Governo incentiva renegociação de dívidas

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Fonte: Secretaria de Relações Institucionais (Gov.br)

O presidente Lula lançou no dia 4, novo programa de renegociação de dívidas do Governo Federal, o Desenrola 2.0. O programa contará com uma mobilização de 90 dias para incentivar os brasileiros a renegociarem suas dívidas e regularizarem sua situação financeira. Está estruturado em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola FIES, Desenrola Rural e Desenrola Empresas.

Com o Desenrola 2.0, brasileiros inadimplentes poderão renegociar seus débitos com descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor principal, além de juros limitados a 1,99% ao mês.

O programa também prevê a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a quitação das dívidas, benefício voltado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos.

O governo também anunciou que haverá bloqueio do CPF de inadimplentes em plataformas de apostas por 12 meses. para o Ministério da Fazenda, se a pessoa está endividada, não deve comprometer ainda mais sua renda com apostas online (leia mais após a matéria).

Como funciona

O programa oferece crédito para quitação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

As condições incluem:

  • Descontos de 30% a 90%;
  • Juros máximos de 1,99% ao mês;
  • Prazo de até 48 meses;
  • Até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
  • Limite de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira (após descontos);
  • Garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

Quem pode participar?

Brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

📲 COMO PARTICIPAR DO NOVO DESENROLA (PASSO A PASSO)

1️⃣ Verifique suas dívidas
Consulte seu CPF em plataformas como:
Serasa
SPC Brasil
Veja quais dívidas estão negativadas e aptas para negociação.
2️⃣ Acesse a plataforma oficial

Entre no site do governo:
👉 gov.br
Faça login com seu CPF e senha (nível prata ou ouro pode ser exigido em alguns casos).

3️⃣ Consulte as ofertas disponíveis
O sistema mostrará:
valor original da dívida
desconto aplicado

Opções de parcelamento

4️⃣ Escolha a melhor proposta
Compare:
valor à vista (geralmente com maior desconto)
valor parcelado (com juros menores)
Selecione a opção que cabe no seu orçamento.

5️⃣ Feche o acordo
Confirme a renegociação diretamente na plataforma ou no banco credor.
Você receberá:
boleto
ou opção de débito automático

6️⃣ Realize o pagamento
Pague a primeira parcela ou o valor à vista para validar o acordo.
Após isso, seu nome pode ser retirado dos cadastros de inadimplência.

⚠️ DICAS IMPORTANTES
Priorize dívidas com maiores juros (cartão, cheque especial)
Evite parcelar além do que consegue pagar
Leia todas as condições antes de confirmar
💡 PARA SERVIDORES E TRABALHADORES

Mesmo sendo um alívio imediato, é importante não comprometer renda futura com parcelas altas — especialmente diante do custo de vida elevado.

 

Para CNC, bets agravam endividamento das famílias brasileiras

Fontes:  Gilberto Costa, repórter da Agência Brasil e Gleide Andrade (Brasil de Fato)

De janeiro de 2023 a março de 2026 a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. O montante equivale ao volume de vendas nos períodos de Natal de 2024 e 2025.

O crescimento do gasto dos brasileiros com as plataformas eletrônicas nesse período foi superior a R$ 30 bilhões por mês. O dito “entretenimento” comprometeu a disponibilidade de renda para manter o pagamento em dia das dívidas e podem ter levado 270 mil famílias a situação de “inadimplência severa” – incapacidade de pagar marcada por atrasos de 90 dias ou mais.

As estimativas são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para a entidade empresarial, “as bets não representam apenas entretenimento; configuram-se como um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias, drenando recursos que seriam destinados ao comércio varejista e ao consumo produtivo.”

“As bets afetam principalmente as famílias mais vulneráveis, aumentando seu endividamento global, enquanto para os mais ricos funcionam como substituto de outras formas de endividamento, embora também gerem inadimplência”, descreve apresentação da entidade.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende a implementação de políticas públicas regulatórias para as plataformas e de proteção a consumidores. Em nota à imprensa, ele afirmou que as apostas online estão comprometendo a renda das famílias brasileiras. “O impacto já deixou de ser pontual e se tornou macroeconômico. Precisamos discutir os limites desse mercado, especialmente no que diz respeito à publicidade e à proteção das famílias brasileiras.”

De acordo com a CNC, oito em cada vez famílias (80,4¨%) estão endividadas no Brasil. O indicador é próximo aos 78% verificado no final de 2022. Entre 2019 e aquele ano, a proporção de famílias endividadas cresceu quase 20 pontos percentuais.

Notificação – O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) que representa as plataformas de aposta eletrônica que operam legalmente no Brasil, enviou notificação formal à CNC cobrando “transparência metodológica” e “acesso integral” às bases de dados que a entidade usa para avaliar o impacto das bets no endividamento das famílias. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também disse que os números apresentados pela CNC  “não condizem com os dados oficiais do governo e do setor.”

Publicidade sem limite pode custar vidas e destruir famílias

O alerta é de Gleide Andrade é secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores, em artigo no site Brasil de Fato, que diz ainda: “O debate sobre as bets não pode se resumir à arrecadação tributária ou à formalização do setor. É preciso discutir responsabilidade pública. O Estado tem o dever de regular mercados que produzem danos sociais, especialmente quando esse dano recai sobre os mais pobres.

O presidente Lula acertou ao elevar o alerta sobre esse tema e demonstrar preocupação com o endividamento das famílias brasileiras. Ao defender medidas mais duras contra o avanço desenfreado das bets, recoloca no centro do debate uma questão essencial: a política não pode assistir passivamente à transformação da angústia popular em oportunidade de negócio.

O primeiro passo é evidente: restringir severamente — e, em muitos casos, proibir — a propaganda de apostas. Não faz sentido permitir que celulares de adolescentes, transmissões esportivas e redes sociais sejam ocupados por anúncios que normalizam o risco financeiro como caminho de prosperidade. O Brasil já aprendeu, em outras áreas, que publicidade sem limite pode custar vidas e destruir famílias.

“O Brasil precisa escolher entre proteger seu povo ou assistir passivamente à transformação da angústia popular em modelo de negócio. Porque quando a esperança vira mercadoria, quem sempre paga a conta é o povo brasileiro”, conclui a secretária.

Leia a íntegra em:

https://www.gov.br/sri/pt-br/governo-do-brasil-lanca-o-programa-desenrola-2.0

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/para-cnc-bets-agravam-endividamento-das-familias-brasileiras

e https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/para-cnc-bets-agravam-endividamento-das-familias-brasileiras

Bets e endividamento: o impacto das apostas na vida das famílias brasileiras

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