Dia do Biólogo é comemorado pelo IB

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Palestra alerta que a vida humana depende da preservação das florestas com espécies vivas saudáveis e reproduzindo

O Dia do Biólogo, nesta quarta-feira, 3, foi comemorado pelo Instituto de Biologia da UFRJ com a palestra “Preenchendo com vida florestas vazias” pelo pesquisador da unidade e diretor executivo do Refauna, Marcelo Rheingantz. Estudantes lotaram o Salão Azul. A celebração constou também da inauguração de um novo item na coleção taxidérmicos na exposição permanente “Árvore da Vida”: um ouriço-caixeiro.

Cinco biólogas organizaram o evento: Margaret Correa, Ana Boneckr, Vania Alves, Raquel Monteiro e Marcia Gomes. Foram   técnicos-administrativos em educação os responsáveis pela instalação da exposição “Árvore da Vida”, inaugurada em 2018, quando a unidade completou 50 anos. “São biólogos coordenando e assinando projetos de extensão e conquistando voz no instituto. Nossa atuação mostra que também somos responsáveis pela formação dos estudantes”, registrou Margaret.

A exposição começa no pátio de entrada do Centro de Ciências da Saúde (CCS) que dá acesso ao Instituto de Biologia, ocupa uma extensão do hall, segue pela escada geológica (cada degrau mostra as etapas de transformação da Terra) e chega ao segundo andar. São vários ambientes com exemplares de biomas marinhos, terrestres e de água doce.

Um mundo em transformação

Ex-aluno de graduação, mestrado e doutorado, técnico-administrativo concursado, Marcelo Rheingantz atua principalmente com a biodiversidade, biologia da conservação, manejo de fauna e fauna ameaçada de extinção, com foco no planejamento e execução de translocações de animais em ambientes naturais. Ele e sua equipe são responsáveis por repovoar com fauna o Parque Nacional da Tijuca, inicialmente com três espécies: jubuti-tinga, cutia-vermelha e bugio-ruivo.

O mesmo, segundo o especialista, ocorre no Mosaico Central Fluminense (uma experiência de gestão integrada e participativa de unidades de conservação federais, estaduais e municipais e outras áreas protegidas, localizadas no centro do estado do Rio de Janeiro). O objetivo é promover a conservação e restauração da Mata Atlântica garantindo a conectividade ecológica entre as áreas remanescentes e buscando o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região. Estão sendo levadas para lá animais mamíferos, como antas, para se misturarem às espécies já existentes. Um trabalho que requer muita pesquisa, observação constante e conscientização da população em torno, assim como acontece no Parque Nacional da Tijuca.

Refaunação

“A refaunação faz parte de uma agenda mais proativa de conservação, que busca restaurar ecossistemas e garantir a manutenção da vida no planeta — inclusive a nossa. Ela tem como objetivo recuperar o funcionamento e o equilíbrio de ambientes naturais, especialmente das florestas tropicais, que são riquíssimas em biodiversidade e estão entre os ambientes mais ameaçados do mundo”, explicou Marcelo.

“Muitas espécies de animais desapareceram desses locais por causa da caça e da destruição de habitats, e com elas se perderam funções essenciais, como a dispersão e a predação de sementes, a polinização e o controle natural de populações. Ao reintroduzirmos essas espécies nas florestas, recuperamos as interações ecológicas que mantêm a floresta viva e saudável. Isso ajuda a restaurar serviços fundamentais, como a produção de água, a regulação do clima e a preservação da biodiversidade, que têm impacto direto na vida de todos nós. A refaunação também busca inspirar uma nova relação entre as pessoas e a natureza: para termos ecossistemas realmente funcionais, precisamos recuperar ao máximo o que foi perdido e, assim, construir um futuro mais equilibrado para as próximas gerações”, conclui o biólogo.

Colaboração do Museu Nacional

O ouriço-caixeiro que agora faz parte do acervo da exposição Árvores da Vida, do IB, foi uma contribuição do biólogo Carlos Rodrigues, do Museu Nacional, que coordenou o processo de taxidermia do doutorando Pedro Ivo. “Estou emocionado, porque é a minha primeira inauguração de matéria taxidermia. Esse cantinho da exposição será sempre especial para mim”, disse o estudante.

Dados

Marcelo apresentou na palestra alguns dados importantes: 95% do planeta passou por interferência humana e 84% têm múltiplos impactos humanos: urbanização, agricultura, mineração, indústrias e transportes. A primeira onde de extinção de espécies foi feita por humanos. De acordo com o especialista, as áreas protegidas não são suficientes para manter a biodiversidade.

 

 

 

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