anos do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Antônio José Ledo; a vice-decana do CCS, Russolina Zingali; e a presidente da Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gulnar Azevedo.

Evento
A V Semana de Saúde Coletiva, de 4 a 7 de novembro, comemora também 30 anos de IESC e 50 anos do Centro de Ciências da Saúde (CCS). O evento busca o encontro entre academia, serviços e movimentos sociais em saúde com o objetivo de integrar a formação de sanitaristas em diferentes níveis com a comunidade externa da UFRJ.
Participam mais de 200 pessoas, entre alunos, professores, pesquisadores e técnicos atuantes e interessados na área de saúde coletiva. O evento contará com palestras, minicursos, oficinas e mesas-redondas. Na quinta-feira, 7, às 16h, a compositora e ex-ministra da cultura, Ana de Hollanda, profere a palestra “As perspectivas da cultura nos dias atuais”.

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