O Hospital Clementino Fraga Filho foi alvo de matéria na TV na semana passada denunciando precárias condições do setor de Emergência: paredes descascando, infiltrações, vazamentos. “Na terça-feira (dia 11), funcionários levaram um susto porque baratas despencaram do teto”, informou o telejornal que mostrou fotos de pacientes dormindo em bancos e cadeiras de roda e o depoimento de profissionais.
A Ebserh prometeu mundos e fundos, mas a realidade vem se impondo, colocando em xeque setores da academia que assinaram o cheque em branco dado de bom grado à empresa de direito privado, a despeito dos protestos e alertas do Sintufrj e de grande parte da comunidade.
“A gente está tendo sérios problemas com a questão de estrutura física, e infiltração, de água caindo no nosso consultório. Recentemente teve episódio das baratas que (quando) abriram um buraco no teto e caíram”, disse uma médica que não quis se identificar à reportagem do telejornal, questionando como, em um local em que precisa haver procedimentos estéreis, pode haver infiltração.
Na matéria, os profissionais também acusam a falta de insumos básicos para atendimento, como sondas alimentares e material necessário para administrar medicações. A direção nega qualquer falta de insumos. Embora um grupo de médicos tenha preparado um relatório interno para informar os problemas à direção que, no entanto afirma que o vazamento foi sanado no mesmo dia e que há projetos em fase de licitação para obras.
Mas até pacientes que elogiam o atendimento, destacam: “É muito bom, só que a estrutura do hospital é ruim”, dizem.
Sintufrj de olho
Antes mesmo da matéria na TV, o Sintufrj já havia levado denúncia à direção geral do HUCFF cobrando providências em setor do hospital que enfrenta mesmos problemas. No documento à direção em defesa das condições de trabalho e saúde dos servidores, enviado em 22 de outubro, o Sintufrj solicitou providências técnicas e administrativas sobre as condições ambientais e estruturais de um dos laboratórios.
O que foi observado
A Coordenação Geral recebeu a denuncia no dia 15 de outubro. Realizou reunião com os trabalhadores do setor e formalizou documento a chefia, com apoio da Assessoria de Saúde e Segurança do trabalho, solicitando informações sobre a solução dos problemas apresentados. “Estivemos com a chefia na semana retrasada exigindo a formalidade na resposta e que justificou que não tinha respondido por dificuldade na internet. Sobre a denuncia na mídia, embora não tenha tido nossa participação, avaliamos que foi importante para pressionar a gestão em busca de solução desses e de outros problemas”, declarou o coordenador geral Francisco de Assis.
Visita da Assessoria do Sintufrj de Saúde Segurança no Trabalho ao setor constatou deficiência de ventilação, infestação de insetos e cupins, instalações elétricas e climatização inadequadas; modificações na disposição física sem comunicação aos trabalhadores e sem avaliação de impacto ocupacional; presença de baratas e roedores que configuram risco sanitário direto, entre outros problemas.
No ofício, o Sintufrj solicitou o restabelecimento das condições de salubridade e segurança, como regularização da ventilação e climatização, instalação de bebedouros e fornecimento de água potável, higienização profunda e substituição do mobiliário infestado; implantação de controle de pragas; revisão do layout físico entre outras reivindicações.
“Nós fomos procurados por servidores da unidade que já apontavam a presença de insetos e pragas ali no local, além de algumas mudanças no setor em desacordo com as normas hospitalares e de segurança do trabalho. Oficializamos a direção do hospital e a chefia da unidade. Mas até agora, não houve o retorno desse ofício”, explicou o assessor de Saúde e Segurança no Trabalho do sindicato, Rafael Boher.
“Seguimos recebendo materiais da base sobre os problemas estruturais no hospital. Estamos acompanhando, junto com nossa assessoria de Segurança do Trabalho, toda essa demanda”, concluiu o coordenador geral.




