Sintufrj prepara fórum sobre uberização* do serviço público

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Encontro de TAEs será no início de setembro, com apresentação de servidores e participação de convidados que estudam o mundo do trabalho

A crise sanitária acelerou mudanças nas relações de trabalho, as quais já vinham numa trajetória de precarização, com crescente perda de direitos para os trabalhadores. Já há algum tempo, a uberização* ingressou no cotidiano do Brasil e do mundo.

O impacto desse cenário atingiu em cheio o setor privado e a imensa massa de quase 50% da mão de obra ativa do país, que já sobrevivia na informalidade. Com a pandemia do coronavírus, alcançou de forma abrangente o serviço público, na modalidade de trabalho remoto e do afastamento dos que não trabalham com tecnologias de informação.

Para debater o atual momento, o Sintufrj vai realizar no início de setembro o 1º Fórum Técnico-Administrativo em Educação, que terá como tema a Uberização do Serviço Público.

O evento pretende ser o começo de profunda reflexão sobre a universidade, seus servidores e da busca de respostas possíveis que esses tempos adversos exigem.

O programa prevê três dias de jornada com mesas temáticas nas quais seremos participantes críticos, observadores, ouvintes e proponentes. Em transmissões virtuais ao vivo, apresentações serão realizadas por servidores, com relatos sobre suas experiências, êxitos e frustrações no exercício de suas funções. Depoimentos também poderão ser enviados em pequenos vídeos gravados por meio de celulares.

O objetivo é tornar o mais abrangente possível essa proposta de reflexão coletiva. O debate será enriquecido com a participação de convidados que estudam e pesquisam a nova realidade no mundo do trabalho.

A elaboração de propostas para o futuro imediato, e numa perspectiva estratégica descortinar alternativas sobre os rumos da carreira dos técnicos-administrativos em educação, é a meta do fórum.

A construção de um projeto de universidade deve ser o centro das preocupações à luz dos temas que serão discutidos no 1º Fórum Técnico-Administrativo da UFRJ.

Prepare-se!

*Uberização: a exploração se reinventa

Sinais dos tempos, entregadores de aplicativos, um novo segmento de trabalhadores que ganhou musculatura na crise econômica e se tornou visível na pandemia, iniciaram recentemente movimento reivindicatório.

Afinal, o que é esse processo em que o trabalhador passa a não ter mais seu emprego e, além de continuar a vender a força de trabalho, é obrigado a bancar os meios de produção (sua bicicleta, seu carro, sua bolsa, seu celular) em jornadas de trabalho ilimitadas?

Mais de 40% da classe trabalhadora brasileira já atuava na informalidade até 2019, e esse abismo ganhou mais fôlego no curso da pandemia da Covid-19.

No serviço público, em especial nas instituições federais de ensino, fomos surpreendidos com o trabalho remoto, obrigados a exercer nossas funções distante dos locais habituais. Essa situação antecipa, na prática, a implantação massiva do teletrabalho – cuja implantação consta da Instrução Normativa 01, de 2018, do antigo Ministério do Planejamento. Trata-se de uma nova modalidade de trabalho, que leva os servidores ao “trabalho uberizado” quando não oferece condições necessárias para a execução das atividades (o que ocorre desde 16/3/2020, início da quarentena).

A ARMADILHA

Muitos de nós já sofríamos com o assédio, via tecnologia da informação, há alguns anos: e-mails e mensagens de WhatsApp enviados a qualquer hora do dia e em fins de semana, fora da hora do expediente, sem nenhum respeito à jornada de trabalho. Não responder de imediato à mensagem passou a ser percebido como insubordinação ou descompromisso.

Empurrados para trabalhar em nossas casas e utilizando nossos próprios meios de tecnologia da informação e insumos (computador, notebook, celular, impressora, scanner, acesso à internet, energia, mesa e cadeira, espaço privado familiar – invasão de privacidade, etc.), nos vimos pressionados a abdicar do espaço de relaxamento e dedicação aos que amamos. Em nossa casa, transformada em local de trabalho, nos chamam a qualquer momento, por meio de plataformas de vídeo, violando nosso espaço privado.

Em função da pandemia, os servidores públicos foram forçados a essa modalidade, com raras exceções para os profissionais indispensáveis ao trabalho presencial. Nas Ifes, os debates se concentraram no âmbito do lançamento da frequência, em decorrência da política de cortes na remuneração, mas o que está em jogo são as relações e a precarização do trabalho.

COMO SERÁ O AMANHÃ

O que vai acontecer no pós-pandemia? Vamos aceitar ter nossa privacidade violada? Continuaremos a usar nossos equipamentos e insumos, sem nenhuma compensação? Vamos transformar nossas residências em espaço público? Continuará a ser uma imposição, sem direito a opção? Como esse modelo se reflete na prestação de serviços públicos, vamos adotar o telemarketing? Qual seu impacto nas atividades de ensino, de extensão, de gestão de pessoas, na saúde, na gestão universitária e na circulação da informação e comunicação institucional? Nossa produção será quantificada como mercadoria, como indica o Programa de Gestão (IN1/2018) e a política de resultados como está no Future-se (PL nº 3076/2020)?

A busca por essas respostas dará forma e conteúdo ao Fórum.

. A partir desta quarta-feira, 29 de julho, até o início do 1º Fórum Técnico-Administrativo, com início previsto para 2 de setembro, as notícias sobre o evento serão atualizadas com as regras para sua participação, matérias sobre o tema do evento e entrevistas e informações com perfis dos convidados.

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