Lançamento da consulta mobiliza o campo progressista
Fotos: Renan Silva
A segunda-feira, 18 de agosto, foi um dia especial para a comunidade universitária da UFRJ. A data marcou o lançamento oficial do Plebiscito Popular. O evento foi híbrido e articulado pelo Sintufrj, que reuniu a Adufrj, DCE Mário Prata, Associação dos Pós-Graduando (APG), parlamentares e organizações sociais. O auditório do Centro de Tecnologia (CT) foi o palco das manifestações.
“É um prazer como dirigente sindical fazer parte desta mesa plural”, saudou o coordenador-geral do sindicato, Francisco de Assis.
O evento foi on-line e está disponível nas redes do Sintufrj.
Em todo o país ocorre a consulta popular pelo fim da jornada de trabalho 6×1, isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil de salário e a terceira pergunta é específica à população do Rio de Janeiro: contra a privatização da Cedae. “Água não é mercadoria”, lembra a propaganda chamando para participação no plebiscito.
Manifestações
“Temos pouco histórico de realização de plebiscitos, mas conforme assinala a Constituição, o povo é soberano é esse é o principal canal de democracia popular”, destacou a presidente da Adufrj, Maira Goulart. Ela citou como exemplo o plebiscito do desarmamento, uma iniciativa do campo progressista e que foi bem-sucedido.
O diretor da APG, Christother Rocha, defendeu a necessidade de aprofundar o debate sobre o fim da escala 6×1 na comunidade acadêmica. “A VAT conseguiu ampliar o plebiscito para todo o Brasil e dialogar com os trabalhadores sobre a importância de acabar com a escala 6×1”, reconheceu.
O coordenador-geral do DCE Mário Prata, Henderson Ramão, criticou o governo por adotar a política econômica do arcabouço fiscal no lugar e, substituição ao teto de gastos do golpista Michel Temer. “ Em 13 anos, perdemos quase a metade dos investimentos. Bolsonaro quase destruiu a UFRJ. Mas hoje enquanto a dívida pública consome R$ 2 trilhões, a verba da UFRJ é de R$ 423 milhões”, denunciou o estudante.
Parlamentares, dirigentes políticos e sindicalistas
O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) não pode participar presencialmente por motivo de doença, mas se manifestou online. “O fundamental do plebiscito é a opção política. A pauta 6×1 está institucionalizado em todos os estados. Estamos no caminho correto que é a mobilização”, afirmou o parlamentar.
O vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), idealizador do Movimento VAT, definiu que plebiscito popular é onde o povo é protagonista. “ Não tem outro caminho fora da organização. Temos que fazer pressão no Congresso para que a PEC da escala 6x1vá já para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)”, disse
“Este é um importante espaço de diálogo e a gente pensa em estreitar essa unidade, independente das nossas diferenças de leitura do momento político, mas focando nas lutas centrais: na defesa da universidade, da classe trabalhadora e em mudar a correlação de forças no Parlamento na eleição de 2026”, conclamou Francisco de Assis.
Para a deputada estadual Marina do MST (PT-RJ), “um tema fundamental que nos traz o plebiscito é a unidade com as organizações e isso se dá no debate político sobre os temas que temos que enfrentar no Rio de Janeiro e nacionalmente”. Ela acrescentou “que vivemos uma crise global civilizatória e o plebiscito é uma luta pela democracia”.
Juliete Pantoja, da Unidade Popular (UP), como integrante do movimento popular pela moradia, destacou as ações de ruas do seu coletivo político: “Estamos toda semana na rua com nosso jornal A Verdade fazendo o debate sobre os pontos do plebiscito. E é evidente que o trabalhador quer o fim dessa escala”.
Lucas Correa, representante do PCB, considerou que só com unidade do campo progressista se conseguirá barrar o avanço da extrema direita e impulsionar o avanço da classe trabalhadora. Fortalecer o plebiscito popular é um dos caminhos, segundo o militante.
Esteban Crescente, coordenador-geral do Sintufrj, convocou toda a categoria para auxiliar na tarefa de coleta de assinaturas para o plebiscito, na quarta-feira, 20 de agosto. O dirigente destacou como uma das conquistas importantes dos 113 dias de greve dos técnicos-administrativos em educação, além dos ganhos econômicos e sociais dos servidores, a recomposição do orçamento da UFRJ. E defendeu a construção de uma greve geral pelo fim da escala 6×1.





