Orçamento para 2026 aponta mais um ano de desafios para a UFRJ

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Déficit previsto para 2026 é de 102,5 milhões

A situação orçamentária da UFRJ segue num cenário preocupante: há necessidade, para despesas e pendências, de R$ 426 milhões. Só que o orçamento para despesas de fato discricionárias é de R$ 323,5 milhões. Logo, o ano letivo começa com um déficit inicial previsto de R$ 102,5 milhões.

A proposta orçamentária que guiará a execução das despesas da UFRJ para o exercício de 2026 foi apresentada pela Pró-Reitoria de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3), Gisele Viana Pires na sessão do Conselho Universitário do dia 26.

O orçamento sofreu uma queda de 41% do que era há 11 anos, alerta a técnica administrativa Marta Batista, relatora do parecer que aprovou a proposta no Consuni.

As dificuldades em números

Segundo a Lei Orçamentária Anual de 2026, o Orçamento Total da UFRJ é de R$ 4.597.729.072,00, mas é dividido em Orçamento Obrigatório  (R$ 4.165.615.916,00, que inclui a folha servidores ativos, aposentados e pensionistas) o Orçamento Discricionário  de  R$ 410.981.446,00.

Aumento irrisório

Em 2025, o Orçamento Discricionário  foi de  R$ 406.165.048,00. A pró-reitora aponta para o aumento irrisório de apenas 1,9% (R$ 4.816.398,00).

Segundo conta, se o valor fosse corrigido desde 2012, deveria ser mais de R$800 milhões. Portanto, orçamento atual está “muito aquém da magnitude e do porte da UFRJ”, apontou.

De fato discricionário

Ainda assim, embora o termo discricionário refira-se ao que é deixado à critério o gestor, 14 das 17 rubricas já têm destino certo (como auxílio financeiro a estudantes, funcionamento da Educação Básica, reconstrução do Museu, capacitação de servidores). Apenas três, a pró-reitora chama de discricionárias de fato: despesas diversas de funcionamento (R$ 262.130.097) e despesas diversas de funcionamento com receitas próprias (R$61.332.109) , reestruturação e modernização das Ifes (R$50.000). O que soma pouco mais de R$ 323,5 milhões.

Conta não bate

Só que a despesa prevista para a UFRJ é R$ 389,0 milhões.

Para piorar, segundo a PR-3, há despesas pendentes: entre 2016 e 2024, de R$ 23,4 milhões e, de 2025, R$ 13,5 milhões.

Logo, a necessidade para cumprir as estas despesas e as pendências em 2026 é R$ 426,0 milhões

Se o orçamento destinado ao pagamento das despesas de fato discricionárias é de R$ 323,5 milhões, já há um déficit inicial previsto para 2026 é de R$ 102,5 milhões.

Despesas previstas, pendências e quanto há

Aporte Insuficiente

A professora relata que chega à PR-3, diariamente, solicitações das mais diversas e relevantes, mas pede “que tenhamos consciência de que começamos, sem dúvidas, negativos. Estamos em março e fico imaginando quando chegarmos a julho. Claro que isso é uma projeção”, disse ela comentando que a Secretaria de Educação Superior do MEC é sensível ao fato de que o aporte orçamentário é insuficiente. “A situação não é confortável. É difícil e é preciso unir forças para tentar compor isso de maneira célere e institucional”, alertou.

Museu: situação preocupante

Uma das rubricas destina para a reconstrução do Museu Nacional, atingido por um incêndio que destruiu o palácio em 2018, sofreu o decréscimo de 96,24%: foi e R$ R$ 13.309.356,00 em 2025 para R$ 500.000,00 em 2026. Para funcionamento do Museu, a queda também foi grande: 49,01%. Foi de R$ 980.631,00 em 2025 para R$ 500.000,00, em 2026.

Parecer reflete gravidade da situação

“O atual quadro orçamentário da UFRJ, assim como tem sido nos últimos anos, segue difícil e insuficiente para as demandas básicas da instituição. Comparando o orçamento discricionário do ano de 2015, que constava cerca de R$696 milhões e o orçamento discricionário previsto para 2026, no valor de cerca de R$410 milhões, observamos uma queda de cerca de R$290 milhões nos últimos 11 anos, representando um percentual de queda de 41%”, apontou o parecer da Comissão de Desenvolvimento apresentado pela relatora  Marta Batista.

Marta, que é representante  técnico-administrativa, lembrou diversos desafios que a universidade vem enfrentando em funcionamento, manutenção e investimentos. “Um estudo recente em nossa instituição indicou que 75% dos 154 prédios da UFRJ necessitam de obras de recuperação para continuar funcionando e o custo estimado das intervenções é de R$1 bilhão”, lembrou.

“Ao longo dos últimos anos esses valores destinados à UFRJ vêm sendo reduzidos sucessivamente, colocando a instituição centenária em uma crise orçamentária sem precedente, na qual encontra sérias dificuldades de honrar os seus compromissos com fornecedores e prestadores de serviços e, com isso, manter as suas atividades acadêmicas e administrativas em pleno funcionamento”, disse ela.

A servidora lembra que apesar de incremento de 8,81% nos programas de Auxílio Financeiro a Estudante, Acessibilidade na Educação Superior e Auxílio Financeiro a Estudante Estrangeiro, mas destaca a grande dimensão do corpo estudantil da UFRJ que demanda ainda maiores recursos.

 

A pró-reitora Gisele Pires (PR-3) apresenta a proposta orçamentária. A técnica administrativa Marta Batista, relatora, alerta para queda sucessiva de recursos

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