
A reunião do GT Antirracista de 21 de outubro tratou de um tema singular. O Colorismo. O que é? Como funciona? A professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Fernanda Carrara, foi a convidada que descortinou o tema.
Fernanda é autora do livro “Sarará: memórias de colorismo” . A obra apresenta em si mesma o que a autora sentiu na sua vivência de mestiçagem: O livro é um pacto entre a desconstrução de padrões e a memória, apresentando modos de teorização que nascem das relações cotidianas e das armadilhas da identidade.
O que é
Ao contrário do racismo, que se orienta na identificação do sujeito como pertencente a certa raça para poder exercer a discriminação, o colorismo se orienta somente na cor da pele da pessoa.
O colorismo no Brasil é a discriminação ou hierarquização baseada no tom de pele e nos traços fenotípicos dentro de um mesmo grupo racial, especialmente entre a população negra (pretos e pardos). Cabelo crespo, nariz arredondado ou largo, dentre outros aspectos físicos, que a nossa cultura associa à descendência africana, também influenciam no processo de discriminação. Quanto mais escura a pele e mais marcados os traços africanos, maior é a exclusão social enfrentada.
O colorismo é muito comum em países que sofreram a colonização europeia e em países pós-escravocratas. Vem do período colonial e pós-abolição, quando estratégias de branqueamento e divisão social tentaram afastar a população da imagem da escravidão.
“O colorismo é uma ferramenta para fazer o sujeito sofrer com o racismo e para ser racista”, afirma Fernanda. “É uma máquina de automação do racismo”, sustenta.
De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer. Diferente de lugares com regras rígidas de origem (como os EUA), no Brasil a discriminação opera pela “marca” da aparência, afetando pretos e pardos de formas distintas.
Cria-se também uma escala de valor em que tons de pele mais claros recebem maior aceitação social por estarem mais próximos do padrão eurocêntrico.
Nessa gradação há dois conceitos opostos sobre a hierarquia de tons de pele dentro da população negra: o movimento centrífugo – tendência de afastar ou hierarquizar de forma negativa os corpos mais retintos (“quanto mais preto pior”), muitas vezes reduzindo a inclusão de pessoas negras mais escuras; e o movimento centrípeto – inverso da valorização da centralidade da negritude mais retinta (“quanto mais preto melhor”), vinculando-a muitas vezes a uma ideia estrita de autenticidade racial.
“Quando falo que sou negra de pele clara é uma forma de politizar e não para identificar o pardo. Reivindico o negro. Agora, reconhecer nossas diferenças pode nos trazer unidade na luta contra a branquitude”, reflete Fernanda Carrara.




