‘A população precisa da gente’

Compartilhar:

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on whatsapp

Tony Figueiredo, o diretor da Divisão de Enfermagem do Hospital do Fundão, relata o impacto da epidemia no dia a dia de um profissional de saúde

No olho do furacão das ações relacionadas ao combate do coronavírus no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), Tony Figueiredo têm vivido dias intensos. Diretor da estratégica Divisão de Enfermagem (DEN) do hospital, este enfermeiro intensivista, pai de uma menina diabética de 8 anos, expressa a alma despojada de milhares de profissionais de sáude que, num solavanco do destino, foram colocados num cotidiano de incerteza trazido pelo vírus desconhecido.

Tony está na direção da DEN desde dezembro de 2017. Na UFRJ há 14 anos. Outra parte de sua jornada de trabalho ele cumpre no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP, da UFF), desde 1994.

Nesta terça-feira, 12 de maio, se comemora o Dia Internacional do Enfermeiro. Tony deseja com a efeméride inspire a sociedade a valorizar a profissão, cuja importância ganhou visibilidade na crise sanitária.

“Falando como enfermeiro, também tenho família, uma filha de 8 anos que é diabética. Tem um mês que não a vejo. Está com meus pais, isolados, em Arraial do Cabo”, conta. A sua esposa também é enfermeira. Os dois tomaram a decisão de deixar também os outros dois filhos com os avós.

Preocupação com quem a gente ama

“A gente fica com muito medo, não é nem tanto por nós, profissionais de saúde”, disse, tentando esconder a emoção. “O maior medo é de contaminar pessoas que a gente ama. Sabemos do nosso dever, da nossa responsabilidade social neste momento. A população precisa da gente. Por isso que a gente pede: evite sair de casa para evitar a circulação do vírus e a gente possa controlar essa pandemia”.

O enfermeiro lamenta a resistência ao isolamento social no Rio de Janeiro e em outras partes do país.

Na cadeia de preocupações de um líder de equipes em hospital em tempos de epidemia, além, claro, da assistência aos pacientes, estão incluídas a atenção aos profissionais que atuam na linha de frente, a forma correta do uso do equipamento de proteção individual (EPI), e o treinamento (inclusive com os colegas novos, recrutados no calor do combate à covid-19)

Há muitos profissionais afastados por conta de casos suspeitos ou confirmados de contaminação ou porque são da população vulnerável (cerca de 300, só na enfermagem). “Tentamos adequar os profissionais que têm certa vulnerabilidade ou idade avançada aos locais que não requerem atenção a pacientes acometidos por Covid-19”, conta Tony.

O HUCFF foi dividido em alas. Uma é dedicada aos pacientes acometidos por covid-19 e outra para os demais. Há novos profissionais contratados que ainda estão se adaptando à rotina.

DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO

O 12 de Maio, o Dia Internacional da Enfermagem é celebrado mundialmente desde 1965. Porém, oficialmente esta data só foi estabelecida em 1974, a partir da decisão do Conselho Internacional de Enfermeiros.

COMENTÁRIOS