Por dois dias, 6 e 7 de junho, delegações de mulheres representantes de 26 entidades, inclusive do Sintufrj, participaram do Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora, no auditório do Sindsep-DF, em Brasília com o objetivo de debater questões de gênero, políticas públicas, organização sindical e os desafios enfrentados pelas mulheres no serviço público. A programação incluiu debates sobre Cuidado, Violência de gênero e convenção 190 da OIT.
O encontro foi aberto com homenagem à bióloga Bertha Maria Júlia Lutz, pioneira na luta pelos direitos das mulheres. Em 1922, fundou a Federação Brasileira para o Progresso Feminino, dando início à luta pelo direito de voto para as mulheres. A referência inspirou os debates que, segundo a organização, foram ricos, com a participação das representantes de diversas regiões do país.
A delegação do Sintufrj foi composta pelas companheiras Marisa Araújo, Norma Santiago, Rosemere Roza, Adriana Mattos, Maria Lenilva da Cruz, Marly Rodrigues, Alzira Trindade e Selene Vaz. Teve atuação destacada no evento, “com falas potentes que traduziram a força e a complexidade da vivência feminina”, registrou informe da delegação, segundo o qual, a coordenadora Norma Santiago emocionou ao refletir sobre as violências invisibilizadas que atravessam o cotidiano de tantas mulheres: “A violência não mora só na casa da vizinha. Ela está ao nosso lado, muitas vezes silenciada.”
Marly Rodrigues trouxe à tona a urgência de afirmar a autonomia feminina dentro e fora do sindicato: “Nós, mulheres, temos que cavar o nosso espaço. E não aceitar mais que nos silenciem ou que nos prendam a papéis que não escolhemos.”
Mais do que um encontro, foi um ato de resistência histórica, informou a delegação, sustentando: “honrar Bertha Lutz é garantir que as mulheres de hoje possam escrever suas próprias histórias”.
Entre as propostas do encontro que serão encaminhadas à direção nacional, estão a realização de encontros nacionais, um sobre assédio moral e sexual, em que as entidades possam apresentar suas ações e publicações; e outro sobre todos os tipos de opressões.
Debates
Política Nacional de Cuidados – Luba Melo, coordenadora do Comitê de Mulheres da Internacional do Serviço Público (ISP) Brasil, vice-presidente do Sindicado dos Servidores municipais de São Paulo abordou a distribuição desigual do trabalho de cuidado não remunerado, que recai historicamente sobre as mulheres, e ressaltou a urgência de tratar o tema como pauta prioritária também no movimento sindical.
Convenção 190 – No debate sobre a Convenção nº 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Camila Galetti, doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora das novas direitas, aponta que a convenção é “ferramenta estratégica de resistência” e reconhecer a violência de gênero como um problema coletivo é fundamental para a construção de soluções também coletivas.
Violência de Gênero – Letícia Nascimento, da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e diretora do ANDES-SN defendeu: “O movimento sindical tem que trabalhar políticas de gênero e sexualidade de uma forma mais ascendente”, afirmou. Clarisse Goulart, cientista política, militante da Marcha Mundial de Mulheres destacou que a violência contra as mulheres é um instrumento de dominação historicamente construído e lembrou que a internet se tornou um grande palco para ofensas e violência contra mulheres.






