Que UFRJ queremos para as mulheres?

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Respeito, igualdade e enfrentamento à discriminação. Esse foi o tema do II Seminário da UFRJ contra Assédio e Discriminação, que reuniu, no dia 29 de outubro, no auditório da Escola de Química, no Centro de Tecnologia, dezenas de pessoas entre autoridades universitárias e servidores para uma reflexão necessária sobre avanços e demandas da maior universidade federal do país no que toca as políticas de apoio às mulheres.

A mesa de abertura – com o reitor Roberto Medronho, a vice-reitora Cássia Turci, a ouvidora-geral da UFRJ Kátia Gualter, a ouvidora da mulher, Ângela Bretas, Denise Góes, superintendente Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (Sgaada), e o coordenador da Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin), Luiz Cláudio Moreira Gomes – não se resumiu aos cumprimentos protocolares das autoridades. Tratou-se de um balanço das ações da UFRJ e do que ainda é preciso construir.

“Queremos uma UFRJ em que cada mulher possa estudar, trabalhar, pesquisar e exercer a liderança com liberdade, segurança, reconhecimento. Queremos também que nenhuma estudante tenha medo de perder uma oportunidade por reclusar uma investida. E queremos que nenhuma trabalhadora seja humilhada, silenciada ou prejudicada por ser mulher, por estar grávida ou por exercer a maternidade”, disse o reitor, demonstrando orgulho por uma equipe com tantas mulheres em cargo de poder.

Denise Góes cobrou ações mais avançadas por parte da UFRJ, com equipes capacitadas e ágil no sentido de apurar as circunstâncias de casos com rigor e que possa haver punições tal como em casos de racismo.

Técnicas-administrativas se destacam

Priscila e Carol

Dois nomes da Corin, no entanto, se destacaram entre as menções e elogios aos organizadores: os das técnicas-administrativas Carolina Genovez, diretora de Relacionamento com os Órgãos de Representação, e Priscila Mendonça, diretora de Relacionamento com os Órgãos Jurídicos.

“Essa ideia (do seminário) surgiu a partir da incorporação da Divisão Administrativa das Comissões (DAC) à CORIN e do início dos trabalhos relacionados ao recebimento e à análise de denúncias envolvendo servidores. Em conversas com a Priscila, identificamos a necessidade de adotarmos uma postura mais propositiva, ampliando as iniciativas voltadas à prevenção, especialmente no enfrentamento ao assédio e à discriminação, temas que representam a maior parte das denúncias recebidas pela unidade”, disse Carolina ao Jornal do Sintufrj.

“Entendemos que essas questões são de grande relevância para a comunidade universitária e que, enquanto instituição, a UFRJ tem um papel fundamental na promoção de um ambiente cada vez mais seguro, acolhedor e respeitoso, no qual todas as pessoas sejam tratadas com dignidade e respeito”, concluiu.

Priscila reiterou: “A ideia de promover o Seminário UFRJ contra Assédio e Discriminação surgiu da percepção de que, embora a Universidade recebesse muitas denúncias, também havia casos que não chegavam aos canais institucionais, seja pela falta de visibilidade, seja pela falta de confiança nesses mecanismos de acolhimento e apuração”.

Por isso, segundo ela, na primeira edição, o tema foi “O que a UFRJ está fazendo?”, com o objetivo de dar visibilidade aos canais institucionais, aproximá-los da comunidade e incentivar as pessoas a buscarem orientação e relatar situações de violência e discriminação.

“Neste ano, direcionamos o debate para a discriminação contra as mulheres e seu lugar na Universidade diante da gravidade de casos que acompanhamos desde janeiro, como a circulação de uma “lista de estudantes estupráveis” em um colégio de São Paulo e o caso Jane Doe, nos Estados Unidos. Esses episódios mostram que a violência de gênero não é algo distante ou isolado e reforçam a importância de discutir como enfrentá-la, tanto institucional quanto coletivamente, para construir ambientes mais seguros, respeitosos e igualitários”, concluiu a servidora.

Discriminação e diversidade

Em seguida, Márcio Neves, diretor de gênero e pertencimento (Digepe) da Sgaada, abordou o tema “Gênero para além do binário: discriminação, diversidade e os desafios da universidade”.

E, por fim, um painel com diferentes perspectivas sobre as experiências das mulheres na universidade (Mulheres na UFRJ: o que ainda precisamos transformar?), mediado por Natália Limonge,  assistente social da Pro-Reitoria de Pessoal, e que reuniu Aline Caixeta, procuradora da República, Ângela Brêtas, a deputada estadual Dani Balbi, a chefe de Gabinete da UFRJ Fabiana Fonseca, da vice-diretora do Instituto de Psicologia da UFF, Paula Curi e Carla Apolinário do projeto Mulherio, também da UFF, que discutiram caminhos para construir um ambiente universitário mais respeitoso e igualitário.

“Nos últimos anos, felizmente, a gente avançou na participação das mulheres no fazer científico brasileiro. Não podemos esquecer, por exemplo, que a maior contribuição da produção de ciência, ciência básica que o Brasil consolida está no campo das pós-graduações e, nesse sentido, nós somos 55% das pós-graduandas registradas no Brasil, o que é muito importante. Passamos, inclusive, a predominância masculina nesses espaços de construção de fazer científica e elaboração de soluções para os problemas endêmicos e sistêmicos do nosso país, quase que refletindo o percentual do continente populacional de mulheres no âmbito geral da sociedade brasileira.

Nós também avançamos no sentido da participação das instituições que enfatizam o sistema nacional integrado de ciência, tecnologia e inovação. Chegamos a cerca de 47,8% de mulheres. Ainda não expressa, não espelha a nossa participação real no conjunto da sociedade, mas, comparado aos últimos anos, há um avanço gradual, incipiente, mas real da participação de mulheres no corpo do fazer científico brasileiro”, disse Dani Balbi.

   

 

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