GT Antirracista debate intolerância religiosa

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19ª Caminhada da Liberdade Religiosa acontece neste domingo, 20 de setembro, na orla de Copacabana

O combate à intolerância religiosa foi o tema da reunião mais recente (17/09) do GT Antirracista, às vésperas da 19ª Caminhada da Liberdade Religiosa que acontece neste domingo, 20 de setembro, na orla de Copacabana. Militante e professor, Ivanir dos Santos, que há 40 anos atua na defesa da causa, dos direitos humanos e das pluralidades contra o racismo foi o convidado para tratar do tema.

A caminhada é um encontro inter-religioso que reúne representantes de diferentes tradições, lideranças religiosas, artistas, grupos culturais, famílias e participantes vindos de diversas partes do país em um grande ato pela convivência, pelo respeito e pela liberdade de crença.

O evento é organizado pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas) e pela CCIR (Comissão de Combate à Intolerância Religiosa) para promover o respeito à diversidade de crenças.

Militância

Ivanir dos Santos recebeu o prêmio Internacional Religious Freedom (IRF), em julho último. Esse prêmio foi entregue pelo Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos durante evento em Washington pela sua importância na luta contra a intolerância a praticantes de religiões de matriz africana no Brasil. Seu nome é uma referência.

Ele é interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) há doze anos – e, em parceria com o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a CCIR vem chamando a atenção da sociedade e das autoridades públicas para o perigo da construção de um estado teocrático em um país constitucionalmente laico como o Brasil.

Suas lutas muitas vezes se entrelaçam à história de vida de tantas crianças pretas nascidas na Favela do Esqueleto, removida da área onde existe a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para Bangu, no início dos anos 60.  No Esqueleto, Ivanir foi criado pela mãe, a doméstica Sonia, até os seus 7 anos, quando ela foi brutalmente assassinada.

Pesquisa

Ivanir que apresentou sua tese de doutorado que resultou no livro “Marchar não é caminhar” que levanta e analisa as interfaces políticas e sociais das religiões de matrizes africanas no Rio contra os processos de intolerância religiosa e o racismo no Brasil, entre 1950 e 2008.

Com esta pesquisa, Ivanir se credenciou como doutor em História Comparada pela UFRJ, em maio de 2018. O título conta também com prefácio de Muniz Sodré, professor da UFRJ, e orelha de Lazare Ki-Zerbo, vice-presidente do Comitê Internacional Joseph Ki-Zerbo para a África e a Diáspora (CIJKAD).

Livro

O livro de Ivanir “Marchar não é caminhar” foi a obra desse mês sorteada na reunião do GT Antirracista. Os agraciados foram a companheira Poliana Rangel, da Faculdade de Educação, e Débora  Oliveira, aposentada. Essa obra nasce também de uma vida inteira dedicada às religiões de matriz africana, mas vai muito além do testemunho pessoal.

O livro mostra que a história das religiões afro-brasileiras não é uma história de folclore, mas uma história de resistência, inteligência coletiva, articulação comunitária e potência espiritual. Ele reconstrói essa trajetória com respeito, mostrando que o terreiro é um espaço político, ético e civilizatório que foi sistematicamente atacado por séculos e que, mesmo assim, permanece como um dos centros mais vivos de produção de sentido no país.

A força simbólica do título percorre todo o texto. Marchar aparece como uma exigência histórica imposta ao povo de santo, que sempre precisou reagir, resistir, se defender, enfrentar a violência organizada do racismo religioso, da demonização neopentecostal e da omissão estatal.

Caminhar, por outro lado, surge como o direito que lhes foi negado e que o livro reivindica. Caminhar significa exercer a fé sem medo, praticar a espiritualidade com dignidade, existir sem ter de justificar a própria existência.

É um livro que mostra com clareza que a luta pela liberdade religiosa no Brasil não é um apêndice secundário da pauta de direitos humanos. Ela é central, estrutural e decisiva para compreender o que significa viver em um país marcado pela escravidão, pelo racismo e pela disputa entre projetos de sociedade. FOTOS: RENAN SILVA

IVANIR DOS SANTOS na palestra no Espaço Cultural
O PROFESSOR, ESCRITOR E ATIVISTA com dirigentes e apoiadores do SINTUFRJ

 

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