“Avanço inédito na ciência Brasileira!”, “Um marco histórico!”. Com uma sucessão de adjetivos assim, a descoberta de um medicamento promissor para reversão de lesão medular feito por uma pesquisadora da UFRJ, repercutiu nacionalmente, na mídia convencional e nas redes sociais.
Superando todas as adversidades originadas no orçamento muito abaixo do necessário, a UFRJ deu mais uma vez, como em tantas outras oportunidades, provas do seu potencial e relevância para a sociedade.
A pesquisadora é a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, mestre e doutora em Biofísica pela UFRJ e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas (a foto é da Faperj). Sua pesquisa levou ao desenvolvimento, após 25 anos de estudo, da polilaminina, polímero da proteína laminina, base para um novo medicamento para o tratamento de lesões na medula espinhal que causam paralisia.
Isso aponta para uma verdadeira transformação no tratamento de lesões medulares. A laminina é uma proteína extraída da placenta com potencial de modular células e reorganizar tecidos do sistema nervoso.
Medicamento devolve mobilidade de pessoas tetraplégicas
Durante a fase experimental, com perda de movimentos causada por lesões na medula espinhal que receberam o medicamento inédito recuperaram os movimentos, total ou parcialmente.
“Se fazemos isso com os recursos que a gente tem, imagina com os recursos que a gente merece”, destacou o reitor Roberto Medronho em uma rede social há três dias. E ele explica o efeito do medicamento de uma maneira simples: é como se houvesse uma grande rede de fios que conecta neurônios do cérebro aos músculos. Se cortar os fios, interrompe a conexão e o corpo não responde. Mas a nova substância atua como se fizesse um remendo nesta conexão.
O próximo passo é a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização do estudo clínico regulatório mais amplo.
Foto: Capes

A coordenadora do projeto, Tatiana Sampaio (de azul claro), com pesquisadores que integraram a equipe ao longo dos anos; Madalena Barroso é a de verde (Luciana Sposito, Capes)
Estudo já mostrava recuperação
Matéria do portal CAPEC do MEC informa que a então pós-graduanda em Ciências Morfológicas pela UFRJ Madalena Barroso, orientada pela professora Tatiana, com bolsa de doutorado-sanduíche da Coordenação para cumprir parte das pesquisas na Universidade de Miami, nos Estados Unidos, conduziu os primeiros testes das injeções entre 2004 e 2005. Madalena operou cerca de 60 ratos e ficou evidente a diferença entre o animal que tinha sofrido a lesão e não tinha recebido e aquele que havia recebido a substância. No retorno ao Brasil, Madalena trouxe parte do material e ensinou a equipe a realizar o procedimento
Essa descoberta e outras, diz o portal, abriram caminho para o estudo experimental com oito pessoas entre 2016 e 2021, em hospitais do Rio de Janeiro. Os pacientes receberam injeções em até três dias após se machucarem. Dois deles faleceram por condições não ligadas ao tratamento e seis recuperaram parte dos movimentos. Os participantes eram vítimas, por exemplo, de acidentes de carro, quedas e ataques por arma de fogo.
“Só selecionamos pacientes com lesões completas na medula. A literatura aponta que não mais do que 15% das pessoas com esse diagnóstico recuperam funções motoras”, explica Tatiana Sampaio. “No nosso caso, 75% evoluíram da lesão completa para a lesão incompleta com controle motor. Se avaliarmos apenas os que sobreviveram, são 100%”, constata ela.
Veja as fontes e a repercussão na mídia




