As manifestações contra o projeto de anistia para aqueles que foram condenados pelo STF por tentativa de golpe de Estado e contra a PEC da Blindagem ganharam diversas cidades brasileiras neste domingo, dia 2.
Segundo a Agência Brasil, houve atos em 33 cidades, incluindo as 27 capitais.
Convocados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL, PT e movimentos populares, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.
Era a esquerda e muito mais
Embora veículos de mídia convencional classifiquem o ato como “da esquerda”, o que se viu foi a esquerda e muito mais: foi sociedade nas ruas – de matizes políticas diversas, gente do campo progressista, gente com ou sem partido, jovens, idosos, famílias, crianças –, a se manifestar contra a desfaçatez do Congresso inimigo do povo. Que ignora solenemente pautas importantes para a população, enquanto aprova medidas de seu exclusivo interesse e para sua própria vantagem.
Embora os veículos de imprensa comercial tentem minimizar o impacto de tamanha reação – com suas contas técnicas da quantidade de pessoas em cada ato – uma multidão indignada com a bandalha que se trama em acordos espúrios no Congresso, tomou as ruas mobilizada em apenas três dias.
Tentam minimizar porque o ato reascendeu a chama, perigosa para a direita, da mobilização, do clamor popular, lembrando movimentos históricos no país em que o povo foi para as ruas, como as “Diretas já” e os “Cara pintadas” e mudou os rumos da história. E começou assim.
Vídeo e foto: Renan Silva
Como foi
No Rio de Janeiro, o ato que reuniu milhares no posto seis, ganhou o reforço de um time da pesada, num encontro também histórico, de artistas do calibre de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Lenine, Djavan, Maria Gadú, entre tantos outros, que emocionaram o público com sucessos como Como Nossos Pais, Cálice, Brasil, Podres Poderes, Um índio, Alegria, Alegria, Ideologia, e Vou Festejar, entre outros.

A Agência Brasil registrou assim, nos demais pontos do país:

Cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram na avenida Paulista, na região central de São Paulo.

Em Salvador (BA), milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana.
O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
Em Belo Horizonte (MG), uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.
Em Recife (PE), o ato começou por volta das 14h, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.
A capital paraibana João Pessoa (PB) também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que é um deputado federal paraibano e preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.
Também foram registrados atos em Belém (PA); Teresina (PI); Natal (RN); Fortaleza (CE); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC); Brasília (DF).
O que é
PEC da Blindagem
O pacote empurrado goela abaixo do povo pelos deputados, na semana passada – “anistia + blindagem” – dá uma forte dica aos eleitores (que em 2026 voltam as urnas), do que é o centrão, a direita e a extrema-direita no parlamento brasileiro.
A chamada PEC da Blindagem, texto aprovado semana passada por ampla maioria, estabelece que deputados e senadores só podem ser processados criminalmente se a Câmara ou o Senado autorizarem a abertura de ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) em até 90 dias após a apresentação da denúncia por qualquer tipo de crime. Mesmo em caso de crimes inafiançáveis, como homicídio e estupro, também precisam de autorização da Casa do parlamentar em até 24 horas, também por votação secreta.
Anistia aos golpistas
Deputados querem também a aprovação de um Projeto de Lei que dê anistia aos que foram condenados pelo STF envolvidos na tentativa golpe de 8 de janeiro de 2023, inclusive Bolsonaro, condenado há mais de 27 anos de prisão.
Ato de multidões expõe Congresso Inimigo do Povo
Os atos contra a PEC da bandidagem e do PL da anistia, que deixaram evidente o ânimo da população contra os desmandos do Congresso, puseram um freio na sanha da direita e bolsonaristas. Alguns até reconhecem um tiro no pé ao irem com tanta sede ao pote.
Se no Senado já se via resistência à PEC da blindagem, agora, com a resposta inequívoca do povo nas ruas, as chances de esta ser aprovada vão evaporando, afetando também o projeto de anistia a Bolsonaro. Além disso, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) declarou que os protestos demonstram que “é momento de tirar da frente estas pautas tóxicas”.
Veja a apresentação dos artistas e trechos do ato nos vídeos a seguir




