O GT LGBTQIA+ do Sintufrj foi retomado agora em setembro com o objetivo de despertar, difundir, socializar, explicar e colocar as demandas do universo LGBT. A decisão da retomada, após um longo período de inatividade, foi deliberada em assembleia geral da categoria técnico-administrativa.
A primeira atividade, realizada na sala de reuniões da sede do Sintufrj dia 22, teve como tema “Letramento LGBTQIAPNb+” tendo a palestra ministrada pelo diretor de Gênero e Pertencimento da Superintendência-Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA) da UFRJ, Márcio Neves.
Ele ensina que para saber lidar com o universo diverso LGBT é preciso conhecimento e compreensão. “Letramento significa adquirir conhecimentos e referências que permitam compreender diferentes identidades e orientações, reconhecer situações de preconceito, evitar micro agressões e agir de maneira adequada diante de situações de violência ou discriminação”, explica Márcio.
Foi uma bela reestreia para promover formação e instigar o diálogo e a reflexão sobre diversidade, respeito e direitos da população LGBTQIAPNb+. Márcio explicou o que é letramento, sua importância, falou sobre identidade de gênero como cisgênero e pessoa não binária, orientação sexual e destrinchou a sigla:
L – Lésbicas; G- Gays; B- Bissexuais; T -Transgêneros; Q – Queer; I – Intersexo; A – Assexuais; P – Pansexuais; N – Não binárias; b+ – Outras identidades e expressões.
Um dos integrantes do GT, Marcos Padilha, explicou a motivação da retomada do GT.
“Nós retomamos as atividades por entender que a temática LGBTQIAPNb+ é urgente para dentro e fora do sindicato. Os casos de agressão vêm aumentando e políticas para a comunidade estão sob o risco de candidatos de extrema direita as anularem. Enfim, retomamos por entendermos a importância e a necessidade do momento”, disse Marcos Padilha.



Segundo Márcio Neves, o letramento é mais do que necessário, principalmente no ambiente universitário.
“A universidade é um espaço de formação, produção de conhecimento e convivência. Por isso, garantir um ambiente respeitoso e seguro para todas as pessoal não é apenas uma questão de relacionamento interpessoal: é parte da responsabilidade institucional de uma universidade comprometida com a democracia, os direitos humanos e a educação. Para o Sintufrj, esse compromisso também se relaciona à defesa dos direitos dos trabalhadores e à construção de relações de trabalho baseadas no respeito à diversidade.”
Márcio apresentou dados de uma pesquisa feita pela Aliança Nacional LGBT em escolas de todo o país, afirmando que os desafios estão colocados. Segundo ele, entre os estudantes LGBTQIAPNb+, 86% afirmam sentir-se inseguros no ambiente educacional. Entre estudantes trans, esse índice chega a 93%. Os estudantes LGBTQIAPNb+ relatam também agressões verbais (90%) e violência física (34%).
Sobre violência ela não se restringe às relações entre estudantes, revela Márcio. Os dados apontam estudantes (97%), professores (34%) e gestores (16%) entre os autores das agressões.
Já o apoio institucional, afirma, fica a dever. Entre aqueles que buscaram apoio, 69% afirmaram não ter recebido qualquer providência. E as consequências são concretas: 47% relataram ter faltado às aulas e 94% relataram depressão no mês anterior à pesquisa.
“Esses números mostram que não basta reconhecer que a discriminação existe. É preciso desenvolver capacidade para identificá-la, preveni-la e enfrentá-la. É nesse contexto que o Letramento LGBTQIAPNb+ se torna ferramenta necessária também para os trabalhadores técnico-administrativos e para a atuação do GT LGBTQIA+ do Sintufrj”, declarou Márcio.
O diretor de Gênero e Pertencimento da SGAADA chama atenção de que a informação é uma forma de prevenção. “Mais do que combater a discriminação depois que ela acontece, precisamos criar condições para que aconteça cada vez menos. Uma universidade que educa para a cidadania e um sindicato que defende direitos também precisam estar preparados pata promover os respeito às diferenças”, sustentou Márcio Neves.
Nova reunião está marcada para o dia 20 de outubro, das 14h às 17h, na Sala de Reuniões do Sintufrj.




