No HU, mais críticas à Ebserh

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Na terceira reunião de balanço de um ano da gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares nos hospitais da UFRJ, na manhã desta quinta-feira, dia 5, no auditório Halley Pacheco do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o Sintufrj repetiu as críticas que apresentou nas reuniões anteriores (no dia 3, na Maternidade Escola e no dia 4. no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gestão).

Depois que o superintendente-geral do Complexo Hospitalar UFRJ na Ebserh, Amâncio Paulino e o superintendente executivo Marcos Freire apresentaram os avanços e perspectivas neste um ano de adesão à empresa, Paulino apontou a presença do Sintufrj na reunião alertando que a entidade tem contribuído de maneira importante cumprindo sua função social com as críticas que vem apresentando. Ele citou como exemplo, as matérias do jornal da entidade apontando, por exemplo, falta de quimioterápicos, o que moveu a reuniões internas para reposição do insumo com a promessa de que nunca mais iria faltar.

Em seguida, enquanto coordenadores e colaboradores distribuíam documento da entidade relacionando uma série de problemas vividos pelos hospitais e seus trabalhadores desde a adesão à Ebserh, o coordenador-geral do Sintufrj Esteban Crescente se dirigiu ao público, parabenizando a dedicação de todos os que constroem o dia a dia do hospital, trabalhadores do RJU e da Ebserh. “Nós, do Sintufrj,  temos discordância com o modelo de gestão. Mas não somos contra os trabalhadores da Ebserh, pelo contrário”, disse e, se dirigindo a estes, avisou: “Se você precisar de ajuda, a gente pode fazer a luta, protestar pelo seu direito”.

Depois, completou que este embate de concepção não impediu o Sindicato de reconhecer a atuação da gestão de Marcos Freire à frente do HU durante a pandemia, o que deveria servir de exemplo para que não se aderisse à Ebserh. Ele explicou: “Porque (durante a pandemia) entrou dinheiro, entrou pessoal, e se chegou a 320 leitos. Agora estamos com quantos? de 140, abrimos 65 a mais. A gente sempre disse que pessoal e financiamento era a solução do problema. A Ebserh está trazendo isso em números, mas nós entendemos que é um processo de desmonte da forma de gestão concebida na Constituinte de 1988. E quando o Marcos Freire fala que se não fosse a Ebserh a gente não estaria aqui, eu queria fazer uma outra análise, da parte do sindicato: se não fosse o sucateamento e o esvaziamento de pessoal e de orçamento dos hospitais universitários, não teria adesão dos hospitais, porque foi isso que levou ao estado que nós estamos hoje”. Ele lembrou que o sindicato vem denunciando o esvaziamento orçamentário da UFRJ, hoje com metade do orçamento nominal de 2012.

O coordenador passou então a manifestar algumas críticas, relacionadas no documento distribuído na reunião que, segundo ele tomou como base a escuta das reclamações das trabalhadoras e trabalhadores das unidades hospitalares. E citou como exemplo, imagens que chegaram ao sindicato esta semana, com acúmulo de lixo hospitalar (possivelmente perigoso) no 10º andar; a dificuldade abastecimento de insumos  em várias unidades, problemas de equipamentos em setores como a Gastrenterologia, o desmonte do Serviço de Saúde do Trabalhador, e exames periódicos obrigatórios suspensos há mais de seis meses.

“Seguiremos na nossa luta e com os nossos questionamentos. Entendemos que a gestão deveria ser totalmente pública e autárquica, mas temos que atuar com a realidade. Então reforçamos a saudação às trabalhadoras e trabalhadores, ao trabalho dos gestores e dizer que estamos à disposição para lutar, para exigir mais recursos. Estamos, nesse momento, exigindo do governo federal, recursos para a universidade, assim como o cumprimento integral do nosso acordo de greve que já logrou êxito para muitos de nós aqui, como a gente sentiu no bolso. Mas há algumas coisas pendentes e a gente está indo à luta”.

Fotos: Renan Silva

Alguns pontos apresentados pelos gestores
o superintendente relacionou entre as conquistas, aumento de oferta ambulatorial para a regulação do SUS, a finalização do processo de contratualização com a Secretaria Municipal de Saúde aumentando o repasse de R$70 milhões parta R$106 milhões anuais; aquisição de equipamentos novos porém pendentes de instalação por falta da necessidade de uma grande reforma elétrica.
Ele contou ainda que houve reforço dos profissionais de assistência, a abertura de 59 leitos, ampliando a oferta de serviços de alta complexidade. Entre eles, 32 leitos cirúrgicos, 12 clínicos, 9 de CTI e 6 de unidade coronariana, a instalação de novo tomógrafo e aquisição de cinco aparelhos de radiografia digital.
Paulino explicou que houve redução dos extraquadros em 92% e contratação de 1159 profissionais (926 efetivos e 223 temporários) contemplando mais de 100 setores e unidades.
Mesmo assim elencou fragilidades, justificadas pelas dificuldades da transição de um modelo para outro, como a deficiência na aquisição de material (em particular por debilidades na realização de pregões), equipe insuficiente, falta de insumos essenciais, deficiência de infraestrutura, inclusive tecnológica, no sistema de ar refrigerado, entre outros pontos. E perspectivas com a chegada de mais recursos, como a entrega até o próximo ano de quatro novos elevadores.
Além dos problemas apontados pelo Sintufrj, naquela mesma manhã, além da tradicional fila no hall do subsolo gerada pela quantidade restrita de elevadores em funcionamento (apenas três), trabalhadores relatavam que mais elevadores haviam parado.

PRHOSUS não chega para os que não estão na Ebserh

Uma das fontes de recursos dos hospitais, é o Programa de Apoio aos Hospitais Universitários. Foi criado em agosto de 2023 e substituiu o Rehuf. O propósito é fortalecer a assistência dos hospitais universitários federai. Entre os propósitos está recuperar a infraestrutura destes. A Ebserh gere os recursos que chegam, mas desde 2023, os hospitais que não fizeram contrato com a empresa, não recebem um tostão (o Instituto de Psiquiatria, de Ginecologia, de Neurologia e o Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis – HESFA)..
Segundo o superintendente, a portaria do PRHOSUS diz que esses recursos são devidos a todos os hospitais universitários federais. E que os que não são geridos pela Ebserh precisam que negociar com o Ministério da Educação.
Ele tem conhecimento do que vem se passando com estas unidades devido a falta do recursos e explicou que o professor Leôncio Feitosa (coordenador do Complexo Hospitalar da UFRJ) está se dedicando a cuidar da situação.

 

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