O pró-reitor de Gestão e Governança Fernando Peregrino apresentou, na sessão do Conselho Universitário de quinta-feira, 13, a evolução das contrapartidas na UFRJ do projeto do novo Canecão. Acompanhado de outros integrantes do Comitê Gestor responsável pelo acompanhamento e fiscalização do contrato de concessão, que Peregrino coordena, apresentou um relatório parcial mas que ilustra o que vem sendo feito na Praia Vermelha, em paralelo às obras do Equipamento Cultural Multiuso.

O projeto estabeleceu a criação de um espaço cultural, um edifício acadêmico e um restaurante universitário no campus da UFRJ na Praia Vermelha. O terreno do antigo Canecão, de propriedade da Universidade, foi concedido para exploração pelo consórcio Bônus-Klefer por 30 anos. Então, a previsão era de que as obras fossem concluídas em 2026. Mas hoje há novos prazos.

O espaço cultural multiuso, com 20 mil metros quadrados de área construída, terá teatro, museu, salão de exposições. A a contrapartida prevê, na PV, novo prédio acadêmico com 68 salas de aula e três pisos e um restaurante com capacidade para 2 mil refeições por dia.

Peregrino apresentou imagens aéreas do canteiro de obras, cronogramas e projetos. A previsão é de que em 2028 seja entregue o complexo do Novo Canecão. E a primeira laje do restaurante também está de pé e, para este, a estimativa de entrega é em março de 2027 e o prédio de salas de aula em setembro de 2027.


Mural do Ziraldo preservado para restauração

Histórico: Movimento questionou
O Conselho Universitário aprovou em novembro de 2022 a cessão dos 15 mil metros quadrados do campus da PV, para a iniciativa privada prevendo a construção da casa de shows no antigo Canecão e contrapartidas para a universidade, sob forte questionamento de parte da comunidade universitária.
A UFRJ assinou, no dia 7 de junho de 2023, a concessão por 30 anos, de área no campus da PV com o equipamento cultural multiuso (ECM), com o Consórcio Bônus-Klefer que seria responsável, como contrapartidas pela construção do restaurante e o pavilhão de aulas. A UFRJ teria direito, então, a uso de 270 dias por ano do Espaço Ziraldo e a 50 dias por ano do espaço cultural multiuso.
Quando se iniciou o movimento de buscar recursos colocando à disposição da iniciativa privada imóveis da UFRJ, setores da comunidade universitário manifestaram grande preocupação com a adoção de iniciativas de mercado como solução dos problemas de uma instituição federal de ensino que sofre com asfixia financeira. Houve seguidos protestos nos colegiados, atos públicos na Praia Vermelha e locais dos leilões dos imóveis cedidos.
O Sintufrj, que integrou com entidades dos demais segmentos o movimento “A UFRJ não se vende”, criticou a entrega de patrimônio. “É fundamental desmentir fake news de que somos contra a reabertura do Canecão, muito pelo contrário, queremos um Canecão reaberto, popularizado e conectado com a UFRJ. E por isso esse projeto não nos serve. Essa luta não se encerra neste dia”, declarou, em um dos atos, a então coordenadora geral do Sintufrj, Marta Batista. “Vamos continuar e alertando a população sobre o que isso significa. Não devemos ancorar nossas expectativas de melhoria no orçamento da universidade, das condições para aula, trabalho e de atendimento à população nesse viés de captação de recursos. Devemos lutar para que haja recomposição de orçamento”, disse o coordenador Esteban crescente.




