Pelo alto-falante do carro de som do Sintufrj ou no “corpo-a-corpo” com servidores e a população usuária do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, coordenadores e militantes de base mandaram seu recado, na manhã desta quarta-feira, dia 10: a Reforma Administrativa vai atacar serviços públicos e retirar direitos do povo como saúde e educação.
O ato na porta do HU marcou o início dos dois dias de paralisação nacional dos técnicos-administrativos em educação, dias 10 e 11 de setembro, para, além do protesto contra a Reforma Administrativa, cobrar o cumprimento do acordo assinado com o governo em 2024 depois da histórica greve da categoria de 113 dias.
“Hoje é dia nacional de luta. Servidores do Brasil inteiro estão em frente ao Congresso Nacional, para fazer pressão sobre os parlamentares contra a aprovação dessa “deforma” administrativa que tira o direito da sociedade ao serviço público, que retira direito dos trabalhadores. Nós temos que resistir, fazer o enfrentamento e ter muita organização para não deixar que essa Reforma Administrativa seja aprovada, derrotá-la, como derrotamos na época do governo Temer e Bolsonaro. E lutar para que o termo de acordo seja cumprido integralmente pelo governo”, apontou o coordenador-geral Francisco de Assis.
O assessor sindical Bayron Thadeus apontou que a reforma pretende precarizar ainda mais os serviços públicos, colocando em risco empregos dos servidores públicos mas também a prestação de serviço à população: “Por isso estamos aqui, para conscientizar a polução dos perigos que representa essa reforma. O serviço público corre perigo, consequentemente o acesso da população à saúde, educação, aposentadoria. Os grupos empresariais, deputados do Centrão da Extrema direita planejam uma reforma que, na verdade, pretende atacar o acesso a direitos constitucionais da população e dos trabalhadores e das trabalhadoras ao serviço público. Defenda seus direitos, defenda o serviço público!”.
O coordenador geral Esteban Crescente também apontou que naquele exato momento aconteciam protestos em Brasília pelo cumprimento integral do acordo de greve e conta a Reforma Administrativa. “Nós tivemos um ganho importante na greve, que foram ganhos econômicos que já estão no nosso contracheque, mas entre as nossas vitórias há ainda outras que não foram cumpridas pelo governo e além de tudo estamos sendo ameaçados pela liderança dos partidos de direitos e extrema direita no Congresso com a Reforma Administrativa. Por isso estamos aqui hoje, marcamos aqui essa primeira atividade de diálogo com a base”, disse ele, chamando categoria e população para as demais atividades destes dias de paralisação.
Coordenadores explicam à população a importância da atividade
“Esses dois dias de paralisação são para pressionar o Governo pelo cumprimento integral do acordo de greve, pressionar o Governo a enfrentar a proposta do Congresso Nacional de Reforma Administrativa, que atinge o conjunto dos servidores”, anunciou Esteban.
“O governo precisa cumprir com o que assinou, a regra de transmissão dos nossos apresentados, o debate sobre as 30 horas para fortalecer o serviço público e a ampliação do serviço; a discussão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), e muitos outros pontos valiosos para a categoria e que tem a ver com a democracia da universidade, em que a gente está lutando para que o técnico-administrativo também possa ocupar o cargo de reitor”, disse Francisco.
“Sem anistia para os golpistas! Sem anistia para os golpistas! Taxação dos super-ricos! Isenção do imposto de renda (para quem ganha até R$ 5 mil)! Pelo fim da escala 6×1, sem perda salarial!”, disseram os demais.
Sintufrj percorre universidade
No primeiro dos dois dias de paralisação, dias 10 e 11 de setembro, depois do ato no Hospital Universitário, coordenadores e militantes da base do Sintufrj percorreram unidades para fortalecer a mobilização, algumas das quais enfrentando questionamentos por parte de chefias quanto à suspensão das atividades, outras com setores sensíveis que não podem parar, com atividades consideradas essenciais.
Entre os setores visitados estão pró-reitorias e a Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), setor que está saindo de um período de crise, mas que, no que toca a paralisação também está cumprindo a exigência de manutenção das atividades essenciais.
Os coordenadores verificaram a atividades nos setores, conversaram com os trabalhadores e fortaleceram a organização entre os que de fato podem parar sem implicação nas atividades essenciais. “Foram visitas importantes porque as pessoas sentiram a presença do sindicato valorizando o servidor”, comentou o coordenador-geral Francisco de Assis.
O coordenador Esteban Crescente lembrou a categoria das demais atividades nestes dias de paralisação.
QUARTA-FEIRA, 10/9:
- 14h — Ato em solidariedade à Luta das Mulheres em Defesa da Casa de Acolhimento Almerinda Gama, no Largo do Machado.
QUINTA-FEIRA, 11/9:
- Pela manhã — Doação de sangue no HUCFF.
- 14h – Reunião do GT Mulher Sintufrj, no Centro de Referência da Mulher Suely Souza de Almeida (prédio ao lado da Prefeitura Universitária).
- .16h –Ato Unificado dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, na Candelária, Contra a e Reforma Administrativa e pelo Cumprimento Integral do Acordo de Greve.
Fotos: Renan Silva
Acima, atividade em frente ao HU. Depois, coordenadores visitam setores





