Conferência dos Bispos perde acesso ao X após falar sobre soberania e voto consciente

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A invasão aconteceu dois dias depois da circulação de uma carta de bispos da região Norte relacionada às eleições de 2026 em que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu a “soberania do Brasil, da nossa Amazônia e de nossas riquezas e bens”.

Em mensagem no dia 7 de setembro, a CNBB já havia ponderado: “O Brasil precisa de democracia e responsabilidade. Às vésperas das eleições, reafirmamos o respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional. O voto é expressão de liberdade e deve ser exercido com consciência, sem manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé. O Brasil precisa cuidar de seu povo” (Leia a íntegra ao final)..

Leia a matéria publicada no dia 25 no site Congresso em Foco 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) perdeu acesso nesta sexta-feira (25) à conta da instituição no X. A página aparece sem a imagem oficial da Conferência e, segundo informações preliminares divulgadas pela entidade, o endereço de e-mail vinculado ao perfil teria sido alterado.

Em nota, a CNBB afirmou que já encaminhou ao X documentos e comprovações sobre a titularidade da conta e trabalha para recuperar o controle. Até o momento, não há informação pública que permita estabelecer se houve invasão ou se há relação com as recentes manifestações políticas e eleitorais de bispos católicos.

O episódio ocorre em um momento de forte repercussão das posições públicas da Igreja Católica sobre as eleições de 2026. Nos últimos dias, bispos ligados à Regional Norte da CNBB divulgaram orientações aos eleitores com referências à preservação da Amazônia, enquanto manifestações recentes em Aparecida sobre soberania nacional voltaram a circular nas redes.

A própria Presidência da CNBB publicou neste mês uma mensagem para o 7 de Setembro defendendo que o voto seja exercido “com consciência, sem manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé”. A coincidência temporal chamou atenção nas redes sociais, mas, até agora, não há evidência de que o ataque à conta esteja relacionado a essas posições.

Comunicado da CNBB sobre perda de acesso.

No meio político, o eleitorado católico tem estado em evidência depois que passou a circular nas redes sociais a informação de que setores evangélicos ligados ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) estariam articulando a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O presidenciável nega.

Soberania nacional

A invasão aconteceu dois dias depois da circulação de uma carta de bispos da região Norte relacionada às eleições de 2026. No texto, religiosos vinculados a Roraima e ao Amazonas defendem que os eleitores considerem, entre outros critérios, o compromisso de candidatos com a preservação ambiental.

“Vote na pessoa que tem compromisso com o meio ambiente, com a Ecologia Integral; saiba cuidar, preservar a Amazônia com a sua beleza, seus povos e culturas”, diz um dos trechos divulgados. A entidade também defendeu a “soberania do Brasil, da nossa Amazônia e de nossas riquezas e bens”.

A defesa da Amazônia e da chamada “Ecologia Integral” não é uma novidade dentro das posições públicas da Igreja Católica brasileira. Documentos recentes da própria CNBB têm destacado extremos climáticos, preservação da Amazônia, povos indígenas e demais comunidades tradicionais.

Neste mês, a Presidência da Conferência também publicou uma mensagem específica para o 7 de Setembro. No documento, a entidade afirmou que o voto é expressão da liberdade e deve ser exercido conscientemente.

“O voto é expressão de liberdade e deve ser exercido com consciência, sem manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé”, declarou a CNBB. A mesma mensagem abordou pobreza, endividamento, desigualdades, condições de trabalho e defesa da soberania brasileira.

No encerramento, a Conferência afirmou confiar o país à proteção de Nossa Senhora Aparecida e pediu a construção de um Brasil “reconciliado, soberano, justo e fraterno”.

 

Leia, a seguir, trechos da publicação da Arquidiocese de Manaus

Bispos do Regional Norte 1 conclamam os fiéis brasileiros para voto consciente nas eleições de 2026

Por: Assessoria Comunicação em 23/09/26

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), Amazonas e Roraima, conclamam os fiéis e todas os brasileiros de boa vontade para voto consciente nas eleições de 2026. Essa atitude é o cumprimento do papel educativo da Igreja Católica na contribuição para a formação da consciência cidadã. A transformação que desejamos começa com as escolhas que fazemos no agora.

(…)

Analisar a verdade

É necessário que não nos deixemos seduzir pela indisposição a analisar a verdade a partir das evidências. A crise climática em Manaus, por exemplo, com a recorrência de secas históricas, a fumaça de queimadas e incêndios florestais que alteram o cotidiano das cidades, e também de nossas populações tradicionais e indígenas. E não esqueçamos da degradação de nossos igarapés, transformados em esgotos a céu aberto e ausência de uma coleta seletiva que incentive a destinação correta dos materiais recicláveis.

Considerar a realidade brasileira e regional em conjunto com as propostas oferecidas por cada candidato são instrumentos para a escolha consciente.  Nossa escolha por mulheres e homens, que estejam dispostos a cuidar do bem comum do meio ambiente no Executivo e no Legislativo, do Estado brasileiro e nos estados da federação é fundamental, especialmente para nós que habitamos a Amazônia.

Eleger para o legislativo e o executivo mulheres e homens dispostos a eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento para garantir o respeito do meio ambiente.

As eleições são expressão da democracia e a reafirmam. Democracia que se manifesta através do voto de cada cidadão, de cada cidadã. Ela expressa pela participação a responsabilidade pelo cuidado para com o Brasil e o estado do Amazonas. Eleger pessoas, mulheres e homens, que governem olhando para o bem de toda a sociedade, de todas as comunidades. Nesse sentido:

  1. Procure conhecer os candidatos, sua história pessoal, suas ideias e propostas defendidas por eles e os partidos aos quais estão filiados. Vote em candidatos, candidatas, que representem e defendam, depois de eleitos, as convicções que você defende.
  2. Vote em candidato, candidata, “ficha limpa”, digno de confiança, capaz de governar com prudência, equidade, fazer leis justas e necessárias para o convívio social. Pesquise se o candidato, a candidata, está disposto a administrar ou legislar de forma transparente, aceitando mecanismos de controle por parte da sociedade.
  3. Vote em quem não tem um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos. Fique atento à prática da corrupção eleitoral, ao abuso do poder econômico, à compra de votos e ao uso indevido da máquina administrativa na campanha eleitoral.
  4. Vote em candidatas, candidatos, que respeitem a liberdade de consciência, as convicções religiosas dos cidadãos, seus símbolos religiosos e a livre manifestação de sua fé.
  5. Vote na pessoa que tem compromisso com o meio ambiente, com a Ecologia Integral; saiba cuidar, preservar, a Amazônia com a sua beleza, seus povos e culturas.
  6. Lembre-se: o seu voto tem consequências para você e para toda a sociedade. Ele pode mudar a vida das pessoas.
  7. Estude a história dos candidatos e não tenha dúvida de descartar os despreparados, os que têm sede pelo poder e dinheiro. Analisar com atenção as propostas das candidaturas e nunca aceitar promessas pelo voto.
  8. Do voto depende a democracia, por isso votar em pessoas que saibam dialogar, indicar o caminho da justiça e da fraternidade; não votar em pessoas com ideologias fechadas, violentas, desagregadoras.
  9. Acompanhe depois das eleições as ações e decisões políticas e administrativas dos governantes e parlamentares, para cobrar deles a coerência para com as promessas de campanha e apoiar as decisões acertadas.
  10. À pessoa que vota de forma consciente, cabe a responsabilidade de ser independente e livre. Cuidar para não se deixar influenciar pela propaganda.

Leia a mensagem da CNBB no dia 7 de setembro

“Não percamos a esperança no Brasil”

Fonte: CNBB

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem de esperança por ocasião do Dia da Independência, celebrado neste 7 de setembro. No texto os bispos propõem “renovar nosso compromisso com um Brasil livre e soberano, democrático, justo e fraterno”.

Brasil: nossa pátria, nossa responsabilidade

“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).

Neste 7 de setembro, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil dirige uma palavra de esperança ao povo brasileiro.

Celebrar o Dia da Independência é renovar nosso compromisso com um Brasil livre e soberano, democrático, justo e fraterno. Em um momento marcado por polarizações políticas, tensões institucionais e internacionais, por uma grave crise na mais alta corte do país e dificuldades que pesam sobre a vida das famílias, somos chamados a recordar aquilo que nos une e a colocar o bem comum acima dos interesses particulares.

O Brasil precisa de paz e diálogo. As diferenças políticas são próprias da democracia, mas não podem nos transformar em inimigos. A violência, a mentira, a desinformação e os discursos de ódio ferem nossa convivência. Precisamos reaprender a discordar sem romper os vínculos que nos fazem um só povo.

O Brasil precisa de democracia e responsabilidade. Às vésperas das eleições, reafirmamos o respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional. O voto é expressão de liberdade e deve ser exercido com consciência, sem manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé.

O Brasil precisa cuidar de seu povo. Não há verdadeira independência enquanto tantos sofrem com a pobreza, o endividamento, as desigualdades e condições de trabalho que comprometem o descanso e a convivência familiar. A economia, a política e as instituições somente encontram sua razão de ser quando estão a serviço da dignidade humana e do bem comum. Essa preocupação com trabalho digno, repouso e qualidade de vida já foi explicitamente assumida pelos bispos na Mensagem ao Povo Brasileiro de abril passado.

Neste 7 de setembro, queremos dizer sobretudo: não percamos a esperança no Brasil. Somos maiores que nossas divisões. Podemos transformar diferenças em diálogo, dificuldades em compromisso e esperança em responsabilidade.

Confiamos nossa Pátria à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Que Deus nos conceda sabedoria e coragem para construirmos juntos um Brasil reconciliado, soberano, justo e fraterno.

Brasília, 7 de setembro de 2026.

Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

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