Das travessuras à proteção da natureza: crianças falam sobre importância do Saci no Radinho BdF

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No próximo dia 31 é celebrado o Dia do Saci Pererê, um dos mais importantes símbolos da cultura popular do Brasil

Da Redação/27 de Outubro de 2021

Saci está no campo e na cidade pregando peças em quem cruza seu caminho – Arquivo/EBC

 

Meu recado para o Saci é: que o vento que ele faz traga novos tempos!

Menino negro, com uma perna só, que tem uma carapuça vermelha mágica e adora pitar seu cachimbo e aprontar travessuras por aí. Não há dúvida sobre quem a edição de hoje (27) do Radinho BdF vai falar: o Saci Pererê, um dos principais símbolos da cultura do país, cujo dia é comemorado no próximo 31 de outubro.

“O saci ele mora em floresta, fuma cachimbo e roda no vento”, contou Naomi Gomes de Almeida, de 4 anos, que mora em São Luís do Paraitinga (SP). “O Saci é um menino muito levado. Ele puxa o rabinho do porco, usa uma carapuça vermelha, fuma cachimbo e é muito divertido e travesso”, completou a Ísis Elias Gonçalves, de 9 anos, que também mora em São Luís do Paraitinga.

O Saci está no campo e na cidade pregando peças em quem cruza seu caminho. Ele esconde a chave de casa, coloca açúcar no feijão, deixa a bicharada em polvorosa, bagunça a lição de casa, derruba os chapéus e ainda dá risada quando vê a confusão que arrumou. Mas para além disso, ele é um dos principais protetores das matas no folclore brasileiro.

O saci defende as florestas e os animais, que mais do que nunca estão ameaçados por incêndios, pelas mudanças no clima e pela ação de pessoas e empresas que derrubam as matas para lucrar com os recursos da natureza.

Conta a história que o principal alvo das travessuras do saci são aqueles que derrubam as matas e caçam os animais. Rápido como uma flecha, pulando em uma perna, só ele confunde os caçadores, esconde os machados, desarma as armadilhas e depois dá um assobio alto para mostrar quem é que manda.

Causos do saci

Tem gente que já viu. Tem gente que jura que já viu, mas não viu. Tem gente que morre de vontade de ver, mas nunca viu e tem gente que não quer ver de jeito nenhum. Mas com certeza alguém próximo a você tem alguma história envolvendo com esse moleque tão travesso e tão querido.

“Quando meu tio Juca era pequeno ele teve que ser batizado pelo irmão mais velho dele, porque ele é o sétimo filho homem da família. Se o sétimo filho homem se não for batizado pelo irmão mais velho ele vira Saci”, contou o Gustavo William Pereira Cassiano, que tem 10 anos e mora em São Luís do Paraitinga. “O Saci Pererê gosta muio de falar que não existe, porque assim ele apronta mais com as pessoas.”

Um desses causos virou até a história dessa edição de hoje do Radinho BdF, contada por Plínio Macedo, mais conhecido como Prosinha, que se dedica a contar histórias sobre o Saci no interior de São Paulo. Para acompanhar as histórias dele é só acessar seu canal no Youtube, o Prosinha História.

Saci perpassa gerações e é personagem central de causos em diversas regiões do país / Arquivo/EBC

Criadores de saci em defesa da cultura popular

Ao longo de tantos anos de travessuras, o Saci conquistou muitos amigos dispostos a ajudá-lo a continuar protegendo as matas. Alguns deles criaram associações para reunir os apaixonados pelo Saci e incentivar e fortalecer a cultura popular brasileira.

“Minha infância foi toda tentando pegar o Saci. A gente ficava de olho no vento, nos rodamoinhos, e saíamos correndo com uma peneira para tentar pegar o Saci, mas ele sempre foi muito mais espero que a gente”, contou Regis de Toledo Souza, presidente da Associação dos Observadores de Saci (SoSaci). “Nós adorávamos brincar com esse ser mágico, que traz a história do país e denuncia processos exploratórios”.

Um dos processos exploratórios citados pelo Régis é a opressão contra o povo negro. Algumas pessoas ligadas ao Saci defendem que há muitos e muitos anos ele era um menino escravizado, que teve a perna amputada talvez como um castigo, talvez para se libertar de uma corrente que o prendia pelo pé.

“As histórias que envolvem o Saci contam que ele foi uma criança negra que foi castigada. Esse ser resiste a isso e se transforma. Ele passa a proteger a natureza, a brincar com a sociedade e a denunciar tudo aquilo que foi feito com ele e que ainda é feito com a população negra desse país. Meu recado para o Saci é que ele continue denunciando a exploração, a dominação e que o vento que ele faz traga novos tempos”, completou Regis.

Porém, alguns especialistas em Sacis não acreditam que ele tenha perdido a perna amputada. Para eles o menino já nasceu assim, afinal uma perna é exatamente o que ele precisa para pular ligeiro pela matas e florestas.

“O Saci não faz maldades, faz travessuras”, pontou o José Osvaldo Guimarães, presidente da Associação Nacional dos Criadores de Saci (ANCS). “O importante para não ter problema com o Saci é cuidar do ambiente onde ele vive, preservando a natureza, mas também cuidando da nossa casa, escola, clube e igreja, para que a gente tenha ambiente saudável, onde as pessoas contem e ouçam histórias.”

Festa do Saci

Para celebrar o Saci, a Sosaci organiza todo ano, no mês de outubro, a Festa do Saci de São Luís do Paraitinga. Neste ano e no ano passado, a programação foi online, por causa da pandemia do coronavírus. Ainda assim, dá para curtir muita coisa legal pela página do festival.

“A festa do Saci tem muitas brincadeiras, histórias e músicas. As pessoas compram carvão, macetam até virar pó, passam no rosto, colocam uma toquinha e começa a festa”, contou o Gustavo. “Já fui várias vezes e fiquei pulando um montão. Eu fui com um cachimbinho que eu tinha e uma carapuça que ganhei”, disse a Ísis.

Saci inspira músicas e brincadeiras

Não faltam músicas em homenagem a esse personagem tão especial da cultura brasileira. Por isso, o Radinho BdF põe para tocar “Saci Pererê”, de Luiz Melodia, “Olha que eu vi o Saci”, do grupo Girassonho e diferentes músicas do grupo Tempo de Brincar, que canta o Saci em diversas composições.

Os integrantes do grupo, inclusive, deram uma entrevista exclusiva para o Radinho BdF sobre o Saci Pererê e ensinaram uma brincadeira especial para pegar o moleque com uma peneira, uma garrafa e uma rolha, com uma cruz desenhada.

Toda quarta-feira, uma nova edição do programa estará disponível nas plataformas digitais. / Brasil de Fato / Campanha Radinho BdF

Sintonize

O programa Radinho BdF vai ao ar às quartas-feiras, das 9h às 9h30, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista. A edição também é transmitida na Rádio Brasil de Fato, às 9h, que pode ser ouvida no site do BdF.

Em diferentes dias e horários, o programa também é transmitido na Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), e na Rádio Terra HD 95,3 FM.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o Radinho BdF de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para fazer parte da lista de distribuição, entre em contato pelo e-mail: radio@brasildefato.com.br.

Edição: Sarah Fernandes

 

 

 

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