Câmara de Políticas Raciais abre em março inscrição para formação às Comissões de Heteroidentificação

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A Câmara de Políticas Raciais da UFRJ informa que realizará a 3ª edição do Curso de Formação para Comissões de Heteroidentificação. As inscrições serão previamente divulgadas e ocorrerão no mês de março, assim como as aulas on-line, que terão encontros síncronos para discussão do conteúdo, e os participantes terão que ter no mínimo 75% de frequência para estarem aptos a atuar nas comissões.

A aula inaugural será “Ancestralidade e Diáspora Africana”, e seu acesso será público, no link da Câmara de Políticas Raciais: https://www.youtube.com/channel/UCiqzeAJX39XDigt9iiFhBug. A experiência do curso on-line em 2020 foi promissora, e essa edição será nos mesmos moldes e transmitida pela plataforma AVA. 

Conteúdo

O curso é composto de conceitos fundamentais e relevantes no contexto do racismo e da luta negra no Brasil. Temas como racismo estrutural e institucional, ancestralidade, diáspora africana, interseccional idade, necropolítica, genocídio, encarceramento, branquitude e colorismo estarão nesta edição, que contará com palestrantes docentes e discentes da UFRJ, da rede particular, militantes do movimento negro, assessoria técnica da área de segurança e direitos humanos e parlamentares negros.

A Câmara

A Câmara de Políticas Raciais foi organizada a partir de 2018 para responder à ausência de discussão da pauta racial e investir na construção de políticas antirracistas na universidade. Ela se consolidou através da Portaria 2.271, de 20 de março de 2019, quando se institui o Fórum Permanente de Políticas de Pessoal.  

Hoje, ela se organiza com a representação dos três segmentos da comunidade universitária, lotados em várias unidades e centros na Cidade Universitária, campus da Praia Vermelha, Xerém e Macaé. E atua conjuntamente no acesso à graduação desde 2020, heteroidentificando 4.093 candidatos.

“Temos absoluta convicção da assertividade desta ação que ratifica a Lei 12.711/12 (Lei das Cotas), fazendo com que as vagas garantidas cheguem aos que têm esse direito”, afirma a coordenadora da Câmara de Políticas Raciais, a técnica-administrativa em educação Denise Góes. 

A Câmara atua também na Comissão de Apuração de Fraudes para o ingresso através das cotas desde 2019. E, junto com outros atores, participou da elaboração da Resolução 24, aprovada pelo Conselho Universitário em 26 de novembro de 2020, que versa sobre cancelamento de matrícula para os que ingressarem indevidamente na reserva de vagas raciais e não atenderem ao caráter fenotípico estabelecido.

Referência

“Durante essa curta e significativa trajetória, a Câmara de Políticas Raciais tem se consolidado a cada dia como uma referência da luta no âmbito das relações raciais institucionais, inseridas em importantes processos que fizeram com que a universidade tomasse posicionamentos necessários ao avanço das políticas de democratização do acesso”, ressalta Denise Góes.

“Entendemos a necessidade de nos organizarmos e vencermos a invisibilidade imposta pela sociedade e reproduzida institucionalmente, e sempre buscamos atuar em unidade permanente com os Coletivos Negros Universitários, que foram protagonistas pela instalação das Comissões de Heteroidentificação no acesso à graduação, sendo grandes aliados nesta empreitada de avançar no controle social da política pública, na perspectiva de uma universidade mais plural, diversa e representativa”, complementa Vitor Matos, outro técnico-administrativo integrante da Câmara de Políticas Raciais. 

Cotas, foi um avanço

Para a coordenadora da Câmara, Denise Góes, a UFRJ avançou na aplicação da Lei de Cotas e fortaleceu a democratização do acesso.

“A UFRJ, em seus 100 anos de existência, vive um momento ímpar frente aos desafios colocados numa conjuntura que aponta para discussões e práticas de desmonte de uma casta privilegiada, que considerava a universidade sua propriedade. 

O avanço das políticas de cotas, que agora tem o elemento do cancelamento de matrículas aos que fraudarem o sistema de reserva de vagas, é uma resposta contundente a quem não percebe que é preciso mudar para tornar a universidade mais plural, diversa e representativa. 

Não há mais como retroceder, e a construção da consciência racial crítica está na ordem do dia. A união dos três segmentos (técnico-administrativo, docente e estudante) para a construção de uma política antirracista é o que há de mais positivo neste momento de fortalecimento das políticas públicas de democratização do acesso”, conclui.  

 

 

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