A dois meses da mais importante eleição desde o fim da ditadura e o início da redemocratização, o Sintufrj fará lives que vão debater com convidados temas essenciais para o país e para as nossas vidas. A série de entrevistas desse programa chamado Agenda Brasil foi aberta com a cineasta Dandara Ferreira, que dirigiu e roteirizou o documentário Anatomia do Caos. O filme apresenta os bastidores da maior tragédia sanitária do país no governo de Jair Bolsonaro que resultou em 700 mil mortes. Revela ainda a indiferença de um governo que não deu atenção e respeito a vida humana.
O programa Agenda Brasil marca o compromisso da atual gestão do Sintufrj que reafirma sua tradição de defesa da democracia e de defesa dos trabalhadores. Três coordenadoras do Sintufrj Ana Mina, Luciana Borges e Sharon Stèfani falaram sobre o tema, sua leitura da realidade e criticaram duramente Jair Bolsonaro (veja mais ao fim da matéria)
Um documentário sobre memória e justiça

Dandara Ferreira explicou que o seu filme nasceu do sentimento de revolta para o que estava acontecendo no nosso país. “O deboche do presidente com as pessoas que estavam com falta de ar, a negligência, a falta de informação. Era tudo muito aflitivo. Eu sentia que o quer podia fazer como cineasta era documentar. E quando o Senado aprova a CPI da Covid-19 a minha intuição disse que tinha ali algo importante que deveria ter um registro.”
A cineasta foi então acompanhar a CPI à la Glauber Rocha, com uma ideia da cabeça e uma câmera na mão. Na invisibilidade, era só ela e a câmera, filmou tudo, filmou bastidores, conversas, isso durante sete meses. Desse enorme material Dandara levou quatro anos para montar e finalizar, produzindo assim um documentário contundente e emblemático.
“O filme não é apenas sobre pandemia. É um filme que fala também sobre memória e justiça. Por que a gente como país, como sociedade, se não cuidarmos da nossa memória não evoluímos como sociedade e como país. Por isso é muito importante também falarmos e trabalharmos nossas memórias”.
Dandara Ferreira diz que o narrador de seu documentário é a imprensa brasileira e o filme é um registro histórico importante para as eleições.
“São várias vozes, a imprensa brasileira. Acho o filme é um registro histórico e ele tem um papel importante agora nas eleições. Tem um papel de trazer reflexão, pensarmos qual sociedade queremos. Pois pensando nas eleições e vendo os personagens e candidatos, um deles é a continuação daquele projeto.”
Veja a íntegra da live nos canais do Sintufrj no Youtube e no Facebook do Sintufrj
Compromisso do sindicato
Coordenadora de Administração e Finanças do Sintufrj, Ana Mina é técnica em enfermagem do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ que foi linha de frente no combate a pandemia e transmitiu o ambiente vivido pelos trabalhadores da saúde, familiares e a situação das vítimas.
“Não podemos em nenhum momento deixar cair no esquecimento tudo o que vivemos, o que passamos e que ainda hoje repercute. Foram muitas pessoas e colegas que caíram em depressão, perderam familiares, perderam emprego, fecharam suas lojas. Uma situação que devemos sempre alertar porque o desgoverno de Jair Bolsonaro, por desacreditar a ciência, foi o culpado por tantas mortes. Foi uma época muito difícil e para quem era profissional de saúde pior. Você chegava com o colega para trabalhar e duas horas depois ele ia para emergência sem ar e morria. Recebíamos tanto jovens como velhos que não resistiam. Por isso é fundamental lembrar”, declarou Ana Mina.
Luciana Borges, coordenadora de Comunicação, é enfermeira há mais de 20 anos no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). Ela destacou também a importância do documentário por trazer a memória da crise sanitária reafirmando a culpa de Jair Bolsonaro.
“Foi uma crise sanitária negligenciada totalmente por Jair Bolsonaro e redundou nas mortes e no acometimento psicossocial tanto da sociedade como um todo como a gente da saúde que fomos negligenciados quanto as medidas de proteção. É um documentário muito importante porque não podemos ter memória curta em relação a uma das maiores crises sanitárias do país e que gerou uma tragédia política. Estamos com 80 indiciamentos e nenhum teve uma responsabilização criminal efetiva diante da omissão vida da população e dos profissionais de saúde”, apontou a coordenadora.
Sharon Stéfani que é a coordenadora geral do Sintufrj e trabalha na área de comunicação da UFRJ discorreu sobre o compromisso de procurar esclarecer a sociedade: “Nos preocupamos em levar as informações corretas sobre que estava acontecendo dentro da universidade, pois temos muitos hospitais e o HUCFF foi linha de frente. Isso doeu muito na comunidade universitária, principalmente os servidores que vivenciaram tudo. O documentário de Dandara foi muito importante para enxergarmos como foi que aconteceu tudo aquilo naquele momento. Havia desespero e medo das pessoas que não sabiam o que realmente de fato estava acontecendo na política. É extremamente importante sindicato manter viva as memórias para não cometermos os mesmos erros do passado. A iniciativa da Agenda Brasil é muito importante para o despertar da conscientização.”




