Ato unificado fecha a Linha Vermelha

Compartilhar:

FOTOS: RENAN SILVA

A primeira assembleia-ato unificada dos comandos locais de greve das quatro universidades federais do Rio de Janeiro culminou com uma passeata e o fechamento de uma das pistas da Linha Vermelha. A manifestação reuniu os trabalhadores  técnicos-administrativos em educação da UFRJ, Universidade Rural, UFF, Unirio e Ifrj a partir das 10h, nas escadarias do Centro de Ciências da Saúde (CCS) que dá acesso ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). O movimento liderado pela Fasubra reivindica o cumprimento na íntegra do acordo assinado com o governo há dois anos.

Palavras de ordem como “Greve geral em toda federal”; “Trabalhador não dê bobeira, venha lutar pela carreira” e “A nossa luta unificou é estudante junto com trabalhador” deram ritmo à caminhada que saiu de frente do Hospital Universitário e chegou na Linha Vermelha, interrompendo por vários momentos em alguns minutos, o trânsito de veículos em direção a Ilha do Governador. A manifestação seguiu até o Terminal BRT-Fundão Aroldo Melodia e foi encerrada no mesmo ponto de partida.

Os trabalhadores das unidades de saúde do Complexo Hospitalar da UFRJ sob gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) — (HUCFF, Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) e Maternidade Escola –,  em greve por reposição salarial e escala de trabalho menos escorchante, entre outros cláusulas sociais, participaram da  assembleia-ato e da manifestação. O slogan “Ebserh e RJU juntos pelo futuro do HU” selou a unidade.

 

A maioria absoluta dos técnicos administrativos da UFRJ presentes na assembleia-ato votaram pela continuidade da greve. Nas suas manifestações ao microfone, os três coordenadores-gerais do Sintufrj afirmaram:

Esteban Crescente — “Estamos em greve pelo cumprimento integral do acordo assinado com o governo em 2024, pelos serviços públicos com qualidade para a população e por mais recursos para as instituições federais de ensino, cujos investimentos na educação e saúde, entre outras  áreas essenciais à vida, foram zerados nos governos Temer (Michel) e Bolsonaro (Jair)”.

Francisco de Assis — “Este ato unitário de greve é muito importante. Saúdo os companheiros que saíram de madrugada de Macaé e os aposentados que estão conosco lado a lado nesta luta. A gente precisa tensionar e cobrar na porta do Planalto. Se o país, a educação, a saúde estão quebradas é porque um quarto do orçamento público foi sequestrado pelo Parlamento. Dos 513 deputados e senadores, apenas 130 legislam em favor de políticas públicas. E temos que reconhecer que os avanços que obtivemos foi pela política que está posta pelo governo federal atual”.

Sharon Stèfani — “Este ato é para mostrar à comunidade universitária e ao público o que estamos defendendo, que é o cumprimento integral do acordo e investimento nas universidades e institutos federais. A estrutura da UFRJ está capenga, o que se reflete nas nossas condições de trabalho. Uma realidade que não deve ser diferente nas outras Ifes. Também estamos na luta contra o assédio moral e sexual na instituição, na defesa da integridade física e emocional dos servidores e estudantes.”

RSC e 30 horas 

O movimento grevista é pelo cumprimento integral do acordo assinado com o MEC e o Ministério de Gestão e Inovação nos Serviços Públicos (MGI) que pôs fim à greve de 113 dias há dois anos. Entre as cláusulas não atendidas, a Fasubra tem centrado a fogo nas mesas de negociações no Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e jornada de 30 horas para todos os técnicos administrativos em educação.

No momento, a expectativa é pelo conteúdo do decreto que o governo terá que editar regulamentando a aplicação do RSC. A categoria reivindica que seja adotada a proposta apresentada pela Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC)/Fasubra. O Projeto de Lei 5.874/2025 aprovado no Congresso Nacional institucionalizando o RSC para os técnicos administrativos em educação (o benefício já existe para os docentes) foi assinado pelo presidente Lula no dia 30 de março.

COMENTÁRIOS