Conceição Evaristo recebe título de doutora honoris causa da UFRJ

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A outorga do título de Doutora Honoris Causa a Maria da Conceição Evaristo, na quinta-feira, 5 de novembro, lotou o Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), na Praia Vermelha, com autoridades universitárias, estudantes e servidores técnicos administrativos e docentes, numa cerimônia emocionante que coroou o esforço da comunidade universitária pelo reconhecimento da aclamada romancista, e voz potente, da literatura contemporânea. O coordenador de Comunicação do SINTUFRJ, Fabiano Soares, estava presente na solenidade e registrou alguns dos seus principais momentos.

Em novembro de 2023, o Centro Acadêmico de Letras organizou uma mobilização para a concessão do título de doutora honoris causa à Conceição Evaristo. “Foram passagens em salas de aulas, abaixo-assinado e manifestações na Congregação da Letras que resultaram na aprovação do título”, informou inbtegrantes do CA. Esta foi a maior honraria concedida pela UFRJ para a escritora e militante antirracista, ex-aluna da Faculdade de Letras (ela se graduou em 1990). Um merecido reconhecimento à sua trajetória literária e o impacto da sua obra na socieade brasileira. A homenagem foi aprovada em junho deste ano por unanimidade pela Conselho Universitário, após esforços de estudantes da Faculdade de Letras iniciado em 2023, com o apoio das instâncias da unidade.

A homenageada 

Contista, poeta e ativista dos movimentos de valorização da cultura negra, Conceição Evaristo já foi homenageada pela UFRJ na Semana de Consciência Negra do Centro de Tecnologiaaaaaaa, em 2019, quando destacou a importância de se cobrar o lugar de pertencimento de negros e negras na universidade. Na cerimônia, representantes da Faculdade de Letras relacionaram sua trajetória relembrando a primeira premiação, aos sete anos de idade (pelo texto “Porque tenho orgulho de ser brasileira”) até o prêmio Jabuti (que recebeu em 2015 com o livro de contos Olhos d’Água (Confira a obra da autora, a seguir).

Evaristo foi também a grande homenageada da 61ª edição do Prêmio Jabuti, consagrada pelo conjunto da sua obra e pela importância do termo de sua autoria “escrevivência”. O conceito articula escrita e experiência a partir da perspectiva de mulheres negras. “Sua obra é profundamente marcada pela ancestralidade, pela memória e pela vivência da população negra no país”, informa o Jornal Literário Nota que elenca, a seguir, algumas de suas obras.

Fotos: Fabiano Soares

 

Algumas obras de Conceição Evaristo

Ponciá Vicêncio (2003) – Romance (estreia)

A história acompanha Ponciá, uma mulher negra que deixa o interior de Minas Gerais (com raízes em uma comunidade de descendentes de escravizados) em busca de uma vida melhor na cidade grande. O romance explora memória ancestral, identidade, sonhos frustrados e o peso da herança da escravidão, mesclando passado e presente de forma poética.

Becos da Memória (2006) – Romance

O livro retrata a vida em becos e periferias, narrando as complexidades humanas de personagens que enfrentam abandono, preconceito, fome e miséria diária. Com narrativa entrelaçada de memórias e vivências, destaca a resiliência e os laços afetivos em contextos de exclusão social e racial.

Olhos d’Água (2014) – Contos

Quinze contos densos e viscerais que retratam o cotidiano de mulheres (e alguns homens) negras marginalizadas, vítimas de racismo, pobreza e violência urbana. Com crueza e sensibilidade poética, a obra humaniza personagens como Ana Davenga, Duzu-Querença e Cida, expondo feridas sociais sem idealizações.

Canção para ninar menino grande (2018/2022) – Romance

Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.

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