CAP: DEIXARAM O MURO CAIR

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Reitor encerra Consuni e impede Grêmio do CAp de falar. Estudantes continuam sem aula

“Deixaram o muro cair!”. Com manifestações como esta, dezenas de estudantes, professores e técnicos administrativos do Colégio de Aplicação (CAp) ocuparam a sessão do Conselho Universitário (Consuni), nesta quinta-feira, 26, em protesto contra o descaso que culminou com a queda de parte do muro da unidade, no dia 21 de julho.

O que sobrou da construção ameaça desabar a qualquer momento. A unidade fica na Lagoa e lá estudam 780 crianças e adolescentes, que continuam sem aulas por falta de segurança.

Os manifestantes levaram para o Consuni entulhos do desabamento e pedaços do muro mostrando destroços do muro que desabou. Esses objetos foram colocados na bancada onde ficam reitor e pró-reitores, com cartazes em que denunciam os problemas da unidade.

A conselheira Maria Coelho, representante dos professores do Ensino Básico, falou pela comunidade do CAP: “Por sorte, a queda do muro não feriu ou matou estudantes e funcionários, mas ele caiu sobre todos nós. Durante seis meses, nós, servidores e estudantes do CAP, trabalhamos com medo, em um local condenado por um laudo do ETU (Escritório Técnico Universitário) que apontava risco iminente de queda. Mas a reitoria sequer enviou profissionais para realizar o isolamento do local. Seis meses de morosidade no processo que pediu urgência e prioridade máxima. Por isso, todos nós hoje dizemos: deixaram o muro cair”, disse ela.

Resposta imediata

A conselheira apontou os pedaços do muro, “escombros e ruínas de uma escola que, assim como tantos outros espaços dessa universidade, vem sofrendo com condições insalubres de trabalho. Esse não é o único muro que desabou na UFRJ. Muitos muros vêm desmoronando sistematicamente”, lamentou, relacionando várias situações em que a comunidade “deu um jeitinho” a cada problema: “Até quando?”, perguntou, colocando a reivindicação do coletivo: “Exigimos uma resposta imediata da reitoria em relação à situação no Colégio de Aplicação, um calendário efetivo da obra do muro, segurança para a comunidade escolar, atualização e transparência no processo”.

O grupo cobra também atenção para os demais problemas do tradicional colégio da Lagoa, como infiltrações, rachaduras, a falta de destino para dezenas de crianças da Educação Infantil (cuja sede no Fundão foi interditada há três anos) amontoadas em apenas duas salas do CAP. Além, é claro, que se garanta a integridade do restante do muro.

Grêmio do CAP  

Representantes da bancada estudantil pediram a palavra a dirigentes do grêmio do CAP. Mas fala foi negada sob o argumento burocrático de esgotamento do tempo regimental.

O expediente é a parte inicial da sessão em que são apresentadas demandas gerais), antes da ordem do dia (onde os itens da pauta são apreciados e votados) e tem a duração de meia hora.

A fala de cada conselheiro inscrito é de 3 minutos, mas neste mesmo Consuni, houve intervenções que ultrapassaram o tempo e o próprio reitor, que de forma geral responde a algumas das demandas após as falas, o fez durante o expediente. Conclusão, os 30 minutos se encerraram.

Conflito

O reitor Roberto Medronho informou que o Conselho Universitário tem um regimento que precisa ser seguido para garantia da institucionalidade.

“Três minutos para o Grêmio falar!”, “Três minutos para o Grêmio falar!”, pediam os presentes.

“Peço que deixem a reunião continuar. É preciso manter a institucionalidade!”, insistia o reitor que, súbito, decretou “Está encerrada a sessão!”.

“A Reitoria deixou o muro cair!” e “Democracia é ouvir os estudantes e não só a Reitoria”, respondeu o público. No conselho, embora desfeito, permaneceram ainda conselheiros com expressão surpresa para escutar as palavras das jovens do Grêmio do CAP.

Estudantes e trabalhadores falam

“Com reitoria, sem reitoria. Com microfone ou sem microfone, a gente precisa falar sobre a situação de nosso colégio que está caindo aos pedaços há anos” disseram, numa espécie de jogral, as estudantes Sofia Mayumi e Alice Reis, dirigentes do grêmio,

“Até quando as pessoas vão esperar que uma parede caia na cabeça de alguém para que seja feito o que deveria desde início. Nossa escola sofre com esse, sem água, com salas alagadas infiltração, rachaduras por todo prédio”, alertaram.

Edmilson Pereira, coordenador de Educação, Cultura e Formação Sindical do Sintufrj, é técnico-administrativo do CAP há 46 anos. Ele disse que nunca viu algo semelhante acontecer no colégio. “O que mais preocupa é que durante seis meses a escola colocou uma fitinha, pedindo às autoridades que isolassem o espaço, porque é nossa responsabilidade cuidar destas crianças postas em risco durante esses meses com aula normal. Esse problema não é apenas do Colégio da Aplicação, mas de toda universidade”, observou ele, lembrando que a extrema direita vem cada vez atacando a educação para que o setor privado cresça e tome toda educação do país favorecendo a elite.

O conselheiro Milton Madeira reiterou que a educação vem sofrendo ataques da extrema direita, lembrando que as eleições estão próximas. “Educação é um direito constitucional e nesse momento deixar de ouvir o CAP é lamentável, é contra a democracia institucional. Hoje toda a bancada (da reitoria) se levanta para não ouvir o seu corpo social isso é antidemocrático e precisamos corrigir. Depois de um acidente grave, o mínimo é ouvir sua comunidade”, disse ele, propondo que a Reitoria peça desculpas a todas as pessoas que estavam ali. “A democracia morre a cada momento em que a gente deixa de reconhecer a representatividade do movimento democrático institucional”, lembrou.

O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, lembrou que o reitor quebrou várias vezes o protocolo, inclusive usou o tempo do expediente para respostas que poderia dar depois. Ele criticou também a informação anunciada pela representação estudantil de que o apoio da UFRJ para viabilizar a ida de uma delegação de 56 estudante ao congresso nacional em Goiás poderia estar em xeque diante da manifestação no colegiado. Criticou também a possibilidade de que processos que tratam da insalubridade e do tempo especial estão travados por conta da nossa luta contra a assediadora que está na CPST.” É muito ruim o que a Reitoria está fazendo, criando uma ilha em torno de si, quando precisamos fortalecer nossa universidade”, afirmou o dirigente.

A Reitoria informou que a viagem está mantida. “O reitor já havia autorizado e fiz o agendamento. Está garantido”, informou o prefeito Marcos Maldonado. Segundo ele, em nenhum momento o reitor voltou atrás.

A manifestação saiu do salão do Consuni, no Bloco E percorreu os corredores do Centro de Tecnologia até o bloco A, onde houve mais intervenções e protestos denunciando os problemas de o Colégio de Aplicação, como toda universidade vem enfrentando.

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