. Sistema Integrado de Alimentação faz um trabalho essencial, mas invisível para a maioria
Em nenhum momento da greve dos técnicos administrativos em educação, movimento iniciado na UFRJ em 9 de março, os estudantes de todos os campi da universidade ficaram sem alimentação. Os 20 profissionais do Sistema Integrado de Alimentação (SIA) – nutricionistas, técnicos de nutrição, auxiliares de cozinha e assistentes administrativos – estão se revezando para garantir a produção e distribuição das 12 mil refeições diárias no Restaurante Universitário Central (RU), como também no CT-2, em Macaé e Duque de Caxias.
“O RU contribui para a estabilidade de uma formação de qualidade”, define a nutricionista Júlia Ramalho. A colega de equipe, Tatiana Schiavone, sintetiza: “O SIA atua pela permanência estudantil, atendendo à demanda dos alunos que precisam de alimentação”. Essa política de garantir alimentação à comunidade estudantil surgiu na UFRJ na década de 1960, mas foi descontinuada até 2007, quando da inauguração do bandejão da Faculdade de Letras. Um ano depois o RU abriu suas portas.
Trabalho essencial
O Sistema de Alimentação na universidade é totalmente de responsabilidade de técnicos administrativos, que desempenham funções estratégicas para os estudantes serem alimentados diariamente, inclusive nos fins de semana e feriados. A equipe fica de sobreaviso 24 horas. Todas as etapas são realizadas pelos servidores do SIA de acordo com suas especializações.
Tais como: análises técnicas para elaboração de termos de referência e editais de contratação de serviços de alimentação, controle dos vários contratos de operacionalização – a limitação de recursos leva à terceirização que reduz custos –, fiscalização de toda a produção das refeições, desde a compra dos produtos — definição do tipo de arroz, a qualidade das frutas, por exemplo –, estoque, gestão administrativa e acompanhamento de obras nas unidades, bem como aquisição, instalação e funcionamento de equipamentos, participação no planejamento e execução de atividades de formação profissional, junto às equipes da UFRJ e trabalhadores terceirizados, e demais tarefas afins.
No período de greve, a única restrição adotada pelos trabalhadores do SIA, e com a concordância do Comando Local de Greve (CLG), foi em relação às visitas técnicas, que ocorrem com frequência, inclusive de outras universidades. São os profissionais do sistema que recebem e apresentam o RU aos visitantes. Como também sãos eles que atendem os estagiários do Instituto de Nutrição Josué de Castro e da graduação em Gastronomia.
Necessidades urgentes
O SIA realiza um trabalho técnico essencial, mas invisível para a maioria da comunidade universitária. Até mesmo para a Reitoria, que se preocupa em atender às reivindicações dos alunos sem ter ideia do trabalho desenvolvido pelos profissionais da equipe. Aliás, uma das urgências é a recomposição do quadro, porque a demanda aumenta e o número de servidores só diminui; estrutura de trabalho em todas as salas onde os profissionais do Sia atuam e melhoria na infraestrutura do Restaurante Universitário Central pela saúde dos terceirizados e conforto dos estudantes, que reclamam do ar-condicionado sempre quebrado, das filas enormes e do refeitório pequeno. Espaço apertado para fazer as refeições é um problema comum dos bandejões.
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Rotina alimentar na universidade
As 12 mil refeições do RU são servidas na própria unidade e distribuídas na Faculdade de Letras, Praia Vermelha, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), Faculdade Nacional de Direito (FND) e Colégio de Aplicação (CAp). A cozinha do CT-2, montada pela empresa contratada, produz a alimentação servida lá, tem o apoio do RU. Na UFRJ, em Duque de Caxias, é um outro contrato e as refeições são preparadas no local. Na UFRJ-Macaé, a empresa terceirizada tem cozinha fora do campus e as refeições são direcionadas aos estudantes no Centro Multidisciplinar e no Nupem. Em todos esses locais há um nutricionista do SIA supervisionando os serviços.
A UFRJ oferece café da manhã, almoço, janta e ceia. Os cardápios são planejados pelos técnicos do SIA, de acordo com padrões das políticas estudantis, e discutidos com as empresas. Tem ainda o cardápio vegano, cujas receitas foram testadas em casa pelas nutricionistas e estão à disposição no Instagram e site do RU. Um Laboratório Dietético e uma horta cuidada em parceria com alunos de extensão fazem parte do complexo do RU.
Com o objetivo de estimular a agroecologia, os trabalhadores do SIA reúnem grupos de alunos da extensão ligados ao meio ambiente e preocupados com vida saudável para saírem em mutirão pelo Fundão para colher plantas não convencionais, sem agrotóxicos e utilizar principalmente em alimentos veganos. Segundo as nutricionistas, há muita chaya no campus.
Alojamento — Na Residência Estudantil, são servidos café da manhã, lanche e ceia. Dos 500 residentes, 200 consomem café da manhã e lanche. Pequenas refeições são produzidas lá mesmo.





