GT Antirracista descortina Panteras Negras

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O tema da reunião mensal do GT Antirracismo, realizada dia 29 de abril, no Espaço Cultural, foi “Conhecendo o Partido dos Panteras Negras”. A cada evento o GT traz um tema e uma abordagem diferente.

O Partido dos Panteras Negras (BPP), fundado em 1966 na Califórnia por Huey Newton e Bobby Seale, foi um movimento revolucionário antirracista de autodefesa contra a brutalidade policial e opressão racial nos EUA.  Os Panteras Negras influenciaram diversos movimentos sociais ao redor do mundo, deixando um legado duradouro na luta por direitos civis e justiça social. Seu uniforme era boinas pretas, jaquetas de couro e tinham como símbolo o punho erguido (símbolo do “Black Power”).

O convidado desta reunião do GT foi o educador social Gaspar Fraga, que falou sobre a história do partido, sobre os bastidores do movimento e da ideologia marxista defendida pelos panteras negras. Ele explicou que o movimento tinha como objetivo combater o racismo estrutural, a violência policial e o capitalismo, lutando pela libertação e autodeterminação da comunidade negra.

Sob a ideologia marxista e foco na comunidade negra o movimento destacou-se por patrulhas armadas, programas sociais (como café da manhã para crianças) e o lema de “Poder ao Povo”. Suas ações e estratégias foram o patrulhamento armado de bairros para inibir abusos policiais, a criação do “Programa de 10 Pontos” (exigindo moradia, educação, fim da brutalidade), e programas sociais como “Café da Manhã para Crianças”.

O grupo foi considerado uma grande ameaça ao status quo nos EUA, sofrendo forte repressão do FBI. Conflitos internos e prisões de membros enfraqueceram o grupo na década de 1970 e que acabou no início dos anos 1980.

Livro

No tradicional sorteio realizado pelo GT o livro escolhido foi “Os Panteras Negras” do professor e pesquisador Henrique Marques Samyn que apresenta uma breve introdução à trajetória do Partido Panteras Negras, suas perspectivas políticas e seu legado.

Didático, o livro oferece uma importante compreensão da história do Partido Panteras Negras – que envolveu a criação de serviços para a comunidade negra estadunidense, a promoção da educação, além do repúdio ao fascismo e ao sexismo – e contribuiu para a luta por liberdade e efetiva construção de uma aliança antirracista.

Os sortudos foram o próprio palestrante Gaspar Fraga e o sindicalizado Geraldo Teotônio.

Filmes

O movimento deu origem a vários filmes com destaque para o documentário Black Panthers de 1968 dirigido por Agnès Varda. O filme aborda o Partido dos Panteras Negras em Oakland, Califórnia, durante os protestos contra a prisão de Huey P. Newton, cofundador dos Panteras Negras, pelo assassinato do policial John Frey em 1967. Ele foi recomendado pela coordenação do GT Antirracista para ser visto pelos participantes antes da reunião para subsidiar o debate.

O documentário narra que no verão de 1968, grupos de pessoas chegam a Oakland para protestar contra a prisão de Huey Newton. No documentário, o próprio Newton é entrevistado e fala sobre o tratamento inadequado que recebeu enquanto encarcerado, bem como aborda os dez ideais do movimento Pantera Negra, que inclui proteger a comunidade negra da violência policial, informá-los sobre seus direitos e aproveitar a leis de armas de fogo para obter licenças de porte e armar os Panteras para ‘policiar a polícia’, isto é, garantir que os direitos das pessoas negras fossem aplicados em abordagens e outras ações policiais.

Outras pessoas são entrevistadas, incluindo Kathleen Cleaver, professora de direito e ativista americana integrante do movimento Black Power e do Partido dos Panteras Negras, que fala sobre o movimento negro em defesa do cabelo natural e, ainda, aborda a necessidade do crescimento de mulheres em posições hierárquicas no Partido dos Panteras Negras. O filme termina com a condenação de Newton por homicídio culposo; e expõe um crime de ódio praticado por dois policiais, que atiraram em uma janela de um escritório do Pantera Negra onde uma foto de Newton havia sido estampada.

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