FASUBRA Sindical promove encontro nacional sobre Raça e Etnia

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Categoria participou também da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Sintufrj apresenta vídeo “Mulheres inspiradoras”, sobre  contribuição das mulheres negras para o desenvolvimento da sociedade.

A Fasubra realizou, entre os dias 22 e 24 de novembro, em Brasília (DF), o Encontro de Raça e Etnia: Fortalecendo a Luta Antirracista e a Mobilização.  O evento reuniu técnico administrativos em educação de todo o país para discutir políticas de combate ao racismo e ações de promoção da equidade nas Instituições federais de ensino e no movimento sindical.

O Sintufrj foi representado por Adriana Mattos e Norma Santiago, coordenadoras de Políticas Sociais, e Selene Vaz, coordenadora de Aposentados, Hilem Moisés e Paulo Roberto Alves, coordenadores de Organização e Política Sindical.

Saúde do trabalhador negro, participação de povos indígenas e negros nos espaços institucionais, combate à violência de gênero e racismo estrutural foram alguns dos temas em debate.

A abertura, no dia 22, foi com uma mesa de nivelamento e letramento racial, seguida de debates sobre saúde mental, anemia falciforme, e ocupação de espaços por negros e indígenas.

No dia 23, painéis abordaram a luta indígena, violência obstétrica contra mulheres negras e estratégias de enfrentamento ao racismo nas entidades de base. No dia 24, houve o encaminhamento das propostas construídas coletivamente.

Marcha das Mulheres Negras
O Encontro de Raça e Etnia culminou com a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, no dia 25 de novembro, em Brasília. Este ano, a FASUBRA passou a integrar o comitê da etapa nacional da Marcha, incorporando o evento ao seu calendário oficial de lutas. Como a delegação da Federação, centenas de caravanas integraram  a Marcha Nacional que rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa é de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.

“A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra”, disse Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou: “Permaneceremos avançando, marchando por bem-viver e por reparação. Por todas as mães que perderam seus filhos e por todas aquelas que vieram antes de nós. Seguimos juntas em marcha, na positividade, hoje e sempre.”

Fotos: Arquivo pessoal

Da direita para a esquerda, em pé: Adriana, Norma, Paulo Roberto, Hileme Selene

 

 

O que eles avaliaram

Adriana Mattos, coordenadora de Políticas Sociais

“Queria parabenizar a Fasubra por esse encontro que era de negros e negras, e a Federação colocou um novo recorte (Raça e Etnia). Eu achei isso fantástico. Já havia sete anos que não ocorria, e a Fasubra voltou com esse encontro que eu acho de extrema importância. Porque a gente tem a possibilidade de formular políticas públicas, também para os povos originários, que também, desde sempre, vem sofrendo. Meus parabéns para o meu Sindicato também que está sempre enviando representantes atendendo o chamado da Fasubra.

Também participei da Marcha das Mulheres Negras, representando o meu sindicato, Sintufrj, Foi muito lindo. Havia mulheres de todos os estados. Brasília ficou linda. E eu queria deixar um recado para o presidente Lula. Para que não se esqueça de que foram as mulheres negras do Nordeste que o colocaram no poder. Então, o que a gente está reivindicando? Uma mulher negra no judiciário”.

Hilem Moisés, coordenador de Organização e Política Sindical

“Estivemos presentes em Brasília, no dia 22, 23 e 24 de novembro, para um encontro de raça e etnia da Fasubra. Nesse período, uma delegação escolhida pela direção e participante do GT Antirracista, do Sintufrj, participou deste encontro composto por vários debates, palestras de formação muito interessantes e que levaram a muitas discussões sobre o fazer da Fasubra, sobre o fazer do GT Nacional, com apresentação dos trabalhos locais também.

Nós pensamos, debatemos, avaliamos a formação das rotinas de trabalho e como podemos melhorar o trabalho em cada unidade local.

Além disso. foi um tempo de troca, de conhecimento de novos companheiros e companheiras, representantes de todas as regiões do país, mostrando as especificidades e, também, os objetivos a se alcançar enquanto negritude, enquanto sindicalistas.

Após o encerramento, participamos da Marcha Nacional das Mulheres Negras, onde pudemos encontrar irmãs e irmãos do Brasil inteiro para celebrar e para fazer também reivindicação, que era a marcha por reparação e bem-viver. As Mulheres Negras são a base da nossa sociedade, que estão também na base da pirâmide, sendo mais oprimidas, em movimentação por seus direitos, por suas necessidades e sabemos que elas estão alcançando uma melhora que é para toda a sociedade.

Então, eu enquanto homem, homem negro, e também mulheres brancas, homens brancos lá estiveram em apoio, como aliados pelo bem de todos. Porque a reparação por todas as mazelas históricas , levando a um bem-viver para as mulheres negras, teremos também (melhoras) para os homens negros e para toda a sociedade, com melhoria econômica, social, direito ao trabalho, sem racismo, sem machismo, sem homofobia”.

Norma Santiago, coordenadora de Políticas Sociais:

“O encontro dos negros e negras foi essencial, uma virada de página, um momento de aprendizado. Foram abordados temas muito pertinentes à população negra, como da violência obstétrica, que impacta a vida das mulheres negras, chamando a atenção para a necessidade de um cuidado mais humanizado e respeitoso. Falei também sobre a Doença Falciforme, que afeta as pessoas negras e fisicamente e emocionalmente, porque é uma doença que traz dores incríveis, horríveis, impactando a vida das pessoas acometidas por essa doença. Houve também uma mesa falando sobre letramento racial, essencial para a promoção da conscientização e a necessidade de combate ao racismo estrutural e toda forma de racismo e opressão à população negra

Apresentei também um vídeo com o tema “Mulheres Inspiradoras” que mostra que várias mulheres negras contribuem para o desenvolvimento da sociedade. Mulheres negras atuando na área da matemática, da física, da literatura, mulheres que fizeram e fazem a diferença no mundo.”.

Trecho da apresentação preparada pelo Sintufrj e exibida no encontro

 

Paulo Roberto Alves, coordenador do Organização e Política Sindical do Sintufrj:

“Contando com delegações de todo o país, o Encontro de Raça e Etnia da Fasubra, realizada em Brasília entre 22 e 24 de novembro, apresentou uma qualificada discussão sobre o tema. Além de apresentar palestras de letramento racial, a questão indígena, saúde étnica, entre outros temas, o encontro reforçou o caráter necessariamente antissistêmico no enfrentamento do racismo estrutural e genocídio institucionalizado das populações e comunidades não brancas. Mais do que promover a cultura e saberes próprios da diversidade nacional, o encontro colocou a luta antirracistas no centro de suas discussões.

Os debates animaram e efervesceram as delegações, que aplicarão o que aprenderam no sentido de desenvolver as políticas antirracistas nas bases. Neste sentido, a retomada depois de tanto tempo de hiato, foi muito positiva. Saímos com um compromisso de manter este nível de debates nas entidades de base, além de reforçar o apoio as ações da coordenação da Fasubra.

Foi muito importante o encontro ocorrer antes da Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcha esta que mostrou todo a competência de organização e as diferentes expressões dos mulherismos em todas as esferas de saber e técnica. Uma marcha linda e efetiva para mostrar ao Brasil que o Negro, Indígena, Quilombolas e demais culturas não brancas não só sabem fazer, como o fazem com qualidade ímpar, sem dever e pedir licença a ninguém”.

Selene Vaz, coordenadora de Aposentados,

“Foi muito gratificante, produtivo, emocionante. Nós tivemos lá mesas maravilhosas, temas profundos e que tocam na alma mesmo de negros e negras, que nos chamam pra realidade, que nos fazem enxergar o quanto fomos esquecidos e maltratados, e que nossa luta hoje, por reparação, por bem viver, por dignidade, por justiça, está começando até tardiamente.

Acho que a mesa que mais impactou todas nós que estávamos foi a que tratou do assunto da violência obstétrica e da Doença Falciforme. Na mesa, duas mulheres negras, uma socióloga e a outra pedagoga. Muitas das mulheres negras, na hora do seu parto não identificaram que estavam sofrendo uma violência obstétrica. Foi, muito impactante, revelador. Parece que a ficha cai mais ainda sobre o quanto nós negras e negros sofremos. Desde o nosso sequestro da nossa terra, até hoje, discriminação, desprezo pela nossa raça.

E a marcha foi maravilhosa. E abriu espaço para todos, pois tinham homens na marcha que se juntaram à nossa luta, tinham mulheres brancas, indígenas. Então foi uma marcha inclusiva, não só para as mulheres. Os povos originários também foram vítimas de genocídio absurdo e têm uma história de reparação, e é isso que a gente quer.

A gente está buscando o nosso espaço, e está conseguindo, e eu acho que daqui pra frente a gente vai acumulando forças para continuar. Porque essa luta não vai ter fim. É diária. As pessoas já conseguem enxergar uma mulher negra, um homem negro com outros olhos. Nós temos alma, temos forças, temos luz, e somos guerreiros e guerreiras nessa luta e confiantes de que sairemos vencedores. ? Nós precisamos desse bem viver. É direito daqueles que foram sequestrados, trazidos para esse país, massacrados, humilhados, assassinados, violentados, e hoje a gente só quer esse direito de viver e ser reconhecido como pessoas iguais, com todos os seus valores, com todas as suas riquezas, com todas as suas experiências, vivências e sabedoria”.

Momentos da Marcha

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