Coordenador-geral do Sintufrj denunciou os impactos da medida que impõe o pagamento de custas processuais a servidores e cobrou unidade na luta por orçamento e direitos para a UFRJ e o serviço público.
Durante a reunião do Conselho Universitário (Consuni) realizada nesta quinta-feira (9 de outubro), o coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, fez uma fala contundente em defesa dos trabalhadores técnico-administrativos e da universidade pública. O dirigente destacou que, mesmo após conquistas recentes do movimento sindical, o cenário político e econômico ainda impõe desafios graves à categoria e às instituições federais de ensino.
Francisco iniciou sua fala lembrando que o mês foi marcado por uma vitória importante para o funcionalismo, fruto da mobilização e da pressão social organizada. No entanto, ele alertou que o Congresso Nacional continua atuando para restringir o orçamento público e impor limites ao governo, o que afeta diretamente a autonomia e o financiamento das universidades federais.
“Mesmo com toda a pressão social, o Congresso segue tentando colocar o governo e as universidades em uma sinuca de bico. Isso tem impacto direto no orçamento e nos direitos dos trabalhadores. Precisamos fortalecer nossa unidade e continuar mobilizados”, afirmou.
Ataque da AGU mobiliza a categoria
O ponto central da intervenção de Francisco foi a denúncia contra uma medida imposta pela Advocacia-Geral da União (AGU), que determina que servidores tenham de pagar custas processuais e valores de sucumbência em ações judiciais — mesmo quando as causas estão relacionadas a direitos trabalhistas legítimos.
O coordenador-geral classificou a medida como “imoral e injusta”, ressaltando que muitos servidores estão sendo obrigados a contrair dívidas e fazer empréstimos para arcar com esses valores, o que agrava a situação financeira de uma categoria já impactada por anos de defasagem salarial.
“É um ataque violento e inaceitável. A AGU, que já possui altos salários, quer agora sugar o que é dos trabalhadores. Não aceitaremos pagar por custas processuais indevidas. O Sintufrj vai lutar contra isso”, destacou Francisco de Assis.
O Sintufrj vem tentando, junto à reitoria da UFRJ, intermediar uma mesa de negociação com o ministro da AGU para tratar da questão, mas, segundo o dirigente, a agenda tem enfrentado entraves. Diante da demora e da gravidade da situação, o sindicato decidiu intensificar a mobilização.
Dia 23: ato unificado em defesa da universidade e dos trabalhadores
Francisco anunciou que o dia 23 de outubro será marcado por uma grande mobilização convocada pelo Sintufrj. O ato pretende denunciar os ataques da AGU, exigir o fim da cobrança de custas processuais e reafirmar a luta por mais orçamento para a universidade pública e pela valorização dos servidores técnico-administrativos.
“O dia 23 será um dia de luta. Vamos às ruas contra essa injustiça da AGU, pela defesa da universidade pública e pela garantia dos direitos dos trabalhadores. Nosso papel social é defender os trabalhadores, e é isso que o Sintufrj fará”, declarou.
A atividade também deve pautar outros temas que vêm preocupando a categoria, como os processos de reposição de horários e o impacto das restrições orçamentárias sobre as condições de trabalho e funcionamento da UFRJ. O objetivo é transformar a data em um marco de unidade entre sindicatos, movimentos estudantis e entidades representativas da comunidade universitária.
Unidade e resistência
Encerrando sua fala no Consuni, o coordenador-geral reforçou o chamado à unidade entre categorias e setores para enfrentar os desafios que ameaçam o serviço público. Francisco destacou que a defesa da universidade pública vai além da pauta corporativa: é uma luta por democracia, ciência e soberania nacional.
“A luta por orçamento e contra os ataques da AGU é parte de algo maior: a defesa do projeto de universidade que serve ao povo, e não aos interesses de uma elite. Defender os trabalhadores é defender o Brasil que queremos construir”, concluiu.




