Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño “já está configurado” e seus efeitos começam a ser observados em diferentes partes do mundo. O Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura e Pecuária (INMET), aponta 100% de probabilidade de que continue ativo até o início de 2027.
O Super El Niño
Nova previsão da NOAA (agência científica dos Estado Unidos de Administração Oceânica e Atmosférica) indica um cenário de forte aquecimento das águas do Pacífico, com probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um “El Niño muito forte” nos trimestres de setembro a janeiro. E com 69% de probabilidade de que seja o mais intenso já registrado desde 1950.
Os efeitos já começaram e potencializará a continuidade das chuvas acima da média no Sul do Brasil e abaixo da média, nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro. No Sudeste e Centro Oeste, há maior possibilidade de incêndios e ondas de calor.
Alagamentos, deslizamentos, estiagem, temperaturas extremas, falta de água,, incêndios, apagões, proliferação de insetos e doenças, inclusive as relacionadas ao calor extremo, escassez de alimentos, aumento de preços e de tarifas, são consequências possíveis.
O risco levou ao governo a montar um grupo com especialistas. Criado no fim de maio, inclui representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemadem), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da UFRJ.

Veja mais no site do INMET
https://portal.inmet.gov.br/noticias/segundo-a-noaa-el-ni%C3%B1o-pode-ser-o-mais-intenso-desde-1950
GT da UFRJ já está em ação
A UFRJ também constituiu o seu GT El Niño. No dia 10 de agosto foi a primeira reunião, conforme anunciou o reitor Roberto Medronho no último Conselho Universitário, com dois objetivos principais: alerta da comunidade com protocolos de eventos climáticos extremos e contribuir para a discussão com a sociedade sobre as mudanças climáticas. O GT, segundo ele, reúne especialistas de quase todos os centros: “Um grupo de altíssimo nível”.
A formação do GT, por iniciativa da coordenação da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER/UFRJ), em atendimento a demanda da Reitoria, tem como finalidade estruturar um sistema institucional para monitorar, prever, mitigar e responder com agilidade aos impactos do fenômeno.
Reúne cientistas de diversas áreas, como explica o coordenador do SER, Guto Nóbrega: do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada (NUBEA/UFRJ), do Instituto de Geociências, Complexo Hospitalar e da Saúde da UFRJ, Superintendência-Geral de Comunicação, Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS / Instituto de Psicologia), Instituto de Psiquiatria, representação discente da pós-graduação (APG), área de Infectologia, Saúde Coletiva e Vigilância em Saúde da Faculdade de Medicina, Departamento de Geografia e Departamento de Meteorologia do Instituto de Geociências e a área de Saúde, Segurança Operacional e Gestão de Riscos no HUCFF.
O GT é coordenado pela técnica-administrativa Clarisse Araújo, coordenadora de Atenção à Saúde do Complexo Hospitalar e de Saúde da UFRJ. O vice coordenador é Alexandre Oliveira, professor do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada (Nubea).
Guto Nóbrega é vice-decano do CLA e, desde o início de 2026 passou a coordenar a SER, que é uma política transversal da UFRJ que agrega várias ações ligada a sustentabilidade de educação regenerativa e que acontece desde 2023. Ele conta que o reitor Roberto Medronho solicitou que a coordenação ajudasse a implementar esse GT, que tem caráter de prevenção e orientação diante do que pode vir acontecer, em qualquer eventualidade climática, com base em informações científicas e precisas, “uma voz uníssona sobre as informações que queremos passar para a comunidade”.
“A Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao constituir um GT com componentes de altíssima competência acadêmica como este, mais uma vez é protagonista de um processo importantíssimo e vai ser referência para as outras universidades, como tem sido no protocolo do calor e em outras ações que têm sido viabilizadas através da Coordenação de Sustentabilidade e Educação Regenerativa, a coordenação SER, que é uma ação pioneira da UFRJ, e que está sendo referência para várias universidades brasileiras”, comenta Francisco Esteves, coordenador do SER até 2025.
Segundo encontro
No dia 17, uma segunda reunião estava prevista a realização de um seminário com informações dos especialistas para que se construísse um quadro geral. O GT ainda será oficializado em portaria da Reitoria e novos integrantes ainda estão chegando para o grupo multidisciplinar: “Precisamos de vários olhares e competência”, explica Guto Nóbrega.
A coordenadora Clarissa Araújo reitera que a proposta é preparar a universidade e a comunidade para o cenário global de mudanças climáticas. Como contou, a primeira reunião no dia 10 foi para apresentação do GT ao Reitor e demais membros do grupo, uma reunião das capacidades institucionais para preparar respostas e resiliência frente ao impacto das mudanças climáticas . O GT seria então uma instância técnica institucional para analisar cenários e risco, recomentar medidas e preparar a resposta da UFRJ. A reunião seguinte iria direcionar o trabalho do GT para os encaminhamentos necessários para a gestão do risco.
Alerta: já estamos numa crise climática
É preocupante o alerta do professor Francisco Esteves sobre o fato de que a natureza já está em convulsão. Ecólogo e profundo conhecedor de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos, idealizador e fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ (Nupem), em Macaé, e responsável pela criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (no norte do estado do Rio), ele explica:
“É importante destacar que nós já estamos imersos numa crise climática. Todos nós já percebemos pelos efeitos desta crise, no nosso dia a dia: chuvas fortes fora de época, secas fortes fora de época, e mais do que isso. Não é só nós nos precavermos com ar condicionado0, aquecimento, prever alagamentos, etc. O que está acontecendo à natureza é a extinção de espécies. Muitas dessas espécies são insetos importantíssimos para nossa vida, como por exemplo aqueles que polinizam as flores, que geram os frutos como abacaxi, cacau, berinjela e centenas de outros.
Segundo os colegas que trabalham com isso, até o ano de 2040, teremos 4 quatrilhões de dólares de prejuízo por falta de alimento no mundo. Então, essa diversidade de alimento que temos hoje, se observar um lote de frutos, fotografe, porque daqui a dez, 20 anos, teremos muito menos. Por quê? Porque muitas espécies de insetos foram extintas.
A natureza está em uma profunda convulsão. E quem pagará isso, muito fortemente, é a espécie humana. Ainda não atentamos para o que está acontecendo nas restingas brasileiras, na Mata Atlântica, nas florestas, de onde vem, por exemplo, a nossa água: 80% da água que consumimos no estado vem das florestas. Florestas essas que estão diminuindo, não só em extensão como em cobertura vegetal. Cada árvore da Mata Atlântica produz água para atmosfera – por dia de 200 a 400 litros de água. Essa água evapora, e volta sob a forma de líquido que abastece as nascentes, os córregos e o rio Paraíba do Sul que nos abastece”.
Fotos: Juscelino Ribeiro.

Imagens do amanhecer no Fundão em uma manhã de junho de 2026
Veja mais detalhes no Instagram do Ministério do Meio Ambiente
https://www.instagram.com/mmeioambiente/






