A categoria dos técnicos-administrativos entra, nas próximas semanas, em um momento especial de sua organização. Será mais uma jornada de lutas e mobilização com a perspectiva de enfrentamento de várias injustiças: da Reforma Administrativa que se delineia no Congresso – e que ataca direitos dos servidores e a população que precisa dos serviços públicos –, à pauta interna que aponta, por exemplo, a necessidade de enfrentar a cobrança de grandes montantes à título de honorários de sucumbência, de servidores já com salários tão aviltados.
Para chamar atenção da comunidade e da Reitoria, no dia 23, o Sintufrj realizará uma ação que começa com a concentração às 7h30 na porta do sindicato seguida de uma carreata no Fundão (com um buzinaço) em direção à Reitoria (no Parque Tecnológico) e, depois, ao Conselho Universitário (realizado normalmente no auditório E212 da Escola de Química, a partir das 9h30).
Uma série de injustiças
O Coordenador Geral do Sintufrj, Francisco de Assis, apontou como alvo do protesto, uma série de injustiças:
“É injusto isentar bets (site de apostas) e super-ricos de taxação de rendimentos, enquanto bloqueiam a conta salário dos trabalhadores por causa de honorários de sucumbência (impostos pela) da AGU. Por isso, a direção convoca a categoria para um grande dia de mobilização e luta. Por esta e por outras injustiças, como o bloqueio de contas-salário de servidores, o não reconhecimento dos direitos aos 28%, pelo não pagamento da insalubridade (devida), e o injusto sequestro do orçamento por parte do Congresso que deixa as universidades federais à míngua”, resume o coordenador.
Injustiças apontadas no Consuni
Na sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira, dia 9, a coordenadora de comunicação do Sintufrj Luciana Borges, enfermeira do IPPMG, lembrou que a mobilização levou a vitórias da população, por exemplo, quanto à isenção do imposto de renda para os que ganham até R$5mil. E que isso é uma mostra de que os servidores precisam se mobilizar para barrar reforma administrativa, “que impacta a vida de todos nós e ameaça os serviços públicos”. Luciana lembrou a questão dos cortes em adicionais de insalubridade dos servidores da saúde na UFRJ e que os que ingressaram com processos na UFRJ relativos a esta questão estavam com dificuldade de acessá-los.
O coordenador Francisco alertou que a mobilização precisa continuar porque o Congresso continua se movimentando para colocar o governo em uma “sinuca de bico”.
Ele lembrou a importância da mobilização também para defender a universidade e a categoria que também vem sofrendo ataques. Além da questão da insalubridade apontada, por Luciana, Francisco denunciou um ataque da Advocacia Geral da União (AGU), com base em uma legislação em seu benefício mas que ataca trabalhadores com dificuldades de pagar honorários de sucumbência (elevados valores que trabalhadores do serviço público que perderam ações estão sendo instados a pagar) a quem já recebe elevados salários do governo.
Francisco explicou que muitas pessoas estão sendo levadas a pedir empréstimos e que, em mesa recente de negociação, a Reitoria se dispôs a solicitar uma agenda com o ministro da AGU, Jorge Messias. A entidade, então, reitera o pedido a este apoio.
“O Sindicato vai partir para uma grande mobilização. No dia 23, haverá um ato contra essa injustiça praticada pela AGU, que suga salários dos trabalhadores para pagamento das custas, um processo imoral. Além disso temos pautas importantes em defesa de direitos como a não necessidade de reposição ao erário, de valores que o servidor recebeu em boa fé. Queremos construir a unidade em defesa da universidade, mas também defender técnicos-administrativos e docentes. Por isso construiremos o dia 23 como dia de mobilização e de luta”.
Veja as falas dos coordenadores, fechadas com palmas.
Fotos: Renan Silva






