- FOTOS: RENAN SILVA
O tradicional dia de luta estudantil que lembra o assassinato do estudante Edson Luís morto em 28 de março de 1968 pela ditadura, além da pauta histórica por mais verbas, neste ano se caracterizou pelo repúdio ao assédio e a violência nas escolas.
No Rio de Janeiro houve ato em frente à Prefeitura na Cidade Nova, dia 26, com caminhada até a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc). Os estudantes exigiram o fim do assédio, o fim da violência policial, a melhora da merenda e da infraestrutura das escolas.
O tom foi de denúncia frente ao recente episódio de agressão por um policial militar a dirigentes da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Ames), na escola estadual Amaro Cavalcanti no Largo do Machado, no Rio, que provocou repúdio da sociedade. O episódio ocorreu um dia antes da mobilização.
Os técnico-administrativos das universidades em greve participaram do protesto em solidariedade aos estudantes aproveitando a oportunidade para divulgar sua paralisação e denunciar também o assédio a estudantes e técnico-administrativos que vem crescendo em suas unidades de ensino.
O Comando Local de Greve da UFRJ se fez presente.
Rebeldia
Os estudantes empunharam suas bandeiras manifestando sua rebeldia e irreverência. No ato em frente a Prefeitura houve diversas intervenções políticas e já na passeata colagem de lambe. Na Seeduc denunciaram a precariedade da estrutura das escolas – vidros quebrados, falta ar condicionado, alimentação inadequada – comparando com a bela e refrigeradíssima sede da Seeduc.
Ao fim da manifestação queimaram a imagem do ex-governador Cláudio Castro, o “inimigo da educação fluminense”, agora inelegível.
Greve
O Comando de Greve Unificado dos Técnico-Administrativos em Educação do Rio – a categoria está mobilizada pela cumprimento integral do acordo de greve feito com o governo federal – tirou apoio ao movimento estudantil e participou do ato.
Companheiras da UFRJ e da Unirio fizeram falas em apoio aos estudantes e denunciando também episódios de assédio, problemas causados pela gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que tirou a autonomia administrativa das universidades para com seus hospitais, assim como a tentativa de acabar com o Hospital Universitário Gaffrée Guinle.
“Nós estamos aqui com todo nosso apoio ao movimento estudantil. E estamos também em luta, em greve, para exigir que o governo cumpra com o acordo feito conosco de forma integral. É estudante junto com trabalhador. Onde tiver luta nos estaremos”, anunciou Marli Rodrigues, dirigente do Sintufrj e integrante do Comando Local de Greve do Sintufrj (CLG/Sintufrj).
Raquel Oliveira, também do CLG/Sintufrj, chamou a atenção para o assédio que vem ocorrendo na universidade – recentemente um professor da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ foi afastado pelo Ministério Público após denúncia de assédio por uma estudante – e alertou para a escala crescente de feminicídio no país e no Rio.
O coordenador da Asunirio, Rodrigo Ribeiro, denunciou a tentativa de acabar com o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG). Há um plano para “fusão” do Gaffrée com o Hospital dos Servidores do Estado que não foi discutido com a comunidade universitária.
“Temos como princípio de que escola pública tem que ser para todos. Já nosso movimento de greve reúne mais de 46 universidades paradas. Na Unirio lutamos contra a privatização do nosso hospital que está na eminência de ser fechado. E estamos aqui também para pedir apoio a vocês estudantes à luta dos técnico-administrativos das universidades federais”, disse Rodrigo.







