Pesquisadores da UFRJ explicam por que recomendam bloqueio para o estado

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Bloqueio total das atividades não essenciais. Lockdow! É o que recomenda um grupo de pesquisadores da UFRJ, caso não haja a redução rápida da velocidade de transmissão do novo coronavírus no Estado do Rio. Segundo os especialistas, esta é a forma mais eficaz para poupar vidas e evitar o colapso do sistema de saúde.

A recomendação dos pesquisadores se baseia no modelo computacional desenvolvido pela Coppe, que leva em conta os casos da Covid-19 confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio e a constatação de que cada pessoa infectada é capaz de transmitir o vírus para outras 2,46 pessoas em média.

 

Dados

 

De acordo com os cientistas da universidade, o número de infectados no estado poderá chegar a 40 mil no pico da pandemia, previsto para a primeira quinzena de junho.

O modelo da Coppe tem condições de fazer estimativas diárias sobre todo estado, com base na evolução dos casos notificados desde o início da pandemia. A projeção no momento é de que, mantido o cenário atual e com apenas 50% da população em isolamento, o número de óbitos poderá chegar a 30 mil pessoas até o final da pandemia.

Pesquisa

A pesquisa em curso é coordenada por Guilherme Travassos (coordenador do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (Pesc) e do grupo de Engenharia de Software Experimental da Coppe,  Roberto Medronho, (Faculdade de Medicina) e Claudio Miceli de Farias, da Coppe e do Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (NCE).

Medronho, que lidera o Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19 da UFRJ, explica que as medidas de isolamento social adotadas têm contribuído para reduzir o número de casos, mas não são suficientes.

Ele defende como necessária a adoção do lockdown, tendo em vista o comportamento da população até o momento e a insuficiência de infraestrutura hospitalar do Rio de Janeiro. Segundo Medronho, no ritmo atual, seriam necessários novos 800 respiradores para todo o Estado do Rio.

De acordo com Guilherme Travassos, o trabalho desenvolvido inicialmente pelo grupo multidisciplinar da UFRJ para subsidiar tomada de decisões, por exemplo quanto ao Complexo Hospitalar, ganhou dimensão diante da gravidade da situação no estado. O grupo de pesquisa indicou o lockdown às autoridades de saúde no dia 22 de maio.

“Estamos falando de salvar vidas. Neste cenário temos que ser conservadores. O lockdown é uma atitude conservadora, de preservação da vida”, afirma Guilherme. O bloqueio reduz a chance de propagação do vírus, avisa.

Acessível à população 

O modelo computacional da Coppe consegue  recalcular automaticamente o cenário atual e projetar consequências de medidas adotadas 15 dias antes, o que o torna uma ferramenta importante para embasar decisões de gestores públicos. E ainda oferece uma espécie de “velocímetro” para que a população possa ver a evolução dos casos e das previsões, todos os dias.

Essas informações serão disponibilizadas em breve no site https://dadoscovid19.cos.ufrj.br e sinalizará o risco de colapso no sistema de saúde.

“No fundo, a maioria das pessoas quer saber se (o quadro) está bom ou ruim. E foi o que a gente tentou fazer. Junto com o modelo, bolou um marcador de risco justamente para tentar passar para a população a velocidade da propagação e contágio, indicada pela movimentação de um ponteiro. Quanto mais veloz, maior o risco. Quando passa do número dois, esse indicador (que aponta quantas pessoas tem a chance de se infectar com cada caso positivo), informa uma evolução exponencial.

Falsa ilusão

Segundo o coordenador da pesquisa, nesse momento há uma falsa ilusão de que os indicadores estão melhorando. “Na realidade, não estão. São ciclos. Quando diminui a movimentação da população, em torno de uma semana, uma semana e meia, há redução do número de casos e atendimentos”. Para ele, portanto, a quarentena é necessária.

“Não dá para pensar em relaxar. Como Medronho colocou, o pico será no início de junho e precisamos de algumas medidas para controlar isso. O modelo da Coppe indica a gravidade do problema, e o resultado  reforça ainda mais a necessidade deste isolamento. Mas a decisão não cabe a nós”, conclui Guilherme.

PARA PESQUISADORES, o isolamento social rigoroso é o caminho para codnster a expansão descontrolada da epidemia e mais mortes

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